Gabriela desenhou seu amigo invisível e ganhou competição. Segundo pediatra, imaginação é saudável e pais não devem se preocupar

Gabriela com o amigo imaginário transformado em boneco...
Edu Cesar/Fotoarena
Gabriela com o amigo imaginário transformado em boneco...

... e o desenho dela que venceu o concurso
Reprodução
... e o desenho dela que venceu o concurso

Quando o geólogo Carlos Déda Júnior comentou com a filha Gabriela sobre um concurso de desenho cujo objetivo era retratar um amigo imaginário, ela não hesitou: foi diretamente para a sala desenhar, sem saber que seria a vencedora. O prêmio toda criança adoraria: o próprio amigo imaginário transformado em realidade na forma de um boneco, que Gabriela, cinco anos, recebeu na última sexta-feira, 29.

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O concurso, realizado pela loja infantil Fatto per Me ao lado da Vila Mundo , visava estimular a imaginação. Marcela Freme, estilista e sócia-proprietária da Fatto per Me, conta que 28 desenhos de amigos imaginários concorreram ao prêmio. O de Gabriela ganhou o primeiro lugar com 1.481 votos na internet.


O personagem criado por Gabriela é um alce, mas ainda não tem nome. A mãe, a dentista Maria de Lourdes Santos, 48, conta que a filha não deu muitos detalhes sobre o amigo, embora costume dar nome para tudo e conversar “sozinha” enquanto está com os próprios brinquedos .
“Ela é bem imaginativa”, diz Lourdes, que age com naturalidade em relação à criação da filha.

Curiosamente, Gabriela, que costuma desenhar bastante com cores fortes, preferiu tons sutis ao retratar o amigo imaginário vencedor. “É engraçado porque ela usou cores leves, dando a impressão de ser bem imaginário mesmo”, afirma.

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Do bem

Amigos imaginários nem sempre foram vistos com a naturalidade de hoje, mas após realizar uma pesquisa, a autora do livro “Imaginary Companions and the Children Who Create Them” (na tradução literal: “Companhias Imaginárias e as Crianças que as Criam”), a professora Marjorie Taylor, da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, descobriu que 65% das crianças inventam companheiros em algum momento da infância. Para o pediatra Marcelo Reibscheid, esses “amigos” não devem mesmo causar preocupação.

Se a criança é insegura ou tímida, um amigo invisível pode surgir para ajudar a encarar aquela festinha da escola que ela está com receio de ir. “É um amigo que surge para preencher uma lacuna”, comenta o pediatra. O amigo imaginário, portanto, aparece para ajudar a criança a superar uma dificuldade. E os pais devem aceitá-lo com naturalidade.

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De acordo com Reibscheid, os amigos imaginários desaparecem com a mesma naturalidade com que surgem. Por isso os pais não precisam se desesperar. “Se os pais souberem como agir, o amigo imaginário só oferece benefícios”, diz.


O pediatra recomenda não usar o amigo para tentar convencer a criança a fazer algo que ela não queira, nem fingir que também conversa com o amigo imaginário do filho – ele sabe que o amigo é apenas fruto da própria imaginação. “Os pais não devem estimular ou coibir o amigo imaginário e, se for para falar do amigo, o pontapé inicial deve ser da criança”, comenta Reibscheid.

A fase dos amigos imaginários costuma começar por volta dos três e durar até aproximadamente os oito anos de idade da criança. É quando a fase lúdica começa a morrer e, assim como ela deixa de acreditar no Papai Noel, também deixará o amigo de lado. Mas Gabriela, no entanto, terá uma lembrança para guardar.

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