Opção exige planejamento cuidadoso e acordos no trabalho. Entenda a que as mães têm direito e como elas podem organizar a rotina

Mães podem negociar com a empresa entrar mais tarde ou sair mais cedo para continuar amamentando até os seis meses
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Mães podem negociar com a empresa entrar mais tarde ou sair mais cedo para continuar amamentando até os seis meses

Após a licença-maternidade, muitas mães enfrentam o dilema de voltar ao trabalho querendo continuar a amamentar. Organizando algumas coisas, dá para fazer os dois. Para as mães que voltam a trabalhar quando o filho ainda tem entre três e quatro meses, está previsto na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) o direito de duas pausas remuneradas de trinta minutos para amamentar o bebê até os seis meses. Para quem vive em cidades grandes, essa prática pode parecer impossível. Mas é possível ajeitá-la à sua rotina.

Quanto Caetano estava para nascer, a funcionária pública Eliane Chagas dos Santos, de 34 anos, tirou a licença-maternidade de quatro meses. Para aumentar o período com o filho e amamentá-lo exclusivamente de acordo com o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Eliane juntou a esse período um mês de férias e um mês da chamada “licença-amamentação”, voltando ao trabalho após quase seis meses do nascimento do filho.

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Eliane conseguiu, por um período maior do que o usual, o direito de entrar um pouco mais tarde e sair um pouco mais cedo do trabalho. Em cidades grandes, é esse o acordo que muitas mães fazem para poder amamentar o filho até pelo menos os seis meses de idade. A funcionária também podia fazer uma pausa de 30 minutos no meio do expediente. Como Caetano ficava em um berçário da própria escola, foi amamentado muitas vezes na sala dos professores da escola onde a mãe trabalha.

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Licença-amamentação?

Para a advogada trabalhista Maria Lúcia Benhame, os direitos garantidos por lei para as mães com filhos pequenos ainda não são muito justos. O período da licença-maternidade continua sendo o de 120 dias – a ampliação para 180 dias ainda não é realidade e só acontece em empresas ou esferas públicas que aderiram voluntariamente. Além disso, a “licença-amamentação” a que Eliane teve acesso não é comum a todos.

Segundo o consultor em amamentação Marcus Renato de Carvalho, também professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as funcionárias públicas fluminenses podem ganhar mais três meses de licença somente para a amamentação. “Depende da política de cada prefeitura”, explica. Se houver o benefício, a mulher precisa ir ao médico ou à perícia para comprovar a amamentação.

Maria Lúcia Benhame afirma que, para o setor privado, essa regalia não existe.

Atualmente, muitas empresas já investem em salas de apoio à amamentação
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Atualmente, muitas empresas já investem em salas de apoio à amamentação

Entre a amamentação e roupas no varal

Até aproximadamente quatro meses de idade, segundo a enfermeira Thatiane Donegá, do Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno (GAAM) do Hospital São Luiz, em São Paulo, o bebê deve mamar aproximadamente de quatro em quatro horas. Uma tarefa nada fácil para as mães que trabalham fora, mesmo quando o bebê já passa dos seis meses. A consultora de marketing Viviana Tancredi, de 29 anos, começou em um trabalho de meio-período em Florianópolis, Santa Catarina, quando o filho tinha sete meses. Ela o amamentava de manhã, o levava para a escolinha e, ao buscá-lo, sentia o seio dolorido e já prestes a vazar.

“Eu já dava de mamar no ônibus mesmo, voltando para casa”, comenta. A rotina permaneceu assim até Davi completar 11 meses, quando começou a mamar somente antes de dormir. “Acabei me adaptando, mas cheguei a dar de mamar enquanto pendurava roupa no varal”, comenta. As futuras mães, portanto, já devem planejar a rotina entre amamentação e trabalho.

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Amamentação laboral

Atualmente, muitas empresas já investem em salas de apoio à amamentação, iniciativa destinada à retirada e estocagem de leite materno daquelas mães que precisarem esvaziar as mamas para dar de mamar em outro momento.

Além disso, é preciso lembrar que toda empresa com mais de trinta mulheres maiores de 16 anos empregadas deve garantir o auxílio-creche – e, nestes casos, Maria Lúcia Benhame alerta que a empresa deve exigir da mãe a nota fiscal da escolinha ou creche que cuida da criança, já que a lei previdenciária pode considerar aquele valor como parte do salário. “O auxílio-creche é um direito, mas quando comprovado”, diz.

Para as mães com o tempo mais escasso, a retirada e estocagem de leite nos momentos em que não for possível amamentar o filho é a melhor saída.

Hoje, de acordo com os especialistas, muitas empresas são bem flexíveis quanto à amamentação e a incentivam. Vale, portanto, conversar com o superior do ambiente de trabalho para chegar a um acordo em que todos fiquem contentes. E o bebê, amamentado.

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