Muito além do gosto pessoal e de um significado importante, especialistas desvendam o que move as escolhas dos nomes das crianças

Depois do casamento real, o Reino Unido teve um aumento de 65% do nome Pippa - ou Phillipa
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Depois do casamento real, o Reino Unido teve um aumento de 65% do nome Pippa - ou Phillipa

No Brasil, a pergunta “e o nome, já escolheu?” é a mais ouvida pelas grávidas. Mais frequente ainda é, mesmo com poucos meses de gestação, já saberem a resposta. Escolher o nome do bebê é uma das primeiras medidas dos pais que, segundo pesquisadores, se inspiram não só em parentes, novelas, filmes e celebridades, mas também projetam desejos e sofrem influência das classes sociais.

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Em 2010 a empresa Certifixe, que reúne alguns cartórios brasileiros e disponibiliza um serviço de certidões online, destacou os nomes mais registrados desde o ano 2000. Em uma década, os clássicos João e Maria se mostraram os nomes mais populares para meninos e meninas no Brasil, seguidos por Gabriel e Ana. 

“Homenagens, devoção, vontade de agregar um ‘poder’ ao bebê, tudo isso parece influenciar os pais ao escolher nomes. Mas também varia entre as classes socioeconômicas e em cada região”, diz Patrícia Carvalhinhos, professora da Universidade de São Paulo e especialista em onomástica, o estudo dos nomes.

Os atores Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert com os gêmeos João e Francisco: volta aos nomes simples
AgNews
Os atores Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert com os gêmeos João e Francisco: volta aos nomes simples


“Hoje existe uma busca das classes mais altas por nomes curtos, ditos ‘fortes’, e mais simples, como João, Miguel ou Maria”, diz Patrícia. Celebridades, por exemplo, entraram com firmeza na moda dos nomes comuns. Como os atores Tais Araújo e Lázaro Ramos, que batizaram o filho de Vicente, a modelo Fernanda Lima, mãe dos gêmeos João e Francisco, e a atriz Claudia Abreu, que em 2011 deu à luz Pedro, mas já era mãe de Maria, Felipa e José Joaquim.

Já pais de origem mais humilde costumam preferir nomes mais complexos, muitas vezes baseados em estrangeirismos ou na junção de dois nomes. Segunda Patrícia Carvalhinhos, quando perguntadas, essas mães dizem que gostam assim porque jamais dariam aos filhos ‘nomes de pobre’. A percepção da especialista é que muitos acreditam que o nome é capaz de trazer uma qualidade a mais, quase transcendental e muito particular, para o bebê. “A semântica de um nome faz diferença. Como dar o nome de Vitória após uma gestação ou parto difícil”, lembra ela.

Claudia Abreu e a filha Maria
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Claudia Abreu e a filha Maria

O poder da TV

Nessa busca paterna, os antigos livros de nomes parecem estar caindo cada dia mais em desuso. O site LilSugar, especializado na vida familiar, realizou há dois anos uma pesquisa para descobrir como os pais se informam a respeito e escolhem o nome dos pequenos. O estudo mostrou que 64% dos casais dizem usar sites de busca mesmo, como o Google – e não só para saber o significado do nome, mas também para referências.

A mídia, claro, tem sua participação nessas escolhas. No ano passado, uma pesquisa do site Babycenter mostrou que o nome Pippa (ou Philippa, a versão “estendida”) teve aumento de 65% no volume de registros no Reino Unido. Tudo graças ao casamento do Príncipe William e de Kate Middleton – celebração que fez a fama da irmã da noiva, Pippa Middleton.

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Nos Estados Unidos, a mesma pesquisa cravou Aiden e Sophia como os mais-mais de 2011 para meninos e meninas, mas foi curioso notar a ascensão dos nomes Anderson e Cooper – o primeiro subindo mais de 100 posições na lista – uma evidente resposta ao sucesso do mais famoso âncora de televisão do momento, chamado exatamente Anderson Cooper.

A escolha dos nomes hoje em dia é obviamente motivada por diversos fatores externos, como a personagem da novela mais comentada, o ator de um blockbuster, uma personalidade badalada e até os esportistas no auge da carreira. Mas não é só isso que pode nortear os casais nos dias de hoje.

Anderson Cooper, o âncora da TV americana cuja popularidade alavancou os nomes Anderson e Cooper para meninos nos EUA
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Anderson Cooper, o âncora da TV americana cuja popularidade alavancou os nomes Anderson e Cooper para meninos nos EUA

Nomes “de rico”

“Minha ideia foi utilizar nomes e sobrenomes como indicadores de origem social porque estava interessado na questão do padrão de discriminação racial no Brasil”, explica Lucas Scottini, economista que acaba de concluir um mestrado que usou como material de pesquisa nomes e sobrenomes de crianças em idade do ensino fundamental de escolas públicas e privadas (já que o Brasil não mantém um ranking oficial dos registros de nascimento).

Lucas observou que, no período de 1989 a 2003, especialmente na década de 90, nomes de inspiração italiana estavam no gosto das famílias mais ricas. Ao olhar os nomes mais frequentes entre os bebês nascidos hoje em dia, independentemente de origem social, esses são justamente os nomes mais frequentes. “Ou seja: os nomes adotados exclusivamente pelas famílias ricas ontem são, hoje, os nomes mais escolhidos por famílias de todos os tipos. É um indício de que os ricos são os maiores responsáveis pelo início das ‘modas’ de nome”, completa o pesquisador.

Não é à toa que hoje vemos tantos Lucas e Giulias – eles foram os nomes típicos dos ricos na década passada. Até na questão dos nomes, a moda parece ser, obviamente, um ciclo.

Conheça abaixo os  10 nomes mais populares de 2011  no Brasil

Meninos

1. Miguel
2. Davi
3. Gabriel 
4. Arthur
5. Lucas 
6. Matheus
7. Pedro 
8. Guilherme 
9. Gustavo
10. Rafael

Meninas

1. Julia
2. Sophia
3. Isabella
4. Maria Eduarda
5. Manuela
6. Giovanna
7. Alice
8. Laura
9. Luiza
10. Beatriz

(fonte: Babycenter)