E a maioria dos pais que brincam optam pelo videogame. Especialistas explicam porque eles estão cometendo um grande erro

Brincar é essencial para o desenvolvimento da criança
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Brincar é essencial para o desenvolvimento da criança
A psicóloga infantil Tanya Byron, do Reino Unido, entrevistou dois mil pais e duas mil crianças entre 5 e 15 anos e afirmou que um em cada cinco pais esquecem ou estão muito ocupados para brincar com os seus filhos. Segundo o estudo conduzido por ela, a maioria dos pais opta pelos jogos eletrônicos na tentativa de entreter os seus filhos ao invés de bater uma bola, por exemplo.

Enquanto isso, grande parte dos pequenos entrevistados disse que prefere jogar videogame sozinho e gostaria de passar mais tempo com os pais fazendo outras atividades – como jogos de tabuleiro. Em entrevista ao Mail Online, Tanya disse acreditar que a falta de comunicação entre as gerações é o ponto crucial da questão.

30% dos adultos ouvidos admitiram que acham chato brincar com os pequenos, o que a fez concluir que a arte de brincar está em perigo, uma vez que pais e mães se dizem ocupados demais ou não sabem o que fazer nestes momentos de lazer. Para a psicóloga, os pais falham em perceber que os desejos das crianças – e o que as mantém distraídas e felizes – são os mesmos que eles tiveram na infância.

"A brincadeira pode acontecer em qualquer lugar: durante a refeição, pais e filhos podem alimentar ursos de pelúcia. Na hora do banho, no momento em que o pai vai ler o jornal, em uma volta no quintal para mexer com pedrinhas e plantas”, enumera Tizuko Kishimoto, pedagoga e coordenadora do Labrimp (Laboratório de Brincadeiras da USP). Para ela, pequenas estratégias no dia a dia fazem da brincadeira um hábito. O que os pais precisam entender, antes de tudo, é que brincar é fundamental no desenvolvimento da criança, o que já foi constatado tanto por educadores, quanto por psicólogos e médicos – que estão ensinando aos pais já no hospital a importância da interação.

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Até os seis anos, as crianças estão constituindo suas personalidades e desenvolvendo novas sinapses a partir de jogos e imagens formadas pelo contato com formas, cores e volumes –chamadas por nós simplesmente de “brincadeiras”. Para o educador e antropólogo Tião Rocha, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento , quem não entende o quanto o brincar é fundamental na formação de uma criança não deveria ter filhos. “Brincar junto é tão necessário quanto cuidar no momento da dor ou de uma doença. E terceirizar não é a solução. Em escolas e berçários não existe a atenção individual”, diz.

No estudo britânico, a psicóloga Tanya Byron afirmou que basta os pais se recordarem do que faziam em suas infâncias e aplicar estas memórias hoje, contanto que as atividades contenham quatro ingredientes básicos: educação, inspiração, integração e comunicação. “Chega a ser irresponsabilidade e ignorância dizer que brincar com o filho é chato ou que não tem tempo. Por isso seria importante incluir desde o ensino fundamental disciplinas que ensinem o papel dos pais e da brincadeira no desenvolvimento dos filhos, como acontece no Japão”, adverte Tizuko. “A criança nasceu para brincar como o passarinho nasceu para voar”, finaliza Tião.

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