Imunização contra pneumonia e meningite começa a partir de março

A rede pública de saúde passará a oferecer duas importantes vacinas às crianças brasileiras com menos de dois anos de idade: a pneumocócica 10-valente e a anti-meningococo C.

A decisão de incluir as duas imunizações tranquiliza médicos. As duas bactérias combatidas pelas vacinas provocam as doenças que mais levam a internações infantis no país. Além dos riscos de sequelas, centenas de crianças não resistem aos efeitos dessas bactérias.

O meningococo C provoca a doença meningocócita, principal causa da meningite bacteriana no Brasil. Devastadora, a inflamação nas membranas do cérebro mata cerca de 20% das crianças que contraem a doença, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). São notificados entre 2,5 mil e 3 mil casos da doença todos os anos, sendo a maior parte em crianças com até um ano de idade.

“A doença meningocócita é uma das complicações bacterianas mais temidas, por conta da alta letalidade. A introdução das vacinas na rede pública diminuirá muito a incidência da enfermidade”, ressalta Marco Aurélio Safadi, do Departamento Científico de Infectologia da SBP. Ele esclarece que existem diferentes tipos de meningocócitos e que a nova vacina não protege o corpo contra todos eles. Ainda assim, imuniza a criança contra o sorogrupo responsável por dois terços dos casos de meningite no país.

Já o pneumococo é o segundo maior causador de meningites bacterianas: de 1 mil a 1,5 mil casos por ano, matando cerca de 35% dos doentes. Essa bactéria ainda provoca inflamações no ouvido, sinusites e pneumonias . A vacina oferecida pelo governo será capaz de prevenir dez sorotipos da bactéria. Segundo Safadi, isso representa 80% dos pneumococos que causam doenças graves em crianças com até cinco anos. O Ministério da Saúde espera, ao final de cinco anos da adoção do novo calendário de vacinação, reduzir em 80% o número de internações por doenças provocadas pelas bactérias combatidas com as vacinas.

Privilégio para poucos

Até então, poucas crianças brasileiras tinham a chance de tomar as duas vacinas. Elas só eram oferecidas em clínicas privadas, que cobram, em média, R$ 330 pela aplicação das duas. “A cobertura não chegava a 10% da população. Com a vacinação de todas as crianças, será possível reduzir a circulação das bactérias”, pondera Safadi.

Com a ampliação do calendário básico de vacinação, o Ministério da Saúde antecipa o cumprimento de uma meta prevista no Programa Mais Saúde: Direito de Todos, apelidado de PAC da Saúde. A idéia era, até 2011, introduzir duas novas imunizações no calendário básico de vacinação – um investimento de R$ 552 milhões.

“As vacinas promoverão uma importante redução em casos de internações e óbitos em crianças com menos de cinco anos”, diz o diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde do MS, Eduardo Hage.

Calendário

A vacinação contra o pneumococo começará em março. Neste primeiro ano serão imunizadas todas as crianças com até dois anos. A partir de 2011, elas entram no calendário básico das crianças e serão aplicadas em menores de um ano. Todas receberão três doses da vacina no primeiro ano e um reforço no ano seguinte. No caso da meningocócita, que será aplicada no segundo semestre, as crianças receberão duas doses mais um reforço.

Segundo a SBP, a vacina pneumocócica 10-valente só tem eficácia quando dada as crianças com menos de dois anos. Contra o meningococo, a imunização pode ser dada em qualquer idade, porém, os pais interessados deverão procurar clínicas privadas. A rede pública só oferece a imunização a quem estiver na faixa etária recomendada. Safadi lembra que não há contra-indicações da vacina. Só não é recomendada a aplicação a crianças com histórico de alergias aos componentes ou que tenham tido febre alta no dia da vacinação.

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