Matricular a criança em muitas atividades depois da escola pode comprometer o processo de educação

Exagerar nas atividades extracurriculares pode comprometer o desenvolvimento
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Exagerar nas atividades extracurriculares pode comprometer o desenvolvimento
Junto com a volta às aulas, seu filho também retoma às atividades particulares, como judô, inglês, natação e artes. A presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), Quézia Bombonatto, alerta para o exagero e afirma que, além do estresse que o excesso de atividades pode causar às crianças, as horas de ócio e brincadeiras não podem ser deixadas de lado.

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Preencher a agenda do filho com diversas atividades extracurriculares é algo comum hoje em dia. Os pais se interessam em dar a melhor formação, em deixar o filho longe da ociosidade, ou então procuram compensar o que eles próprios não puderam ter na infância. No entanto, as crianças acabam precisando se desdobrar para cumprir os horários, o que não é indicado. “Os pais entram numa ansiedade que acabam exagerando e sobrecarregando a criança, que fica sem tempo até para fazer a lição de casa”, explica Quézia.

Segundo a psicóloga Elizabeth Monteiro, autora do livro “Criando filhos em tempos difíceis – Atitudes e brincadeiras para uma criança feliz”, o que uma criança mais precisa é brincar. “É a atividade mais importante: uma criança que brinca desenvolve a inteligência, aspectos físicos, motores e emocionais”, afirma.

Para Quézia, fechar uma grade de horários lotada pode comprometer diferentes aspectos do crescimento da criança. “Ela faz experimentações e descobertas no momento de brincar, o que é muito importante”, diz. Além disso, a criança que possui muitos compromissos pode perder programas que surgem em cima da hora, como festas ou consultas periódicas. De acordo com Quézia, abandonar um compromisso por outro acaba passando uma mensagem de descompromisso, tornando ambígua a principal intenção.

Proporcionar uma ou duas atividades fora da escola, como uma língua estrangeira ou um esporte, no máximo, torna a criança mais produtiva e, no caso de pais que trabalham fora de casa, é mesmo preferível que ela seja estimulada para isso. “No entanto, com o excesso, passa a existir um efeito contrário. É importante que haja prioridades”, justifica Quézia.

Os valores da família são tremendamente levados em consideração neste momento, mas as necessidades e preferências da criança também não podem ser esquecidas. E também as habilidades: “Não é porque o irmão mais velho fez judô que o mais novo também tem que fazer”, explica a especialista. Os pais devem também respeitar o ritmo do filho e perceber o momento em que uma atividade deve ser colocada na vida dele – não é recomendável forçá-lo a frequentar uma atividade extracurricular.

A psicóloga Elizabeth assegura que os pequenos necessitam de um tempo em que possam fazer o que tenham interesse. “Eu atendo crianças que acabam se desinteressando pela escola por excesso de atividades, então, se ela não quer fazer inglês agora, ela fará depois”, aconselha a psicóloga, que ainda fortifica que as crianças devem fazer as atividades que elegerem pelo prazer que é proporcionado, e não pela competição que pode estar envolvida.

Torna-se necessário, porém, observar as reações das crianças a partir do momento em que realizam novas atividades. O excesso delas pode provocar problemas como ansiedade, agressividade, desânimo, irritação, falta de concentração, distúrbios de sono, entre outros, portanto, Quézia indica aos pais que fiquem bem atentos em relação a mudanças de comportamento.

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Quando a criança quer fazer tudo

Existem também crianças que, mesmo que os pais não influenciem tanto para a realização de diversas tarefas, procuram por diferentes ocupações. Nestes casos, é preciso mostrar que a atividade deve ser bem feita, e que o dia não tem mais de 24 horas. De acordo com Elizabeth, existem crianças que querem apenas saber como é o ballet ou o teatro, por exemplo. “Se os pais possuem disponibilidade, é interessante proporcionar isso. Agora, não dá para fazer tudo de uma vez”, declara.

O mais importante dentro da rotina da criança é determinar um tempo para o estudo fora da escola, o lazer e para o convívio com os colegas de classe. Afinal, não é somente o acúmulo de conhecimento que colabora para o crescimento de uma criança, mas também, as descobertas que ela realiza. “Colocar a mesa, abrir gavetas, brincar dentro de casa, por exemplo, também é algo que ajuda no desenvolvimento”, afirma Elizabeth.

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