12 questões que tiram o sono de mães de recém-nascidos

O bebê está descascando, chora até perder o fôlego e quer mamar o dia todo? Especialistas esclarecem o que é normal e o que merece preocupação

Ana Carolina Addario, especial para o iG São Paulo |

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Bebê: sem manual de instruções
O novo sempre causa preocupação e estranhamento, sobretudo quando se trata de um ser tão pequeno e indefeso quanto seu bebê. Por isso é normal que mães de primeira viagem sofram às voltas com perguntas como “será que ele está respirando rápido demais?” ou “por que a moleira do meu bebê está demorando para fechar?”.

Todo questionamento envolvendo a saúde e o bem-estar de seu bebê é válida, mas é importante ter calma e não fazer de eventos naturais do desenvolvimento motivos para preocupação. Muitas vezes a solução do que aflige as mães é bem simples – se é que existe mesmo um problema ali. Para ajudar você a lidar com as reações do recém-nascido, listamos as dúvidas mais comuns do período. E perguntamos a especialistas: é normal...

... o bebê respirar muito rápido?
Sim. Nesta idade, o metabolismo dos bebês é muito elevado, o que requer a rápida entrada do oxigênio no seu corpo e a saída do dióxido de carbono. E nem pense em comparar com a respiração de um adulto. “Um adulto tem mais ou menos 24 movimentos respiratórios por minuto. Um recém-nascido tem em média 54 movimentos respiratórios por minuto. O bebê trabalha muito mais com o abdômen, já que o trabalho da caixa torácica não está totalmente desenvolvido”, diz Clery Bernardi Gallaci, neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

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... o bebê nascer coberto daquela substância branca?
Sim. Esta substância chama-se vernix caseoso e é importantíssima para fazer a manutenção da barreira protetora da pele logo após o nascimento. “Ela tem um importante poder de impermeabilização durante a vida fetal. Também é muito importante na pele do neonato, por sua ação antibacteriana”, conta Jorge Huberman, pediatra e neonatologista do Hospital Albert Einstein e do Instituto Saúde Plena, em São Paulo.

Após o nascimento, ele continua protegendo a pele. Depois de 24 horas de vida, sua remoção é recomendada para evitar infecções e alergias causadas pela alta umidade.

... o coração dele bater muito rápido?
Sim.
A quantidade de sangue que este pequeno órgão tem de bombear para o corpo é muito grande – e a circulação fetal ainda está em adaptação. De acordo com Teresa Uras Belém, pediatra do Hospital Samaritano, em São Paulo, a frequência cardíaca de um bebê nesta fase varia de 120 a 150 batimentos por minuto.

... a moleira continuar aberta quando ele faz um ano?
Sim.
Geralmente, o fechamento da fontanela, conhecida popularmente como moleira, inicia-se aos 8 meses. Mas ela pode permanecer aberta até quase os dois anos. “É muito importante que ela que ela esteja aberta antes deste período, para que ocorra o crescimento cerebral”, explica Jorge.

... o bebê não mamar nas primeiras 48 horas?
Não.
O bebê deve mamar no primeiro dia. “Se você tiver um parto normal, e o bebê e você estiverem bem acordados, o bebê pode ser amamentado logo após o nascimento", afirma Jorge. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o ideal é que a primeira mamada ocorra na primeira hora após o nascimento. Pesquisas apontam que os bebês nascidos de parto normal mamam pela primeira vez quatro horas depois, enquanto os de cesárea são amamentados cerca de 10 horas após o parto. "Quando a primeira mamada acontece entre o primeiro e o segundo dia de vida do bebê, normalmente não ocorre nenhuma dificuldade física com a amamentação”, completa ele.

... o bebê produzir sons estranhos ao respirar?
Depende.
Ao notar que seu filho está emitindo sons esquisitos, procure um medico para que ele diagnostique o som e ajude a tratá-lo. Existem casos de obstrução nasal (nariz entupido) ou da laringe (laringomalacia) que podem provocar estes sons. Mas não se desespere. “Ao respirar, o bebê, às vezes, pode produzir um som estranho devido à cartilagem envolvida em todo o aparelho do trato do respiratório alto, que ainda pode estar muito amolecida”, explica a médica Clery Gallaci. Ou seja, os barulhos podem não representar nada.

... ele perder o fôlego quando chora?
Depende.
Se o bebê não tem nenhum problema cardiorrespiratório, não há problema – e é mais comum do que se imagina. “Isso acontece mais entre os seis meses e os três anos. Chama-se de ‘tomar o choro’ e não traz consequências mais sérias, desde que as crises não estejam associadas a um distúrbio cardiorrespiratório”, diz Jorge. Procure seu medico para ele examinar o bebê e confirmar isso.

... a pele do bebê descascar?
Sim.
É muito comum haver uma descamação após o parto, principalmente nos pés e mãos. “A pele do recém-nascido pode estar mais ou menos descamativa, de acordo com a idade gestacional do nascimento. Quanto maior a idade gestacional, maior a descamação”, conta Teresa Uras Belém, pediatra do Hospital Samaritano. “Ela é benigna e alguns médicos pediatras orientam medidas de proteção e hidratação com substâncias emolientes”, completa. Você pode usar um creme hidratante mediante orientação médica. Mas a descamação não incomoda nem faz mal ao bebê.

... ele ficar sem fazer cocô?
Por até 3 dias, sim. Mas só até o 4º mês.
Há uma adaptação no intestino do bebê. Ele pode passar até 3 dias sem fazer cocô, desde que no terceiro dia evacue fezes pastosas ou líquidas. Segundo o neonatologista Jorge Huberman, se o cocô do terceiro dia for endurecido, é melhor procurar um médico. Importante: esta regra só vale até meados do 3º ou 4º mês de vida. Com o tempo, estes espaços tendem a ser mais curtos. Com uma alimentação saudável e regular, por volta do 8º ou 9º mês, seu bebê já deve começar a fazer cocô pelo menos uma vez por dia, podendo ser mais firme do que nos primeiros meses de vida e passando daquele tom esverdeado para o marrom.

... o meu leite empedrar?
É comum, mas pode ser evitado.
É normal acontecer um pouco de ingurgitamento, o nome técnico do empedramento, quando se inicia a amamentação. Os seios podem ficar doloridos e “duros” se o bebê não se alimentar bem e com frequência nos primeiros dias após a descida do leite, mas casos mais severos precisam de ajuda médica. O melhor tratamento para os casos comuns é fazer a ordenha entre as mamadas e ter certeza de que o bebê mame em ambos os seios. Jorge recomenda banhos mornos para ajudar o leite a descer, bem como tirar leite debaixo do chuveiro ou usando compressas mornas. Você também pode tentar usar compressas mornas ao amamentar e compressas frias entre as mamadas.

... o bebê ter brotoejas?
É comum, mas elas devem ser tratadas e podem ser evitadas.
A pele do bebê é bem diferente da pele dos adultos. Ela é mais fina - cerca de metade da espessura da pele de um adulto -, tem menos pelos, as glândulas produtoras do suor ainda são imaturas e as células de coloração da pele estão em menor atividade. Por todos esses fatores, a pele da criança é muito sensível ao calor e a luz do sol e precisa ser constantemente protegida. Daí ser muito comum o aparecimento de brotoejas, resultado de um entupimento das glândulas sudoríparas, principalmente no calor. Com o suor obstruído pela brotoeja, cria-se uma inflamação local, causando irritação na pele.

“Por isso o banho deve ser rápido e com sabonete de pH neutro, preferencialmente no umbigo, pescoço, axilas e área das fraldas, regiões onde as bactérias proliferam-se mais facilmente”, sugere o neonatologista Jorge.

... o bebê querer mamar o dia inteiro?
Depende.
O apetite dos bebês é variável. Mas você deve se certificar se ele está sorvendo o leite adequadamente. De forma geral, os bebês devem mamar em intervalos máximos de 4 horas. Cada mamada dura o tempo que ele levar para esvaziar a mama: é um relógio biológico. “A mãe deve observar as trocas de fralda, para ver se a diurese (o xixi) e a evacuação (o cocô) estão normais. Esta é uma boa forma de saber se as mamadas estão suficientes”, recomenda Clery.

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