Gravidez aos 40 é cada vez mais comum

Número de mulheres que se tornaram mães com mais de 40 cresceu 27% nos últimos quarenta anos

Renata Losso | 02/11/2009 08:18

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Foto: Getty Images

Mulheres que optam pela gravidez mais tarde são amparadas pelos avanços médicos

Não há como evitar: o avanço da idade diminui as possibilidades de uma mulher engravidar. É biológico. Enquanto até os 30 anos a chance mensal de gestação é estimada em 20%, após os 40 este número se reduz a 5%, acompanhado do aumento das probabilidades de um aborto espontâneo.

Com o envelhecimento, o corpo passa por transformações naturais e ocorre um consequente declínio da fertilidade. Segundo o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis, em São Paulo, com o passar dos anos os óvulos se tornam menos capazes de serem fecundados por espermatozóides. Há uma série de razões para isso, como condições médicas e mudanças na função ovariana. Também crescem as chances de problemas ginecológicos, como infecções pélvicas e endometriose, que podem diminuir a fertilidade.

Dentre tantos fatores que dificultam a gravidez após os 40 anos, os riscos de modificações genéticas aumentam. “Crianças com Síndrome de Down, que corresponde a alterações cromossômicas, normalmente nasceram de mulheres mais velhas. Esta possibilidade vai se agravando a partir dos 35 anos”, afirma Aléssio.

E as dificuldades aumentam. Segundo o especialista, existem muitos casos nestas condições que evoluem com um quadro de aborto espontâneo, principalmente por culpa de má formação cardíaca do feto.

No entanto, o número de mulheres grávidas depois dos 40 vem aumentando desde a década de 90. Muitas querem ter filho mais tardiamente, quando já estão bem estabelecidas e bem preparadas.

Para elas, se contarem com um acompanhamento médico adequado, tudo é possível. “Para estes casos, o mais importante é procurar um obstetra ou ginecologista antes da concepção, com aproximadamente três meses de antecedência”, diz Aléssio. “Para fazer todos os exames de laboratório (hemogramas, tipagem sanguínea, sorologias, exames de urina) e exames preventivos, para constatar se há ou não problemas como diabetes, hipertensão, problema na tireóide”, completa.

Há, ainda, situações mais delicadas, mas que já possuem o apoio de clínicas de reprodução humana. Por meio de tratamentos como indução da ovulação, fertilização in vitro, doação de óvulos, doação temporária de útero ou até a inseminação artificial, as chances das mulheres que já passaram dos 40 engravidarem aumentam consideravelmente. No último caso, por exemplo, a chance de sucesso é de 30%, dependendo da paciente.

Como a probabilidade do surgimento dos problemas de saúde cresce a partir dos 40 anos, manter a saúde em dia é estritamente necessário. “Quando uma paciente é saudável, faz exercícios físicos sempre, se alimenta bem e não apresenta obesidade, normalmente evolui perfeitamente”, confirma o ginecologista.

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