Por que tantas mulheres n?o falam na cama? Descubra o que esta por tras do habito de submiss?o feminino e saiba como mudar esta situac?o

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"Voces mulheres falam demais": e o que a gente mais ouve da boca dos homens. E, a nossa fama e essa: a de que a gente adora discutir a relac?o, falar o que sente. Mas sera que sempre e assim? Sera que a gente consegue mesmo dizer para o parceiro o que a gente quer, do que a gente gosta... na cama?

Eu sou do tipo que fala. Falo o que quero, posic?o, lugar. Meu marido nem sempre embarca na minha, mas gosta. Muitos parceiros anteriores, porem, se assustavam. A impress?o que dava era que eles pensavam Onde foi que ela aprendeu isso?, diverte-se a jornalista Ana Claudia, de 26 anos.

N?o podemos generalizar, cada pessoa e uma pessoa. Mas e fato que muitas mulheres ainda se sentem presas por aquele ranco de o que sera que ele vai pensar de mim? ? que e muito mais presente para nos, mulheres, do que para eles.

A tradutora Daniela, de 37 anos, e uma dessas mulheres. Eu prefiro usar a linguagem n?o-verbal para demonstrar o que quero, ate agora sempre deu certo. Eu acho que sexo e para fazer, n?o para falar, diz ela. Tenho horror de situac?es ridiculas em que a pessoa quer narrar o que esta acontecendo. Varias vezes isso ja me tirou a concentrac?o. Falar coisas ligadas a sexo na cama tambem pode descambar pra baixaria ? e eu n?o curto. Em resumo, pra mim e broxante.

E os parceiros, o que acham disso? Hoje eu sou casada e meu marido tem um estilo parecido com o meu ? fala na medida. Mas varios ex-namorados ja me pediram pra falar na hora do sexo, e eu n?o consegui. Eu achei brega e foi frustrante, conclui Daniela.

Afeto demais, palavras de menos

Somos seres paradoxais. A maioria de nos prefere se soltar com quem n?o conhecem muito bem, ou seja, quando n?o existe um vinculo afetivo. E assim com Simone, relac?es-publicas de 32 anos. Eu adoro falar besteira na cama. Quando a transa e so uma transa, eu me solto ? e muito: consigo pedir ate sexo anal, que eu adoro. Ja quando o que rola e afeto, eu me inibo. Mas eu gostaria de conseguir ser assim com todo mundo, independentemente do sentimento.

Sera que isso e inibic?o mesmo? Segundo a psicoterapeuta clinica Giselle Lyons, n?o. E mais um embotamento do desejo, consequencia de uma outra situac?o mental/emocional. O que eu observo como terapeuta e que, quando uma mulher tem uma ligac?o afetiva n?o necessariamente intensa, mas dependente, ela fala menos. Na medida em que a mulher e dependente, ela tem muito mais medo ? e o homem em geral tem menos ? de dizer sim, eu gosto, ou n?o, eu n?o gosto, diz Giselle.

Mas medo do que, exatamente? De n?o espelhar o desejo do outro ? porque esta mulher se tornou um espelho. Segundo a psicoterapeuta, tudo o que a sexualidade n?o deve ser e um espelho, sob o risco de o outro existir em voce, em detrimento de voce existir na relac?o. O que sai de voce, como consequencia, como ato ? ate sexual ?, e a imagem do desejo do outro. Dizer sim, eu gosto disso faz parte de ser forte. O que a gente deve entender e que essa quest?o de falar ou n?o falar na cama n?o e causa de nada, e sim consequencia. A medida em que a pessoa se assume como central para si mesma ? e sim, isso requer uma certa dose de egoismo ? e comeca a entender que para ter (e dar) prazer precisa saber o que quer, ela se assume. E em se assumindo, se liberta. Esta e a unica forma de ser capaz de se relacionar, de transar, de casar, de existir, colocando suas impress?es em tudo o que faz, finaliza Giselle.

O amor pode, sim, ser independente

Ana Cristina Canosa, terapeuta sexual e diretora da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana), diz que a quest?o aqui e a contemporaneidade. As mulheres mais jovens tem uma liberdade sexual maior, por n?o terem vivido a epoca de repress?o quando comecaram a transar. A midia tem um papel forte nessa historia: Ha cinco, seis anos a quest?o da abertura sexual comecou a ser muito abordada pelos veiculos de comunicac?o, e quem conseguiu vivenciar isso pode ter conseguido uma maior liberdade de falar na cama, diz Ana.

Mas existe outro fator: o relacionamento fixo. Pegue uma mulher que se casou com vinte e poucos anos. Se ela esta ha dez anos com o mesmo parceiro, mesmo sendo jovem, o que a colocaria automaticamente no grupo de pessoas que fala mais, vai ter uma tendencia a falar menos, porque n?o desenvolveu essa liberdade sexual com outros homens, exemplifica.

Qual e, ent?o, o contraponto sexo-amor? Ana explica: E mais facil eu treinar a sexualidade com quem n?o me conhece, pedir sexo anal para um desconhecido, ir a uma casa de swing com um amigo. Mas no momento em que eu me envolvo afetivamente, vem a preocupac?o de como adequar a autonomia sexual a amorosidade.

O sexo, diz a terapeuta, e intrapessoal, depende apenas da gente mesmo. Ja a energia do amor e interpessoal, depende do outro, requer o outro ? m?e, pai, parceiro. Diante do desconhecido, eu posso ser eu mesma; quando o afeto surge, fica dificil manter a autonomia. Isso vale tanto para o homem quanto para a mulher, mas a mulher desenvolveu mais tardiamente a autonomia sexual ? porque desenvolveu mais a amorosidade ?, ent?o isso fica mais evidente.

A gente n?o aprendeu esse tipo de relac?o amor/autonomia. Antigamente, sempre havia um subjugado, que era a mulher. A nossa referencia emocional e de uma mulher n?o-autonoma: a m?e, a avo. Eu preciso atualizar essa imagem, diz Ana. Se a relac?o sexual afundar na amorosidade, o desejo sexual vai diminuir, e a autonomia n?o vai ter espaco.

A sugest?o da terapeuta para evitar que isso aconteca e simples: tente. Eu sugiro sempre que as pessoas tentem fazer essa atualizac?o, sem muito drama. Tentar, durante o sexo, uma frase. De repente o outro curte. Se n?o curtir, pergunte o porque. De espaco para a conversa, finaliza Ana. Afinal, e disso que estamos falando desde o comeco.


Ana Canosa ? site

Giselle Lyons ? e-mail

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