Heloísa Noronha, autora do divertido ¿Manual da Ex, Manual da Atual¿, dá dicas para lidar com os dois lados da moeda sem precisar descer do salto

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A vida é mesmo imprevisível. Hoje você é a atual, a queridinha do seu parceiro. O problema é que, para ser ex, basta acordar no dia seguinte. Todo mundo já foi ex e toda ex pode voltar ao posto de primeira dama. O difícil é lidar com as dores daquela ex-chicletona que não percebeu que já foi, ou ter que encarnar a barraqueira que, logo no primeiro encontro, se descabela com a dita cuja que já namorou o seu parceiro.

Para mostrar que há luz no fim do túnel, o iG conversou com a jornalista e escritora Heloísa Noronha, autora do divertidíssimo Manual da Ex, Manual da Atual recém-lançado pela Rocco.

O que é pior: ser a ex ou lidar com ela?

Heloísa Noronha: Eu já estive nos dois papéis. O de ex sempre é difícil no começo, porque somos/vivemos/estamos condicionados ao hábito. Então, de repente, não ter mais determinada pessoa ao lado é muito esquisito. O primeiro mês é o pior, mas depois as coisas vão entrando nos eixos. Eu, por exemplo, pude analisar toda a situação de fora e percebi que o que eu achava que era uma coisa, na verdade eram outras: apenas costume, amizade e receio de ficar sozinha.

Depois que coloquei as coisas em perspectiva, tudo melhorou. O pé na bunda que eu levei me chutou para um lugar tão melhor, que, quando o ex quis voltar e me ligou, chorando de arrependimento, eu nem lembrava mais da voz dele (risos)! Estava perdidamente apaixonada por outro, com quem me casei e estou até hoje. Isso foi há dez anos. Lidar com a ex, por outro lado, foi um pouco mais complicado, porque eu optei por não dar o braço a torcer e não admitir que ela me incomodava.

Então, não podia deixar transparecer irritação ou ciúme. Mas, no fim, talvez tenha sido a melhor atitude... Porque tudo o que ela fazia para me incomodar ou tentar atrapalhar, de nada adiantava. Aliás, algumas coisas adiantavam, sim, para fazer a gente rir!

Você inicia o Manual da atual mencionando os 10 erros básicos que todas devem evitar no início de um relacionamento. Qual deles foi o mais difícil para você aprender?

Heloísa Noronha: Permitir que a insegurança se instalasse e ter sangue de barata. Os dois (meu atual marido ¿ na época namorado ¿ e a ex) tinham namorado durante três anos e, embora o relacionamento não estivesse lá uma maravilha e ele não fosse apaixonado por ela, o fato de se conhecerem há muito tempo (desde a época da escola), terem amigos em comum e morarem perto me incomodava bastante. Eu tinha certo receio de que o hábito e o costume o acabassem influenciando. Nada disso, no final das contas, acabou acontecendo.

Já o sangue de barata, hoje, se pudesse voltar ao passado, não teria deixado correr em minhas veias, não. Ela se fazia de amiguinha evoluída para ficar rondando a gente e deixava o carro na garagem da casa dele com a desculpinha de que a dela estava ocupada, só para nos irritar. Eu me arrependo de não ter feito poucas coisas na vida, mas uma delas, com certeza, é de não ter riscado aquela lata velha inteirinha, mesmo tendo que aguentar as consequências (risos)! Brincadeira. Sempre fui muito fina para descer do salto por tão pouco!

Qual a grande escorregada que a atual não pode dar, para não correr o risco de virar ex?

Heloísa Noronha: Eu acho que marcação cerrada em início de namoro espanta qualquer sujeito. Os dois ainda estão se conhecendo e estabelecendo códigos próprios para aquela relação. Uma mulher inteligente consegue fazer isso aos poucos, discretamente, conforme a relação vai amadurecendo. Pegar no pé logo de pronto é pedir para o cara dizer adeus.

Vale a pena a ex insistir em voltar ao posto?

Heloísa Noronha: Se houver espaço para isso, por que não? Se o cara estiver apaixonado por outra, acho roubada. Pode até ser que o novo namoro dele não dê certo, mas tentar reconquistá-lo quando há outra no pedaço não vale a pena, é passar recibo de ridícula. Melhor dar um tempo para descobrir se o romance vai adiante. Mas se a ex sentir que ele ainda está ligado nela, que o namoro terminou por causa de uma briga ou de um mal-entendido, vale a pena lutar, sim.

E o que fazer pra controlar a fúria da ex ferida? Como mandar para o além o fantasma da ex?

Heloísa Noronha: O primeiro passo é entoar o mantra "ele está comigo agora e não com ela!". Ex, como eu digo no livro, é figurinha repetida, múmia do Egito, cortiço cubano... Já foi, passou. É importante tentar não entrar no jogo dela, não tomar as atitudes que ela espera, como gritar, armar barraco, fazer escândalo. Ter uma atitude de lady enfraquece qualquer ex.

Se ela ameaçar a integridade física da atual ou de outras pessoas (filhos, por exemplo), um bom boletim de ocorrência deve sossegá-la. Outra dica que eu dou é prestar muita atenção no comportamento do namorado/noivo/marido. Ele precisa e deve se posicionar em casos extremos, deixando bem claro qual é a sua escolha. Afinal, a ex-exu é herança dele, ele também precisa se mexer para acabar com a confusão. E, por último, é fundamental aceitar que não se apaga o passado de ninguém. Cuide do presente e do futuro ¿ já é muito.


Dá para as duas serem amigas ou isso é conversa pra boi dormir?

Heloísa Noronha: Ah, eu prefiro que o boi durma (risos)! Ironias à parte, se a ex for uma fofa, legal, inteligente, desencanada de tudo em relação ao ex, e a atual for com a cara dela, acho que dá, sim. Se a ex e o namorado/marido têm filhos juntos, cordialidade é fundamental. Ninguém precisa passar as datas comemorativas dividindo a mesma mesa ou casa de praia, mas vivemos em um mundo (mais ou menos) civilizado, em que problemas de adultos, por exemplo, não devem respingar em crianças.

Também acho o fim da picada atual que direciona o ciúme para os filhos do namorado ou marido... Filhos são para sempre, se ela não segura a onda de aceitar isso, nem deveria ter começado a relação com um homem que tem família.

Se a ex voltar ao posto é bom ela não esquecer que...

Heloísa Noronha: ... a relação não vai nem deve ser a mesma de antes. Os dois, juntos, devem se esforçar para aparar as arestas e combater aquilo que prejudicava o relacionamento. Para não repetir o enredo, precisam definir as razões pelas quais romperam e se comprometer a mudar a maneira como são e como encaram o amor. Se ele a deixou por causa de outra e se arrependeu, nada de apelar para desconfianças infundadas, fantasias, ciúme póstumo. Lógico, gato escaldado tem medo de água fria, mas um relacionamento só se (re)constrói à base de confiança e concentração no momento presente.

O que é pior, ex inconformada ou atual ciumenta-possessiva?

Heloísa Noronha: As duas sofrem ¿ e muito ¿ porque não estão focadas no momento presente. A ex inconformada vive presa ao passado, às lembranças, e se esquece de retomar as rédeas da própria vida, de cuidar de si, de evoluir. A atual ciumenta-possessiva, em geral, mora no mundo da fantasia e da projeção, acha que todo mundo quer o seu amado e o sufoca. Ambas sofrem de baixa auto-estima e devem, imediatamente, procurar se gostar mais. Casos extremos necessitam de terapia. Na minha opinião, se continuarem assim o máximo que vão conseguir será dividir o mesmo hospício, sozinhas, porque o sujeito em questão não ficará com uma, nem com outra...

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