Assédio sexual é muito mais comum do que pode-se imaginar. Leitora do Delas desabafa e diz como foi passar por essa situação

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No final do ano passado, estive no Rio para negociar um contrato com um selo nacional, mas por não ter experiência com selos e gravadoras fonográficas, pedi a uma antiga conhecida que me acompanhasse até a mesma para que ela me ajudasse na negociação, até para ver se era viável ou não o negócio.

Esta conhecida é empresária artística de uma já consagrada cantora da MPB. Sempre a tive como uma pessoa de respeito e muito séria, até por ela trabalhar com essa artista há uns quinze anos aproximadamente. Foram dois meses tentando nos encontrarmos no Rio até que ela conseguiu uma folga em sua agenda e me passou um e-mail dizendo o dia em que poderia me encontrar e que faria questão de me acompanhar até o selo em questão.

Nesse dia, a artista exclusiva dela durante uma divulgação no interior de São Paulo, mesmo assim ela viajou ao Rio para irmos à reunião.

Imediatamente, ela perguntou de quanto eu precisava para ir morar no Rio e se eu sabia fazer backing vocal, entre outras perguntas profissionais, respondi a todas de bate-pronto e ela disse então que prontamente eu poderia começar a procurar lugar para morar, pois a partir do dia 10 de janeiro do ano corrente ela já me queria trabalhando como assistente de produção dela.

Em seguida fomos até o selo ver o que eles tinham a dizer, ficamos por lá durante alguns minutos e a assessoria disse para os diretores que em janeiro estaríamos lá para combinarmos o que faríamos.

Saindo do escritório da reunião, fui convidada por ela para fazer um lanche, já estava mesmo na hora e ficamos por um bom tempo lanchando e conversando, ela me disse que me levaria em um programa de TV por intermédio da artista dela e mais tudo que você imaginar que uma pessoa que tem certa influência pode oferecer. Foram muitas horas de conversa, praticamente a tarde inteira.

Na hora de irmos embora, ela perguntou se eu estava de carro, respondi que estava de carona e esta se encontrava no centro da cidade, então ela me ofereceu uma carona até o ponto de táxi e foi aí que o drama começou.

Primeiro ela fez comentários sobre a minha foto que eu havia enviado para ela, depois quis  saber o nome e o valor da diária do Hotel que eu costumava ficar e por ultimo, quando passávamos perto da rua que dá entrada para a casa dela, ela comentou que estava sozinha, sem empregada em casa naquele dia e perguntou se eu gostaria de ficar lá, respondi que não, apesar de estar cansada da viagem, mas estava de carona e que seria melhor eu ir embora naquele mesmo dia.

Retornei para a minha cidade e comecei a procurar apartamento para morar no Rio e a preparar minha mudança. No dia combinado, já com tudo arrumado pra viajar, liguei para saber se ela já havia retornado da viagem, ela disse que sim, mas que não me contrataria e não me deu uma resposta convincente, a partir de então, passou a não atender minhas chamadas telefônicas, cheguei a pedir para que ela repassasse meu CV para conhecidos para eu poder ir para o Rio, ela me respondeu em e-mail que eu fosse com minhas próprias pernas.

Tudo que pode ser feito em termos de falta de respeito ao próximo, essa pessoa fez comigo. Fiquei desesperada no momento, porque eu já havia providenciado tudo para minha mudança de cidade, mas de uma hora para a outra, uma pessoa que foi tão agradável, que se mostrou tão prestativa, faz de conta que nunca te viu.

Me senti humilhada, desrespeitada e tudo de negativo que você possa imaginar, cheguei a ficar bem mal. Eu percebi nas três investidas dela que havia interesse pessoal e que não era só profissional, mas deixei passar, pois ela havia me oferecido tudo que eu mais queria.

Deixei passar pensando que quando chegasse para trabalhar com ela, deixaria as coisas bem claras. Havia um certo medo da minha parte em respondê-la com uma negativa nas investidas dela naquele momento e ela voltar atrás na minha contratação, mas ao mesmo tempo, permaneci quieta e me esquivando o tempo todo.

Hoje, chego a pensar que talvez nenhuma palavra dela tenha sido verdadeira comigo naquele dia em que ela pediu que eu guardasse como um dia especial na minha vida. Penso e a cada minuto que passa me convenço mais, que ela só queria ficar comigo naquele dia e nada mais e por isso inventou toda aquela história para ver se eu caía na conversa, de fato eu caí na conversa do emprego, mas não era isso que ela queria, na verdade ela só queria mesmo era ficar comigo naquele dia.

Não acredito mais que ela quisesse me contratar em momento algum, só que ela saiu de São Paulo para se encontrar comigo no Rio, na expectativa de ficar comigo, hoje isso é muito claro para mim. É ruim lembrar disso, mas a humilhação foi tão grande, que na verdade eu me sinto na obrigação de falar , até como uma forma de desabafo.

Acredito que isso aconteça toda hora, em todos os lugares, em todos os meios de trabalho, mas que é duro e triste, isso é. Não tenho nada contra o fato dela ser gay, ela poderia ser e ter falado comigo que estava interessada e eu daria uma resposta, o que mais me machucou nessa história toda, foi o envolvimento de tantas promessas e mentiras, numa tentativa de que eu tomasse a iniciativa e como não tomei iniciativa e nem respondi a nenhuma de suas investidas.

Foi isso que aconteceu e o que mais me dói foi que eu acreditei em cada palavra proferida por ela, sem tirar e nem por, acho que acreditei até nas vírgulas das frases ditas e que ainda estão em minha memória.

Não sei se isso é normal na vida dela, mas fico pensando que ela tenha feito isso comigo, por eu ser do interior e isso me incomoda ainda mais, porque me faz sentir pequena. É o tipo de pessoa que usa do poder, para conseguir o que quer, mas será até quando esse poder existirá?

O sabor dessa experiência é de pura humilhação, a de uma pessoa que é usada e descartada como copo descartável de festa, mais do que isso, enganada. Me sinto mal com a situação, até por ela ser ainda recente, mas estou tocando a vida: trabalhando, estudando e tentando me levantar novamente.

Mas como diz Caetano Veloso numa canção: 'cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...'

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