Pesquisa acompanhará as crianças desde a barriga da mãe até os 21 anos; objetivo é encontrar explicações para os índices crescentes de nascimentos prematuros, obesidade infantil, câncer, autismo, distúrbios endócrinos e problemas comportamentais

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Após quase uma década de planejamento, pesquisadores americanos iniciarão em janeiro o recrutamento de mulheres grávidas para um projeto ambicioso: o estudo de 100.000 crianças desde o pré-natal até a idade de 21 anos.

O objetivo do estudo, chamado National Childrens Study (Estudo Nacional das Crianças) e financiado pelo governo federal dos Estados Unidos, é compreender melhor os efeitos de uma série de fatores na saúde das crianças.

O que estamos fazendo é bastante audacioso, mas é preciso que seja assim para que possamos responder a questões urgentes, disse o Dr. Peter C. Scheidt, diretor do estudo e pediatra membro da divisão de saúde infantil do National Institutes of Health, uma das agências do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo dos EUA e um dos centros mais avançados de pesquisa médica do mundo.

Investigadores esperam encontram explicações para os índices crescentes de nascimentos prematuros, obesidade infantil, câncer, autismo, distúrbios endócrinos e problemas comportamentais. Com este intuito, serão examinados diversos fatores, como criação, genética, geografia, nutrição, exposição a produtos químicos e poluição.

Embora pouca gente discorde do objetivo deste estudo, alguns especialistas temem que o extenso projeto tire recursos de pesquisas pré-natais e pediátricas, menores e mais especializadas, especialmente em uma época em que os orçamentos tendem a encolher em virtude da crise financeira. O custo anual estimado do projeto é de US$ 110 milhões a US$ 130 milhões, totalizando aproximadamente US$ 2,7 bilhões.

As mães e crianças participantes (os pais serão motivados, mas não serão obrigados a participar) concederão entrevistas e responderão a questionários periodicamente. Também serão solicitadas amostras de sangue, urina e cabelo dos participantes. Amostras do ar, da água e da poeira presentes no ambiente onde vivem também serão coletadas e analisadas.

Nunca foi feito algo do gênero no país, disse um dos principais investigadores do estudo, Dr. Philip J. Landrigan, professor e diretor do departamento de medicina comunitária e preventiva da Mount Sinai School of Medicine, em Manhattan. Já era a hora de fazermos algo assim.

Estudos de proporções e abrangência similares já estão em curso no Reino Unido, Dinamarca e Noruega.

Pesquisa multidisciplinar

Idealizado durante o governo Clinton e autorizado pela emenda constitucional Children's Health Act de 2000, o estudo está sendo liderado por um grupo de órgãos federais. Além dos institutos de saúde, estão envolvidos no projeto o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças, a Agência de Proteção Ambiental e o Departamento de Educação.

Desde 2000, mais de 2.400 profissionais das áreas de saúde, meio ambiente e tecnologia vêm participando de fóruns de discussões durante centenas de horas para definir os detalhes do projeto, como a metodologia de amostragem, coleta de dados e proteção à privacidade.
Para que o estudo tenha uma mistura representativa de características raciais, étnicas, religiosas, sociais, culturais e geográficas, os participantes serão escolhidos em 105 distritos do território americano. Quarenta centros regionais irão gerenciar o estudo ¿ em sua maioria instituições médicas de renome, como a Mount Sinai, a Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte e o Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, em Houston.

Mas vale a pena?

Dr. Russ Hauser, professor de epidemiologia ambiental e ocupacional da Faculdade de Saúde Pública de Harvard e membro do comitê da Academia Nacional de Ciências que analisou o projeto da pesquisa, afirmou que o estudo "valeria a pena e seria possível" desde que financiado adequadamente.

Porém, outros especialistas questionaram se o custo compensaria. "A questão não é se os objetivos podem ser alcançados", disse Dr. Arthur Reingold, professor de epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Califórnia, em Berkeley. "A questão é: será essa a melhor maneira de utilizar quase US$ 3 bilhões, especialmente quando o projeto inevitavelmente irá se apropriar de fundos de outras pesquisas, ainda mais com a economia se desintegrando?".

Pesquisadores envolvidos no estudo se opõem a esta idéia, alegando que o projeto irá pagar mais do que o próprio custo ao levar pesquisadores às causas ou fatores que contribuem para tantos distúrbios infantis. Landrigan disse que um "ensaio geral" do estudo, iniciado em 2001 com 1.500 participantes selecionados em Nova York e na Califórnia, já mostrou que mulheres grávidas expostas aos organofosforados presentes em pesticidas tiveram mais tendência a dar à luz a bebês com cérebros menores e cognição afetada.

Outra preocupação é que o comitê consultivo do estudo ¿ que está selecionando as exposições químicas a serem estudadas ¿ inclui cientistas da 3M e da Pfizer, que têm conflitos de interesses aparentes.

Entretanto, Richard Wiles, diretor executivo da organização sem fins lucrativos Environmental Working Group, afirmou que o comitê formado por 33 membros só conta com dois cientistas das empresas mencionadas.

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