Saiba por que você funciona melhor em determinados momentos do dia e aprenda a usar essas informações a seu favor

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Tem gente que pula animada da cama, cantarola enquanto faz o café e já corre ao telefone para bater papo. Mas também tem a turma do mau humor logo cedo: nada de conversas, nada de barulho e a cara sempre fechada até passar das dez. Essa diferença de disposição não tem relação apenas com o despertador que toca insanamente toda manhã. É o tal do relógio biológico.

De acordo com a Cronobiologia (do grego, chronos = tempo), ciência que estuda os ritmos biológicos do nosso organismo, todos os seres vivos possuem um reloginho interno que determina o seu ritmo biológico.

O professor Edson Delattre, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, explica que um dos aspectos do relógio biológico é o cronotipo, que é herdado geneticamente. Existem três tipos:

- Matutinos Típicos (Cotovia): já apresentam disposição para atividades físicas nas primeiras horas, após acordarem, no início da manhã. Entretanto, seu desempenho nas atividades motoras é maximizado no início da tarde. Correspondem de 10 a 12% das populações.

- Vespertinos Típicos (Coruja): o melhor desempenho físico acontece na primeira metade da noite. Correspondem de 8 a 10% das populações.

- Indiferentes : entre as 15h e as 18h é que acontece o pico de desempenho físico. E é no final da manhã, entre 10h e 12h, que os estados de vigília e alerta estão no máximo. Correspondem a 80% das populações.

Regule os seus horários

Dependendo de qual é o seu cronotipo, há horários melhores para exercícios físicos, atividade intelectual e até para a inspiração. Para os indiferentes, por exemplo, em teste que exigia um componente motor importante (tiro ao alvo, apertar parafusos, força física), os resultados apontaram que os valores máximos de desempenho tendem a concentrarem-se no final da tarde. Se for escrever um poema ou se dedicar a um romance, o melhor momento é no final da manhã.

De acordo com Delattre, você pode descobrir o seu cronotipo medindo a temperatura sublingual, a cada 3 horas, durante a vigília, ao longo de um mês. Faça uma média da temperatura em cada horário, trace uma curva e verifique a hora do pico. O matutino típico (cotovia) tem pico no início da tarde. O vespertino típico (coruja) no final da primeira metade da noite e os indiferentes entre o final da tarde e o início da noite.

Não se esqueça que os ritmos são alguns dos milhares de fatores que influenciam as atividades humanas: alimentação, febre, estresse, atividades físicas, viagens, doenças. Para que os efeitos dos ritmos se tornem evidentes, os outros fatores precisam ser controlados e fixados. Costumo dizer que vivemos no mundo real, não no mundo cronobiológico dos laboratórios de pesquisa, onde os ritmos podem se manifestar de forma limpa, descontaminada das miríades de interferentes, alerta o especialista. Por isso, descubra seu ritmo, mas lembre-se que a rotina não deixa de contar com outras coisas.

E o soninho pós almoço?

Toda vez que você levanta da mesa, já bate aquela vontade enorme de deitar numa rede e tirar um cochilo? É tudo culpa do relógio biológico. Temos um ritmo ultradiano do ciclo vigília-sono, com período de 1,5 a 2 horas. Isto significa que, a cada 1,5 a 2 horas, sentimos uma onda especialmente forte de sonolência. O sono após o almoço ocorre com ou sem a ingestão de alimentos, explica o professor.

Mas, dependendo do que você comeu (uma saladinha ou uma feijoada), essa sonolência pode ser intensificada. Uma refeição gordurosa pode aumentar a queda na disposição e no desempenho, porque a gordura estimula a liberação de colecistoquinina (CCK), um hormônio da saciedade, que provoca sedação, afirma o especialista.

Por isso que a sesta é importantíssima e ajuda no rendimento pós-almoço. Em países como Espanha, México e Paraguai, ela é adotada por várias empresas e traz excelente resultados: aumento de produtividade e redução de acidentes. Hora de exigir uma horinha a mais na sua pausa para o almoço!

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