Lideranças muçulmanas acreditam que o artefato, vendido online por uma sex shop, pode levar o país à "ruína moral"

Estudantes egípcias usam o niqab no caminho
para a escola, no Cairo
AP
Estudantes egípcias usam o niqab no caminho para a escola, no Cairo
Há séculos, quando Maomé iniciou a propagação de suas crenças que atualmente estão estabelecidas como preceitos do Islamismo, seguramente não imaginava o que viria a surgir. E tampouco que um de seus seguidores, o sheik Sayed Askar – membro do conservador comitê da Muslim Brotherhood (Irmandade Islâmica) – ao saber da existência de um kit virgindade à venda na internet, resolveria proibir a invenção.

Próprio para mulheres que querem, por alguma razão, simular a virgindade já perdida, o kit contém um “hímen artificial” – na verdade, um invólucro antialérgico que libera sangue de mentira depois de ser inserido na vagina. Criação japonesa, pode ser encontrado na sex shop virtual gigimo.com e está prestes a ter sua utilização proibida às mulheres egípcias.

O kit – que já dobrou de preço desde o seu surgimento e hoje sai por volta de 30 dólares – está sendo vetado pelas autoridades do Egito. Conforme declarado pelo jurista egípcio Abdel Moati Bayoumi ao site Salon.com, ele “encoraja relações sexuais ilícitas e sua exportação deveria ser absolutamente proibida. Quem quer que faça isso, deverá ser punido”.

O sheik Sayed Askar afirmou à agência de notícias Associated Press que a venda do hímen artificial “fará com que as mulheres egípcias caiam em tentação com maior facilidade”.

O lado delas
Já para as mulheres que vivem em uma terra onde estão sujeitas à prova da virgindade na noite nupcial, a resposta ao produto não é a mesma. A egípcia Marwa Rakwa, ativista pelos direitos das mulheres, é uma prova disso: “O hímen artificial é para jogar na cara de todos os homens hipócritas”, afirma ela em resposta à cultura muçulmana, que condena a mulher que perder a virgindade antes do casamento até mesmo com a morte por apedrejamento.

No entanto, é preciso lembrar que o rompimento do hímen nem sempre é causado pela atividade sexual e, mesmo quando o é, pode não haver sangue algum. Ou seja, é impossível ter a segurança da virgindade de uma mulher ou a falta dela, mas os conceitos muçulmanos mantêm este princípio.

Segundo Heba Kotb, apresentadora de um talk-show sobre sexo e muçulmana, muitas mulheres islâmicas buscam, em segredo, realizar a cara cirurgia que costura o hímen rompido por medo de serem punidas.

Enquanto a sex-shop virtual gigimo.com dá as instruções de como utilizar o aparato sem nenhum problema, parte da cultura muçulmana se divide. Segundo informou a Fox News, um leitor do jornal egípcio Al-Youm Al-Sabie já chegou a comentar no site do veículo a seguinte frase: “Se esta coisa entrar no Egito, o país irá a caminho do declínio”. É provável que ele nunca tenha se deparado com a necessidade de comprovar a virgindade.

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