Enquanto algumas m?es confiam nas vacinas, outras s?o contra a imunizac?o de seus filhos. Como essa decis?o pode interferir na vida das criancas?

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Em 1973, o Ministerio da Saude brasileiro colocou em pratica o Programa Nacional de Imunizac?es, que distribui gratuitamente vacinas para criancas e adolescentes. Hoje, as campanhas atingem a grande maioria da populac?o e s?o responsaveis pela reduc?o do numero de casos de doencas como a paralisia infantil e a coqueluche .

Apesar dos beneficios promulgados pelo governo e do apoio quase que completo dos medicos, existem m?es que decidem n?o seguir nesta direc?o e optam por n?o imunizar seus filhos. Meu filho n?o tomou todas as vacinas porque n?o gosto da ideia de vacinar por obrigatoriedade e em massa, diz Aurea Gil, m?e de Samuel. Acho que cada crianca tem uma realidade de vida e a necessidade ou n?o de cada vacina precisa ser avaliada individualmente , completa Aurea, que escreve no blog Mamiferas .

Kalu Goncalves, que tambem escreve no blog, compara o principio das vacinas ao dos agrotoxicos . Na agricultura tradicional, voce joga fertilizante para que a planta cresca mais e fique isenta de ataques. Na agricultura ecologica, voce deve fortalecer a planta para que ela esteja em harmonia com o meio.

Kalu explica que vacinou Miguel, seu filho de 2 anos, porque n?o tinha as informac?es necessarias na epoca. Dentro desta mentalidade de que a doenca e o desequilibrio de um individuo, sou a favor da n?o-vacinac?o e, se tiver um proximo filho, n?o o vacinarei.

De acordo com o infectologista Marco Aurelio Palazzi Safadi, do Hospital S?o Luiz (SP), as m?es devem estar cientes dos riscos que seus filhos n?o-vacinados correm. Elas acreditam que e importante que eles desenvolvam as infecc?es , mas mesmo as doencas que s?o na maioria das vezes benignas, como a catapora, podem tomar vers?es mais graves , diz.

O medico ainda lembra que existem vacinas fora do calendario oficial que podem prevenir enfermidades mais perigosas, como a meningite . A unica maneira de proteger realmente e essa, ja que e impossivel impedir que a crianca entre em contato com as doencas, completa.

Vacinac?o traz riscos?

Outro argumento da corrente que n?o aposta na vacinac?o esta nos possiveis efeitos colaterais . Como as vacinas s?o produzidas a partir dos agentes causadores das doencas, muitas m?es temem que a imunizac?o possa comprometer a saude dos seus filhos.

A tradutora Renata Penna tem dois filhos e n?o desconsidera os perigos da vacinac?o. Depois de muito se informar , voce pode concluir que o beneficio supera o risco. E a sua opc?o. Mas dai a dizer que vacinas s?o a oitava maravilha do mundo e que quanto mais, melhor, e outra historia, diz Renata, que esta gravida e e a terceira autora do Mamiferas .

"N?o existe produto sem isenc?o de risco", explica o infectologista Marco Aurelio Palazzi Safadi, que da como exemplo a vacina contra poliomelite, conhecida popularmente como paralisia infantil . "Um em cada dois milh?es de imunizados podem ter sequelas e desenvolver a paralisia. Apesar disso, a vacinac?o protege milh?es de criancas todos os anos.

Imunidade indireta

A educadora Eliane Chagas da Silva decidiu seguir o calendario de vacinac?o do Ministerio da Saude pensando n?o so no seu filho, que tem 1 ano e meio. "Converso com nosso pediatra sobre o assunto e sei que, ao vacinar o Caetano, estou protegendo o coletivo e n?o necessariamente meu filho", explica.

A m?e, no entanto, considera algumas vacinas desnecessarias . Catapora e sarampo, por exemplo, s?o doencas infantis benignas que fortalecem o sistema imunologico e quero que meu filho passe por elas como passei, diz.

O infectologista Marco Aurelio Palazzi Safadi ressalta que a alta cobertura da campanha de vacinac?o beneficia mesmo as criancas que n?o s?o imunizadas. Como a grande maioria da populac?o acaba optando pela vacina, cria-se uma imunidade indireta . Assim, mesmo quem n?o foi vacinado tambem esta protegido, explica.

Direito a informac?o

As m?es que deixaram de imunizar os filhos destacam um fator essencial nessa decis?o: o acesso a informac?o . Eu acredito na escolha consciente de cada familia. Seja qual for a escolha, que seja feita com informac?o e consciencia dos riscos e beneficios , afirma Aurea Gil, do blog Mamiferas .

Eliana, m?e de Caetano, concorda. Defendo que as informac?es sobre vacinac?o sejam compartilhadas e abertas , mas a decis?o cabe a cada um, assim como a responsabilidade pela mesma, diz. Ela, que seguiu o calendario de imunizac?es oficial, diz que n?o deixaria seu filho tomar a vacina contra o rotavirus hoje em dia. Ele sofreu muito e desnecessariamente, mas na epoca eu n?o tinha argumentac?o suficiente.

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