Ilma Paixão estava decepcionada com o Brasil quando resolveu deixar o país em 1984.

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Não era apenas a crise econômica que assolava o país que a incomodava, mas a falta de oportunidades para "mulheres e, principalmente, mulheres de cor", disse.

"Eu entro naquele quadro mulata do Sargentelli. Tenho um corpo mais moldado, sou alegre, comunicativa, simpática com as pessoas e, no Brasil, se você tem essas características, essa passa a ser a sua única característica", disse Ilma à BBC Brasil.

"Pra mim foi revoltante, vi muita coisa e notei que, por mais capacidade que eu tivesse, seria muito difícil chegar onde meu idealismo pensava que uma mulher como eu pudesse chegar", contou.

Ela desembarcou em Miami e, de lá, seguiu para Boston. Quando chegou à cidade, não falava nenhuma palavra em inglês e foi dormir em uma quitinete com outras nove pessoas.

Quando os filhos já estavam um pouco maiores, ela começou a trabalhar como doméstica. "Tinha um patrão brasileiro que me dava o jornal New York Times e as revistas New Yorker e Forbes para ler e eu fui me interessando. Sempre que dava, fazia cursos profissionalizantes, buscava cursos gratuitos e fui me especializando", conta Ilma.

Foi o projeto Handeiras, criado por ela em 2003, com o intuito de capacitar rendeiras brasileiras da comunidade indígena de Xukurus, que lhe rendeu o título de professora associada no Centre for Reflective Community Practice do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês), que trabalha com desenvolvimento econômico para comunidades e inovações comunitárias.

O projeto de capacitação também chamou a atenção do departamento de Língua Portuguesa da Harvard e do grupo de agentes culturais da universidade, onde Ilma foi convidada a trabalhar como pesquisadora para implementar o modelo na comunidade brasileira da cidade de Framingham, em Boston.

Leia a íntegra da matéria na BBC Brasil .

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