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Viver viajando a trabalho não é para qualquer um

Emprego dos sonhos? Nem sempre. Entre outras coisas, o candidato tem que gostar da falta de rotina e saber lidar com a saudade

Danielle Nordi, iG São Paulo | 17/10/2011 06:22

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Foto: Arquivo pessoal Ampliar

A brasileira Janete passa 45 dias trabalhando em Angola e 15 dias em casa, na África do Sul

Quem nunca se deixou levar pela crença de que viver viajando pelo mundo seria o verdadeiro emprego dos sonhos? Claro que conhecer novos lugares, não ter rotina e se hospedar em bons hotéis são atrativos poderosos. Mas não é só disso que se faz uma viagem de negócios. Mesmo que possa parecer estranho, quem vive viajando em razão do seu emprego enfrenta dificuldades.

“A viagem nada mais é do que a expansão geográfica das atividades do profissional”, observa a headhunter e coach Fabiana Santiago. Ela lembra que a função fascina e, por isso, talvez seja complicado para as pessoas que não se encontram nessa posição enxergar que trabalho é diferente de turismo. “Eu viajo bastante a trabalho e não é igual a passar férias em um lugar. Você fica várias horas no avião e no aeroporto. Às vezes, nem sequer sai do hotel”, conta.

Veja também:
- Americanos são "mais legais" e brasileiros ficam em segundo lugar
- Por que gastamos mais dinheiro do que temos?

Perfil ideal
Homens solteiros. Eles levam vantagem na corrida por uma vaga que exija muitas viagens. “Nem sempre essa posição é explícita por parte da empresa, mas esse tipo de trabalho para mulheres com filhos pequenos fica realmente mais complicado”, admite Fabiana. A rotina e os cuidados com as crianças exigem que a mulher tenha uma disponibilidade maior para estar perto da família. “Claro que os homens também podem cuidar da família. Mas não há como negar que ainda é uma tarefa bastante feminina.”

“Quando a mulher é casada não é tão problemático. Só quando resolve ter filhos a situação muda um pouco. Normalmente vemos mais homens com funções que exigem ficar um tempo ausente de casa”, afirma a headhunter da Michel Page Karina Pinho. Contrariando a maioria, a gerente de contas Luciana Kuzuhara, 35, que tem uma filha de dez meses, passa a maior parte do seu tempo viajando. Ela viaja frequentemente para resorts no Brasil todo e faz algumas viagens internacionais por ano. "Faço minha agenda e procuro passar uma semana viajando e a outra em São Paulo." A gerente admite que é preciso muito jogo de cintura para a vida pessoal não atrapalhar a carreira.

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“Confesso que na semana anterior a uma viagem fico triste por deixar a minha filha que é tão nova. Mas quando saio para trabalhar eu ‘desligo’ o botão de mãe e penso na minha carreira. Quem cuida da minha filha quando estou ausente é minha mãe. Isso me ajuda muito a ficar mais tranquila”, afirma Luciana que precisou contratar uma pessoa para ajudá-la com as tarefas domésticas. “Quando eu não tinha ninguém para essa função passava finais de semana cuidando da casa. Simplesmente não dava mais para fazer isso.” Apesar da saudade da filha e do marido, ela gosta bastante do seu esquema de trabalho. “É muito gratificante. Além de conhecer muitos lugares legais, isso me possibilitou crescer profissionalmente.”

O arquiteto de sistemas Lex Blagus, 32, considera que a tecnologia é uma aliada poderosa na hora da saudade. “Tenho uma filha e moro com minha namorada. Quando eu viajo podemos passar horas conversando pelo computador. Acho que o importante é que os momentos que passamos juntos são relevantes e com significado.” Lex confessa que a possibilidade de viajar com frequência foi fator decisivo para aceitar seu emprego atual. “Viajar a trabalho não é a mesma coisa que ir a passeio, mas ainda assim é viagem. Eu adoro. Ficar em casa muito tempo cansa e no mesmo escritório também.”

Gostar da falta de rotina, aliás, é condição importante para quem não tem uma base fixa no trabalho. “Quem tem esse tipo de emprego tem que gostar de desafios e não pode se apegar muito à rotina”, afirma Fabiana. “A pessoa deve ter muita flexibilidade de horário e ser bem resolvida na vida familiar para que isso não reflita no campo profissional. Também precisa ser capaz de se adaptar a novas culturas com facilidade”, completa.

Benefícios e desvantagens
As vantagens desse tipo de emprego são bastante tentadoras. Afinal, o apelo de ser pago para conhecer novos lugares e, muitas vezes, ótimos hotéis fazem muitos olhos brilharem. Mas além desse benefício já bastante alardeado existem outros não tão óbvios.

“O profissional normalmente tem uma remuneração melhor porque viajar é um diferencial. Isso conta muito para sua experiência. Vários executivos, por exemplo, colocam suas viagens mais significativas no currículo”, explica Fabiana Santiago. A headhunter Karina completa: “O funcionário fica bastante exposto na empresa. A possibilidade de conhecer boas práticas profissionais em diferentes locais também é um ponto positivo. Além da rede de contatos se tornar bem ampla.”

A geóloga Janete de Bona, 32, mora em Johanesburgo, na África do Sul, e passa 45 dias trabalhando em outro país seguidos por 15 dias de folga em casa. “Quando aceitei o emprego gostei da ideia de ter que viajar porque um trabalho no exterior se torna um diferencial na nossa vida profissional.” Apesar de reconhecer os benefícios, ela sabe que as desvantagens existem. “Privar-se do convívio com a família e não ter uma rotina definida são as maiores dificuldades.”

Continue lendo:
- Como favorecer o trabalho em casa
- 10 comportamentos insuportáveis no trabalho

Foto: Arquivo pessoal Ampliar

“Sempre chego muito cansado de tanta viagem e quilômetros rodados”, diz Dani Genz Uszacki que trabalha viajando pelo Rio Grande do Sul

“É complicado fazer cursos de especialização ou idiomas, por exemplo. Tudo que exija uma periodicidade definida é mais difícil. Além disso, por estar sempre longe fisicamente da empresa, o funcionário pode acabar sendo um pouco esquecido”, analisa Karina.

Além disso, o cansaço físico acaba aparecendo depois de um tempo. “Quem viaja por 10, 12 anos fica cansado. Alguns, mesmo com o desgaste físico, gostam e continuam assim a vida toda. Outros preferem acalmar um pouco. Depende do perfil de cada pessoa”, diz Fabiana.

“Sempre chego muito cansado de tanta viagem e quilômetros rodados”, conta o também geólogo , 31, que trabalha para o Departamento de Estradas e Rodagem do Rio Grande do Sul. Ele, que viaja sempre dentro do estado, conta que apenas no mês de setembro deste ano visitou mais de 15 municípios e, pelo menos, 20 rodovias diferentes. “Confesso que gosto de ter rotina e tento mantê-la, sempre que possível.”

Dani expõe que existem dificuldades burocráticas para quem viaja muito. “Depois das viagens, temos muitos relatórios para preencher. Também é difícil ter que resolver algo em uma repartição pública, por exemplo.” Para o geólogo, o grande benefício é fazer novas amizades. “Isso é muito gratificante.”

Para os que desejam viver viajando a negócios, Karina dá um conselho: “O que importa é estar bem informado sobre as condições do trabalho e sobre tudo que você ganhará e terá que abrir mão se aceitar uma vaga que exija viagens constantes.”

Leia ainda:

- Mulheres bonitas são discriminadas em entrevistas de emprego
- A beleza foi perdoada?
 


 

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6 Comentários |

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  • igor alex | 18/10/2011 12:52

    Gostaria de receber informação de empresas que contratem pessoas para viajar para qualquer lugar do pais e do mundo tenho a disponibilidade para esta função ,se souberen mande mensagens para meu e-,mail tenho conhecimento na linga inglesa e espanhola, tenho desponibilidade

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  • João K | 18/10/2011 08:46

    Quando estava solteiro, me sentia em casa em qualquer país que chegasse.\nCasei e fui viajar dois meses depois, aí ficou difícil, mas, eu tinha de sustentar minha família.\nFiquei até 14 meses fora do Brasil, estive na revolução do Irã e na guerra do golfo, quando \nnão existiam as facilidades de hoje para comunicação com a família. Viajei por 16 anos.\nNão estive presente no nascimento de meus filhos nem na morte de meus pais.\nMesmo assim ainda acho que valeu a pena. Estou mais preparado para enfrentar o futuro.\nNão desista.

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  • marcinha | 17/10/2011 18:09

    Eu deixei de viajar, confesso que gosto , pelo fato de fazer novas amizades que é muito gratificante, mas,é cansativo e estressante,faz um ano que não viajo e ja estou com muita saudade.Aprendi muitas coisas boas onde andei, conheci pessoas legais, e tambens alguns que não são nada simpaticos, mas faz parte da vida,a gente aprende que nem tudo é um mar de rosas, rsrsrs.

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  • toni | 17/10/2011 14:16

    Trabalhei como supervisor regional de vendas para uma industria de SP e minha rotina era 01 semana no RJ onde moro e 3 semanas visitando representantes de vendas da indústria nas regiões sudeste e nordeste. Passava 02 dias num estado e já tinha que me deslocar para outro e assim sucessivamente. Ficava horas em aeroportos, hotéis e avião. Tinha voo marcado as vezes para as 5:30 da manhã. Minha família acabou não se acostumando e me desliguei da empresa. Sempre ficava muito cansado das viagens e não tinha tempo pra botar minha vida e minha casa em ordem.

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  • André | 17/10/2011 11:23

    Olá,\n\nGostei bastante da matéria mencionada acima.Trabalhei viajando por quase 9 anos onde conheci diversos países na europa e américa latina onde no início foi realmente fascinante cultural e profissionalmente.\nContudo o tempo passou e comecei a enxergar que eu estava "vivendo para trabalhar",sendo que o correto na minha opinião é "trabalhar para viver" pois estava acumulando duas funções na área técnica e comercial da empresa em que trabalhava.\nRecomendo essa rotina por no máximo 5 anos pois além disso começamos a perder profissionalmente(você não se especializa mais porque não há a possibilidade de estudar) e fisicamente(esportes normalmente demandam rotina e com o tempo perdemos nossa saúde,além de sofrer com a ansiedade).Comecei a ver alguns colegas se especializarem mais que eu com o tempo e agora vejo que pelo menos no papel estou atrasado em termos de especializações, apesar do ganho com línguas estrangeiras.\nO convívio familiar se torna escasso e a convivência com a família ruim(esse tempo com filhos pequenos é impossível de se recuperar).\nFique atento, quando a sua frequência de viagens chegar próxima de 100% é hora de repensar a sua carreira profissional(procure um emprego sem viajar ou uma empresa que necessite de uma demanda de no máximo 50% do tempo viajando).\nHoje aos 32 anos estou feliz com a minha decisão de largar um emprego que pode ser um sonho para a maioria das pessoas,mas se que pode se tornar um pesadelo caso o profissional não consiga se impor com o tempo.\n\nAndré Moura\n

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  • mamae | 17/10/2011 10:19

    Olha sóoo.......acho que vc vai curtir ser geólogo!

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