Três anos após o estabelecimento do dia da não violência, mulheres continuam enfrentando o problema dentro de casa

Estabelecido pela ONU em 2007, em homenagem ao líder pacifista Mahatma Gandhi, 30 de janeiro foi o dia da não violência. Foi nesta data, em 1948, que Gandhi foi assassinado, após pregar a resistência pacífica à dominação da Índia pela Inglaterra.

62 anos depois, as mulheres observam a violência persistir em vários âmbitos - inclusive dentro de casa. Foi o caso de Maria Islaine Morais, cabeleireira de 31 anos, que foi assassinada pelo ex-marido Fabio Willian Soares, de 30, em frente às câmeras de segurança de um salão de beleza em Minas Gerais .

Medo

Apesar de conhecerem a Lei Maria da Penha, sancionada há mais de 3 anos, as mulheres ainda hesitam em denunciar o agressor. Segundo uma pesquisa de opinião pública realizada pelo Senado, 83% das mulheres conhecem ou já ouviram falar da lei. Apesar disso, somente 4% das entrevistadas acreditam que a vítima denuncia o agressor.

A própria pesquisa responde a esta aparente contradição. De acordo com 78% das entrevistadas, o "medo do agressor" é o motivo para a omissão. Opções como "vergonha", "punição branda" e "não garantir o próprio sustento" atingiram menos que 10%.

Segundo relatório de 2007 do DataSenado, no Brasil, 15 a cada 100 mulheres vivem ou já viveram algum tipo de violência no ambiente familiar. E o cenário piorou: ano passado, 19% das 827 entrevistadas revelaram que já sofreram agressões. Em 2007 o índice era de 15% e, em 2005, de 17%.

Para Sérgio Braga, diretor do curso de Direito da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), esse resultado demonstra a dificuldade da sociedade e do Estado brasileiro em lidar com questões ainda muito ligadas à esfera privada. “A educação é a melhor solução. É preciso que a sociedade civil se organize e desenvolva não apenas campanhas, mas ações efetivas que atinjam todos os estratos sociais, pois a violência contra a mulher não atinge somente as classes mais baixas”, diz.

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