Marília e Eduardo tinham os planos mais tradicionais de vida a dois. Mas foi tudo diferente

O plano não era nada inovador. Festa de casamento planejada com dois anos de antecedência em estilo tradicional, depois um apartamento comprado na planta, já prevendo um quarto para o bebê e seu irmãozinho, que um dia chegariam – de preferência, um menino e uma menina. Viverem juntos até a velhice, essa era a ideia, e entenderem quando os personagens de filmes americanos, que sonham com gramados no quintal e cerquinhas brancas. A festa saiu. O resto só saiu do script.

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“A gente estava casado há apenas seis meses quando o Eduardo recebeu uma proposta de emprego inacreditável”, conta Marília Gomes Santos, 32. Salário muito maior, plano de carreira promissor, benefícios que pareciam mimos. Só que a vaga era em Belo Horizonte, e eles moravam em Curitiba. “Estava recém-casada, ainda em clima de lua-de-mel, arrumando minha casinha e sonhando com o futuro”. A administradora conta que sua primeira idéia foi deixar o próprio emprego e acompanhar o marido. Ele respirou aliviado. Até que ela resolveu contar a novidade para a mãe.

“Minha mãe até tentou esconder, mas ficou um pouco preocupada. Pressionei e tivemos uma conversa franca. Eu, no auge da felicidade conjugal, esqueci que trabalhava desde os 15 anos, que até o momento antes da promoção ganhava mais que meu marido, que tinha ambições antes de conhecê-lo. E que ele não estava me pedindo para abrir mão de quem eu era, estava só trazendo uma nova situação para lidarmos juntos. Tratei como obrigação minha algo que não era”, lembra. “Para piorar, minha mãe lembrou que ela era professora antes de se casar, e depois se tornou dona de casa. Que é uma ocupação que nós duas admiramos muito, mas que não foi a que escolhemos. E confessou, pela primeira vez, que gostaria de ter feito diferente”.

Difícil foi contar para Eduardo que ela tinha um plano B. “Não vou mentir, não gostei nada da idéia. Brigamos. Hoje sei que fui egoísta, mas quem reagiria de outra forma ao ouvir que a mulher com quem acabou de se casar para ficar junto na saúde e na doença não quer ficar junto nem na distância?”, confessa. “Depois entendi que era exatamente o contrário: que ela estava topando ficar longe exatamente para o casamento dar certo”.

Os dois resolveram tentar. Criaram regras de comportamento e esquemas para matar a saudade. Muita webcam, confiança e honestidade. Tem funcionado. Marília e Eduardo vivem em Estados separados há três anos. Nunca passaram mais de dez dias sem se verem. “O dia do encontro vai chegando e eu vou ficando ansiosa. Consigo estar sempre linda e descansada para ele, e ele sempre cheiroso e gentil para mim. Tenho até medo de como vai ser quando morarmos juntos mesmo”, ri.

Marília e Eduardo comemoram o fato de ela não ter desistido de sua carreira para acompanhá-lo. De lá para cá, ela também foi promovida. Eles conseguem guardar mais dinheiro e viajar mais para se verem. Mas os planos estão perto de mudar de novo.

“Tem sido maravilhoso até aqui. Mas agora nós dois recebemos uma promoção inacreditável: viramos pais”, conta ela, grávida de quatro meses. Ela vai continuar onde está até a licença-maternidade. Depois, ele volta para Curitiba. Conseguiu uma transferência. Só falta a casa de cerquinha branca.

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