Foi demitido por justa causa? Namoro no escritório não deu certo? Saiba como lidar com questões delicadas na busca por nova vaga

Fernanda Cardoso, ex-BBB, afirma que ter participado do reality show não a atrapalhou em sua carreira como dentista
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Fernanda Cardoso, ex-BBB, afirma que ter participado do reality show não a atrapalhou em sua carreira como dentista
Ninguém está livre de cometer deslizes, mas alguns podem interferir na vida profissional de quem os cometeu. Participar de um reality show ou uma discussão mais acalorada com o chefe pode não significar desemprego eterno, mas será preciso aprender a encarar o que aconteceu no seu passado para que isso afete o menos possível o seu futuro profissional. Às vezes, é possível até reverter o jogo e fazer o que antes era uma preocupação virar um trunfo.

“O erro ou outras atitudes que não sejam erradas, mas dêem margem para questionamentos, fazem parte da vida de todos. Se não for grave, não deve atrapalhar muito na procura de um novo emprego. O que todo mundo precisa entender é que, em algum momento, o que aconteceu certamente virá à tona e melhor que seja através do candidato”, adverte a consultora de carreira da Career Center Marisa da Silva.

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Exposição
Há quem evite até sites de relacionamentos pessoais por medo de expor demais a própria vida e ter problemas na vida profissional futura. Imagine então participar de um reality show como o Big Brother Brasil. Mas isso não foi obstáculo para a dentista Fernanda Cardoso, que participou da décima edição do programa. “Eu precisava de dinheiro para montar meu consultório. Vi no BBB uma oportunidade”, afirma a paulista, que ficou em segundo lugar.

“Há dois meses inaugurei meu novo consultório. Claro que o começo é difícil. Mas eu soube conduzir o que aconteceu de forma que não prejudicasse minha carreira. Não posei nua, por exemplo. Acho que seria estranho”, afirma.

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Justa causa
Transformar algo fora da normalidade em benefício para sua carreira, como fez Fernanda, nem sempre é fácil. Cada complicador é visto de uma forma diferente no mundo corporativo. Algumas situações são mais difíceis de serem contornadas, segundo especialistas. A demissão por justa causa é uma delas. “O próprio nome já causa muito impacto e fala muito sobre o passado profissional do candidato. Algo que ele fez foi considerado ilícito ou inadequado e é difícil contornar isso”, revela o presidente da Steer Recursos Humanos Ivan Witt.

“Não é fácil lidar com a justa causa. Sempre aconselhamos o candidato a ser sincero sobre o que aconteceu e contar sua versão. Se ele omitir esse fato durante o processo seletivo e a empresa souber de alguma outra forma, certamente ele será cortado imediatamente”, afirma Marisa. Ela admite que a honestidade não garante que ele não seja descartado de qualquer maneira, mas acredita que a sinceridade, mesmo que possa ser prejudicial, ainda é a melhor aposta nestes casos.

Processo judicial
Como o empregador encara o fato do candidato já ter ingressado na justiça com uma ação contra a empresa onde trabalhava? Hoje em dia, com mais naturalidade. “Se o processo pede algum direito que realmente o trabalhador tinha, as empresas costumam ser tolerantes. O problema pode aparecer quando são motivos banais e corriqueiros e também a frequência com que essa pessoa faz uso da justiça do trabalho”, diz Marisa.

A modelo Esthela Pereira Moraes, 26, processou um antigo empregador porque não recebeu as horas-extras a que tinha feito. “Antes de abrir o processo até pensei se ia me prejudicar no futuro, mas estava segura de que aquilo era um direito meu. Hoje trabalho como autônoma”, reforça.

Luiz Gustavo Suzano, advogado especialista em direito do trabalho e sócio do escritório Suzano & Castro, admite que algumas empresas não veem a prática com bons olhos. “A empresa não pode eliminar um candidato porque ele acionou a justiça, mas às vezes isso acontece. Mas uma pessoa não pode, por medo, deixar de ir atrás de seus direitos. Além do mais, se a empresa que está contratando for séria, não tem por que ter medo de processo trabalhista”, pontua.

Falta de experiência
Ao longo da vida, muitas pessoas decidem mudar de profissão. Os motivos são variados: busca por melhores salários, maior satisfação pessoal ou qualidade de vida. Em todos os casos, há pelos menos um obstáculo: a falta de experiência na nova área. Beth Vieira, 41, resolveu deixar sua formação em moda de lado e ir em busca de encontrar prazer em trabalhar. Hoje, ela trabalha em na edição de conteúdo em um portal de produtos e serviços para mães.

“Fiquei durante um ano mandando currículos e não obtive resposta. Sei que a falta de experiência faz muita diferença. Consegui emprego porque minha chefe atual conheceu meu trabalho através de um blog que mantenho”, afirma Beth.

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A supervisora da Agnis Recursos Humanos Priscila Mota ensina que o candidato deve usar a mudança de área a seu favor. “Pessoas que estavam em outra profissão podem trazer uma visão nova e mais global para a empresa. Essa versatilidade é muito bem vista pelo mercado, em alguns casos. É só uma questão de saber selecionar o que de bom sua experiência anterior pode trazer para a nova etapa”, diz.

Outros casos comuns:

Namoro
Não dá para proibir que os funcionários se apaixonem. Mas é preciso ter maturidade para namorar alguém da sua área – sem contar as empresas que têm regras a respeito. Existe o risco da fofoca que resulta no questionamento da sua eficiência e também do namoro desandar e ficar um clima desagradável no escritório. “Para que isso não aconteça, os dois precisam ter maturidade e profissionalismo”, afirma Priscila Mota. Além disso, é possível dar como referência um ex-namorado ou ex-marido. “Não vejo problema. Só se certifique que a pessoa sabe separar bem vida profissional da pessoal. Se você ficar em dúvida, é melhor dar um colega de trabalho ou outros superiores como referência”, sugere Priscila.

Brigas
Quando a discussão for com o chefe direto, o problema pode surgir no momento de dar uma referência também. Neste caso, existem algumas alternativas como fornecer o contato de colegas de trabalho ou outros superiores. O professor do Insper Aluísio Buoro ressalta que o que importa é não falar mal do ex-chefe durante o processo seletivo. “Procure explicar que naquela determinada situação vocês discordaram, mas que ele que isso foi atípico”, ensina.

Vício
Esse assunto ainda é tabu em muitas empresas. Algumas, mais estruturadas, têm programas de suporte para evitar recaídas. “As que não possuem nenhum programa nessa área podem se sentir um pouco intimidadas”, afirma Priscila. “Não dá para não abordar esse aspecto da sua vida durante o processo seletivo. É melhor explicar que você está em tratamento”, completa Aloísio.

Prazos
“Quando a pessoa não cumpre prazos e nem pede ajuda para conseguir entregar o que foi pedido, ela terá que explicar por que tem essa dificuldade”, afirma Marisa da Silva. O professor do Insper aconselha a pessoa a não mentir. “O candidato vai ter muito mais chance se explicar para o entrevistador em quais situações é mais produtivo compensando, de uma certa forma, a dificuldade em cumprir prazo”, ensina.

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