Pelo menos 60 sites brasileiros têm autorização para prestar atendimento psicológico online

Dos quase 70 milhões de internautas brasileiros, 39% buscam informações sobre saúde. Para atendê-los, a psicologia já garantiu seu espaço na web. No Brasil, pelo menos 60 sites estão autorizados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) a atender pacientes virtualmente.

Os dados fazem parte de estatísticas do Registro de Domínios para a Internet no Brasil (Registro.br) e de uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br). Os estudos consideram homens e mulheres que utilizam a internet em casa ou no trabalho. E o CFP é o órgão responsável pelo cadastramento de sites que prestam atendimento psicológico, de acordo com as condições exigidas.

Andréa do Nascimento, conselheira do CFP, esclarece que é necessário entender até onde o psicólogo online pode ajudar. “O paciente não está no consultório, então o assunto deve ser pontual. Se precisar de um aprofundamento, o profissional deve sugerir o contato pessoal com a psicoterapia.”

O psicólogo e a tecnologia
O atendimento por e-mail, webcam, mensagem instantânea ou telefone são serviços complementares na clínica do psicólogo Marcos Maximino. "Tenho uma paciente que está trabalhando em outro estado e combinamos que, uma vez por semana, vamos conversar virtualmente”, diz. Isso ajudou a paciente com o desafio de trabalhar longe de casa e permitiu que ela não recusasse a proposta de trabalho durante o tratamento.

Para Maximino, a formação do psicólogo permite que o profissional perceba o limite entre orientação pontual, no atendimento virtual, e a necessidade de aprofundar o tratamento, com a psicoterapia. “Existem estudos que ajudam o profissional a utilizar a tecnologia como ferramenta na psicologia. Mas é preciso ler, estudar”. Embora veja resistência de colegas, o psicólogo afirma que o futuro caminha nessa direção.

O Instituto de Psicologia Aplicada (InPA) fica em Brasília, mas os 4 psicólogos online já atenderam pacientes de regiões de todo o país. O psicólogo e responsável técnico da equipe, Fábio Augusto Caló, afirma que, acima de tudo, o atendimento é uma relação humana. “Muitos pacientes nos procuram por falta de profissional onde residem ou dificuldade de locomoção. Já atendemos também brasileiros em outros países, com dificuldade de expressão fluente em outro idioma, o que é fundamental para o processo psicoterapêutico”, diz o psicólogo.

Glecinia Lopes utiliza e-mail e telefone para se comunicar com sua psicóloga
Edu Cesar/Fotoarena
Glecinia Lopes utiliza e-mail e telefone para se comunicar com sua psicóloga

Glecinia Lopes, assessora de comunicação, defende os benefícios da tecnologia no atendimento que recebe de sua psicóloga. “Utilizo mensagens no celular para avisar de um e-mail enviado quando estou em viagem. Inclusive telefono quando quero tratar de um assunto que está me incomodando mais. Tive liberdade para contatá-la dessa forma desde a primeira sessão”, afirma.

O CFP esclarece alguns pontos que devem ser levados em consideração no atendimento psicológico online:

- Menores de idade só podem ser atendidos virtualmente mediante autorização dos pais ou responsável
- O psicólogo deve esclarecer ao paciente que, no ambiente virtual, as informações não estão totalmente seguras e podem ser acessadas em caso de ataque de hackers
- No site do profissional, deve ter um selo que identifica a autorização do CFP para atuar como psicólogo online e um link para o conselho e para o código de ética da profissão

“Psicoterapia significa estar junto”
O atendimento presencial tem características insubstituíveis. “No consultório consideramos a postura, a respiração e outras características no paciente”, afirma Paulo Quinet, diretor de divulgação da Federação Brasileira de Psicanálise (FEBRAPSI). “Quando a conversa é digitada ou somente falada ao telefone, o processo psicoterapêutico se torna inviável. Psicoterapia significa estar junto, aprofundar", diz o especialista.

Quando o psicólogo identifica a necessidade de aprofundamento, pode ser sugerida a psicoterapia. “No consultório, o paciente pode buscar um psicólogo para falar sobre um problema profissional e resultar na abordagem de assuntos pessoais e familiares”, esclarece Rosa Farah, psicóloga e coordenadora do Serviço de Informática da PUC-SP.

Apoio emocional
O Centro de Valorização à Vida (CVV) existe há 48 anos com atendimento telefônico e há cerca de dois meses inaugurou o serviço de chat online. Os voluntários não são psicólogos e nem prestam atendimento psicoterapêutico. Quando explicam o que os motivou a ajudar outras pessoas no CVV, a resposta é solidariedade. “Eu tinha um comportamento difícil, até que um amigo me sinalizou e decidi ajudar outras pessoas. Respeito a dor do próximo e sempre quis ser útil”, diz Paula Romeiro Guirra, auditora de 37 anos.

O serviço está em fase inicial e pode ser utilizado pelo site da instituição. Atualmente funciona diariamente das 19h às 22h45. Arthur Mondim, coordenador do CVV Web, explica como funciona o serviço. “Não temos capacitação para um tratamento de psicologia, somos leigos. O que oferecemos é o nosso tempo e amizade, facilitando o desabafo de quem nos procura.” O contato pode aliviar um momento de angústia, o apoio pode estar a alguns cliques de distância.



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