Conheça os desenhos mais pedidos em cada região do Rio de Janeiro

Bastam os primeiros raios de sol anunciarem que o verão chegou para que as roupas de quem mora no Rio comecem a “cair” e a deixar à mostra mais que a pele. Já há algum tempo não é necessário ir à praia para apreciar as tatuagens - outrora pequenas e em lugares estrategicamente escondidos - pelo corpo das mulheres de biquíni.

Natalia Castro 23 anos estudante de Nutrição tem 3 tattoos: uma âncora no pé, uma flor de lótus nas costas e flores na lateral do corpo
Léo Ramos
Natalia Castro 23 anos estudante de Nutrição tem 3 tattoos: uma âncora no pé, uma flor de lótus nas costas e flores na lateral do corpo
Hoje, ao contrário, é raro não perceber pelas ruas, no dia a dia, uma carioca que não exiba orgulhosa um desenho, como um acessório que ganha cada vez mais destaque no visual.

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O Rio de Janeiro é um lugar conhecido por lançar tendências de verão para o Brasil – e para o mundo. A chegada da estação foi propícia para revelar que a tatuagem está crescendo em número e extensão pelo corpo das mulheres que vivem na cidade.

E, percebendo essa mudança gradativa no comportamento, a reportagem do iG se propôs a um desafio de verão. De norte a sul da cidade, percorremos vários estúdios descolados, falamos com tatuadores celebrados e encontramos histórias curiosas sobre quem se submeteu ao processo de marcar a pele para sempre. Ou até que o laser os separe.

Copacabana – Zona Sul
Desenhos mais pedidos: letras, flores e motivos orientais gigantes.
Preço: Pequenas a partir de R$ 120; grandes a partir de R$ 400 a sessão, dependendo do desenho

Ana Luiza Lins, 36 anos, começou a se tatuar há 10 anos com uma estrela no pé, até chegar a seu último e mais radical desenho, que cobre as costas
Léo Ramos
Ana Luiza Lins, 36 anos, começou a se tatuar há 10 anos com uma estrela no pé, até chegar a seu último e mais radical desenho, que cobre as costas
É dentro da Galeria River, reduto de surfistas, que está localizado o Caio Tattoo Studio, a loja de tatuagem mais antiga em funcionamento no Rio. Caio é tatuador há 33 anos e percebe, sem esconder a alegria, a diminuição do preconceito em relação a quem tem desenhos pelo corpo. "A tatuagem começou a ser feita em portos, o que atraia um público de marinheiros e prostitutas principalmente. O tempo foi passando e ela foi sendo disseminada entre surfistas e suas namoradas”, lembra Caio. “Hoje as pessoas já aceitam a tatuagem como arte e isso fez crescer o número de mulheres no estúdio. Posso dizer que tenho mais clientes do sexo feminino que do masculino”, completa.

A premissa de Caio é corroborada por uma de suas clientes. A vendedora Ana Luiza Lins, 36 anos, há dez fez uma pequena estrela no pé. Um tipo de teste para saber se iria enjoar do desenho e se teria resistência à dor. Aprovada em suas proposições, o número de tatuagens foi aumentando e o tamanho também, a ponto de há poucos meses ter fechado as costas com uma flor e um dragão em estilo oriental. “A mulher atual é mais aberta e quem olha a tatuagem de fora também. Tenho clientes mais velhas que me perguntam sobre a tattoo e que mostram interesse em ter uma. Estou totalmente satisfeita por ter aberto o meu corpo para que se fizesse arte nele”, conta Ana Luiza.

Caio faz sua análise sobre a evolução da tatuagem feminina. “Nos anos 80, a mulher queria uma coisinha pequena em um lugar escondido. A partir de 2000, os desenhos foram ficando maiores e em lugares menos fechados. A tendência que se percebe agora são tatuagens gigantes, que cobrem costas ou braços”, conta Caio, que se orgulha de ter tatuado juízas, promotoras e policiais.

Barra da Tijuca – Zona Oeste
Desenhos mais pedidos: escritas e formas artísticas
Preço: Pequenas a partir de R$ 100. Médias a partir de R$ 300 a sessão, chegando até R$ 1200 para cobrir um braço

Thamires Pacheco Ferreira, 18 anos, foi fazer a sua primeira tatuagem na companhia do pai, Alexandre Ferreira, 51 anos. Ela escolheu um símbolo japonês cercado de flores
Léo Ramos
Thamires Pacheco Ferreira, 18 anos, foi fazer a sua primeira tatuagem na companhia do pai, Alexandre Ferreira, 51 anos. Ela escolheu um símbolo japonês cercado de flores
No andar de baixo você encontra um bar e uma mesa de bilhar. Mas... Uma grande placa à entrada deixa claro que o ambiente esconde um pouco mais do que aquilo que revela a priori: “Cia da Tattoo”. É no andar de cima onde a mágica do trabalho de Daniel Levi, um carioca de 29 anos, acontece. “Por aqui passam mulheres de 18 a 40 anos, normalmente. Cada pessoa vem com uma ideia e nós trabalhamos a criatividade em cima. Tatuagem também é uma assinatura e cada um quer deixar a sua da melhor forma possível. A melhor propaganda está na pele”, conta ele, que já viu circular pelo estúdio famílias inteiras e achou interessante um caso de uma filha, mãe e avó que foram fazer o desenho juntas.

Um dos destaques da visita do iG à Cia da Tattoo foi perceber a presença da família buscando referências e ideias. A estudante de Artes Plásticas Thamires Ferreira, 18 anos, chegou ao local acompanhada pelo pai, o aeronauta Alexandre Ferreira, 51 anos. Ela estava pronta para fazer a sua primeira tatuagem: um ideograma japonês que significa “arte”, rodeado por flores. “Vou fazer nas costas, porque é um lugar que você pode esconder ou revelar de acordo com a ocasião. O preconceito já é menor, mas ele ainda existe. Não lá em casa! Tanto é que o meu pai está aqui comigo”, diz a estudante. “Sou o ‘paitrocinador’”, brinca Alexandre. “Não vejo problema, mas queria estar junto para ela não fazer algo que ficasse exagerado. Agora a minha mulher também quer uma”, conta ele, achando graça da situação.

Daniel conta que gosta de conversar muito com as clientes antes que elas tomem a decisão final. Não foram raros os casos de chegar alguém arrependida de ter tatuado o nome de um namorado na pele. Muitas têm que passar por sessões de laser para que um novo desenho seja realizado. “Existem lugares que eu também me recuso a tatuar, por exemplo, a boca. Não é um lugar esteticamente simples e a mucosa da boca está sempre se renovando, o que faz com que a tattoo suma rapidamente. Sou também criterioso com partes sexuais, mão, pé e rosto”, explica Daniel, contando que atualmente a parte que mais pedem para tatuar é a lateral do corpo.

Tijuca – Zona Norte, no meio do caminho entre as praias da zona oeste e zona sul
Desenhos mais pedidos: a borboleta é o desenho imbatível e representa mais de 1/3 dos pedidos entre todas as tatuagens, masculinas e femininas, do local. Nos trabalhos grandes os motivos são orientais.
Preço: A partir de R$ 100, 00, sendo que a média de gastos gira em torno de R$ 400,00. Um braço inteiro já saiu por R$ 5 mil.

Isa Meyer, 21 anos, estudante de gastronomia, não enjoa das tattoos porque ela acha que os desenhos acabam se tornando parte de você
Léo Ramos
Isa Meyer, 21 anos, estudante de gastronomia, não enjoa das tattoos porque ela acha que os desenhos acabam se tornando parte de você
Localizado em frente a um shopping de grande circulação, o Supernova Tattoo e Piercing faz de tudo para ver e ser visto na disputa pela atenção de quem passa. E consegue. O lugar tem a melhor estrutura entre os estúdios visitados e o tatuador Luga Motta, 41 anos e 19 na profissão, recebe os clientes como velhos amigos entre sofás e pufes. “Na época do verão a frequência feminina aumenta em 50% a 60%. Quando uma mulher vai à praia e vê que várias outras possuem tatuagem, elas acabam se empolgando e criando coragem para fazer a sua”, explica Luga, que ressalta que os cuidados são simples nessa época do ano. “Quem faz a tattoo tem que deixar de ir à praia por uma semana a dez dias. E sempre que sair de casa é necessário usar o protetor solar para que as cores não esmaeçam”, ensina.

A estudante Isa Meyer, 21 anos, acaba de fazer a sua sétima tatuagem. E mais que um desenho comum, ela colocou no braço tudo que ela mais gosta: flores, sorriso, a palavra amor... “Queria algo bem humorado e que remetesse aos Anos 60. E não fiquei com medo de me arrepender, porque a tatuagem é algo que passa a fazer parte de você, não é como um acessório que você tira e coloca conforme a ocasião”, explica Isa. Eduarda Gaia, 20 anos, estudante de Desenho Industrial, foi mais comedida. Fez a primeiro desenho como uma homenagem e tatuou quatro corações vazados na parte interna do braço. “São os meus quatro amores: mãe, pai, irmã e namorado. Mesmo que um dia a gente termine, ele foi o meu primeiro amor e então achei válida a homenagem”, disse Eduarda, que já estava na fila para o segundo trabalho. O novo, desenhado por ela.

Méier - Zona Norte, um pouco mais distante da praia
Desenhos mais pedidos: tribais em estilo polinésio e flores.
Preço: A partir de R$ 80,00 e trabalhos maiores passam a ser cobrados por sessões que custam entre R$ 300 a R$ 600,00 reais cada, com tudo combinado antes.

Luciana Goulard, 30 anos, pedagoga, começou aos 22 anos e hoje tem sete tatuagens, duas delas iguais às da irmã
Léo Ramos
Luciana Goulard, 30 anos, pedagoga, começou aos 22 anos e hoje tem sete tatuagens, duas delas iguais às da irmã
Quem mora um pouco mais longe da praia também gosta de tatuagem. Por que não? É isso o que garante Marcão, 38 anos e há 18 anos no ramo, dono de um estúdio homônimo no bairro do Méier. Ele, aliás, é um dos poucos profissionais que cravam a ideia de que existe sim diferença entre os estilos pedidos pelos clientes de cada bairro. “Trabalhei na Barra da Tijuca durante algum tempo e lá era comum chegar alguém pedindo uma tatuagem igual a de uma modelo ou atriz. Quando começava O BBB então o movimento de pedidos era certo”, conta Marcão. “Aqui no Méier as pessoas pedem mais desenhos estilizados”, completa.

A estudante de Nutrição Natalia Castro, 23 anos, não foi tão criativa assim de início. Sua primeira tatuagem foi uma âncora no pé. “É porque tem um significado: por mais que eu me afaste, sempre tenho a chance de voltar ao meu lugar de origem”, conta ela, que em seguida se rendeu às flores que cobriram costas e lateral.

A psicóloga Maria Goulart, 31 anos, também investiu no segmento floral. “Ninguém nunca me deu flores, então, eu resolvi tatuar duas orquídeas na costela como presente eterno para mim mesma”, conta ela, que tem outros símbolos espalhados pelo corpo, alguns iguais ao da irmã , a pedagoga Luciana Goulart, 30 anos. “Tatuagem e homenagem caminham lado a lado como uma forma de eternizar momentos”, reflete Luciana.

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