Autora de “32” fala do tema que preocupa muitas mulheres, inclusive a personagem do livro: as dores e delícias da busca pelo amor

Stella Florence é autora de
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Stella Florence é autora de "32"
O livro “32 – 32 anos, 32 homens, 32 tatuagens”, de Stella Florence, tem 53 capítulos recheados de histórias com muito humor e, ao mesmo tempo, com uma sensibilidade única. A personagem criada pela escritora decide fazer 32 tatuagens, uma para cada homem que passou pela sua cama – não como homenagem, mas como um dreno para sua fúria.

Stella, que além do romance “32” (Ed. Rocco) é autora de “Hoje Acordei Gorda” (Ed. Rocco) e “O Diabo que te Carregue!” (Ed. Rocco), conversou com o iG sobre o mesmo tema do livro: a procura pelo amor.

Marcar o próprio corpo como forma de exorcizar os fracassos amorosos é também conviver diariamente com essas desilusões. Difícil isso, não?

Stella Florence - A protagonista do “32” já convivia com essas desilusões. Quando as passa para a pele, ela tem a sensação de que essas feridas eclodem e cicatrizam: as tatuagens são cicatrizes de uma dor que se transforma em beleza.

Você não esconde que a personagem é seu alter ego. Como ela te ajudou a destruir certas ideias ou a colocar para fora momentos particulares da sua vida real?

Stella Florence – Escrever é refletir e crescer, sempre.

O desabafo dessa mulher emociona as leitoras? Qual o retorno que você tem recebido?

Stella Florence – O que eu mais ouço é “você escreveu exatamente o que eu sinto!”. É o que eu chamo de sensação de partilha: por mais dura que seja uma experiência, ela se torna leve quando é compartilhada. Então é possível refletir e mudar.

Você tem 30 tatuagens. Alguma também foi feita, como a personagem, para drenar uma fúria?

Stella Florence – Para drenar fúria, não, mas como autoconhecimento, sim.

Essa busca desesperada e desenfreada pelo amor faz com que se perca de vista a própria alma, sempre a procurando nos outros, sem olhar para dentro?

Stella Florence – Sim – e, através das tatuagens, a protagonista do “32”, sem perceber, cria um processo curioso e diferente de auto-análise.

É uma marca do seu texto trabalhar o humor e a dor ao mesmo tempo. No “32” esse estilo se mantém?

Stella Florence – Sim! Mesmo que eu quisesse, não conseguiria tirar o humor do meu texto. E é claro que eu não quero (risos).

Seu trabalho se encaixa na linha ‘chick lit’, a mesma dos livros de Helen Fielding (autora da série “Bridget Jones”), Candace Bushell (“Sex and the City”) e Marian Keyes (“Melancia”). O que você acha dessa comparação?

Stella Florence –
Acho que sou muito melhor do que elas. E bota muito nisso! (risos).

Merleau-Ponty escreveu que "Se estamos em situação (apaixonados), estamos enredados, não podemos ser transparentes para nós mesmos, e é necessário que nosso contato conosco só exista no equívoco". Será? Esse contato conosco é quase impossível quando estamos jogados no amor?

Stella Florence – Entre um amor e outro, os equívocos são portas escancaradas para a reflexão. E quem nunca se meteu numa história equivocada?

Após 32 anos, 32 homens e 32 tatuagens, o que a personagem aprende sobre o amor?

Stella Florence – O que todas nós deveríamos aprender. Mas, se eu contar, entrego o fim do livro!

E você, o que descobriu após 40 anos e 30 tatuagens?

Stella Florence – Entre outras coisas, que sexo sem amor é, definitivamente, uma m... Dá para separar sexo de amor, claro, mas a questão é: isso é bom? Não há nada mais devastador do que desejar que o homem ali ao lado se transforme num pote de sorvete de morango.

Você acredita que dá pra ser feliz sozinha?

Stella Florence – Só se você tiver alcançado o nirvana, se alimentar de luz e morar numa caverna! (risos)

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