Com mulheres como consumidoras principais, nova modalidade comemora sucesso de promoções de clínicas de estética e restaurantes

No fim, é simplesmente uma oferta de venda. E, sim, descontos que podem chegar a 90% e nunca ficam abaixo dos 50% são o grande trunfo dos sites de compra coletiva. Mas elementos similares aos de redes sociais usados por essas empresas ajudam a moldar o comportamento de um mercado consumidor que acaba de nascer no Brasil.

Mulheres são maioria entre consumidoras de sites de compra coletiva
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Mulheres são maioria entre consumidoras de sites de compra coletiva
Em pouco mais de três meses, pelo menos dez sites de compras coletivas foram lançados no país. Alguns deles dizem que já chegam a realizar 15 mil vendas em um dia. O funcionamento é simples: os sites fecham parcerias com estabelecimentos e para disponibilizar uma oferta por dia. Os preços são sempre muito abaixo dos praticados normalmente, e a condição para isso é que um número mínimo de pessoas (varia com cada oferta) precisa efetuar a compra para a promoção ser ativada. O perfil dos consumidores se assemelha ao da própria internet: a maior parte é composta por mulheres com faixa etária próxima dos 25 anos.

Como os valores são muito baixos, sites e consumidores não têm encontrado dificuldade em atingir esse número mínimo – as pessoas não precisam comprar nem usufruir juntas. Mesmo assim, a sociabilidade do consumidor conta pontos. Para ajudar a divulgar o serviço, por exemplo, os sites oferecem bônus para quem indica amigos, além de apostarem na retransmissão das ofertas nas redes sociais e no mailing que indica as novidades do dia.

O analista de suportes João Paulo Lemos, 24, conheceu o sistema há dois meses, quando o site Peixe Urbano estreou na sua cidade, Curitiba (PR). Desde então, já fez mais de dez compras em oito lugares diferentes pelo sistema. Como se interessa principalmente por ofertas de bares e restaurantes, João conta que coloca os amigos na jogada antes mesmo de eles saberem. “Se tem algo que eu sei que eles vão querer ir comigo, já vou lá e coloco o nome dos amigos que vão topar”, diz. Por causa dos bônus oferecidos, ele diz que também já “converteu” pelo menos seis pessoas ao sistema.

Compras por impulso

Quando um sistema funciona como uma superliquidação diária se exibindo em sua caixa de correio, não é de estranhar que o impulso conte como uma parte importante do negócio. “Hoje não existe fidelidade, depende muito mais do que estão oferecendo”, diz Isaac Ezra, sócio-proprietário do Clube do Desconto , o mais novo integrante do segmento. Um dos poucos a trabalhar também com atendimento telefônico, ele diz que sente estar “trabalhando com um público realmente novo”. “Muita gente compra por impulso, não entende muito bem como funciona, mas quer a oportunidade e acaba correndo para fechar”, explica.

Um dos fundadores do site Imperdível , Pedro Guimarães diz que aposta na proposta de distribuir exclusivamente serviços e funcionar como um guia cultural das cidades em que atua – serão quinze em dez dias. Ele diz que o sistema tem sido compreendido facilmente pelos usuários e parceiros, e ligando clientes e estabelecimentos novos. “É um círculo virtuoso muito fácil de entender, com descontos normalmente de 70%. É um site que mostra para a pessoa um monte de coisas que ela esqueceu que existia, ou não conhecia. Para o parceiro, a grande proposta é você entregar um consumidor novo para a custo zero”, explica.

A publicitária Larissa Claro Sanches, 27, sabe bem como é isso. Apesar de dizer que não pode gastar muito no momento, ela já fez duas compras que ainda nem chegou a usar: um vale-jantar e uma escova progressiva, as duas por quase um terço do valor original. “A gente tem que se segurar um pouco mais, é como se estivessem te lembrando de uma liquidação. Nenhuma das coisas que comprei foi para uso imediato”, diz ela, que também indicou o serviço para várias amigas.

Tanto Larissa quanto João disseram ter mudado seu comportamento de compras por causa dos sites. “Agora quando fico interessada em algum produto, fico esperando entrar nos sites”, diz ela. Ele vai ainda mais longe: “Fico esperando dar meia-noite para checar qual é a oferta do dia seguinte”, confessa.

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