Mulheres possaram a ter o opção de engravidar. Dentro deste novo cenário, a decisão torna-se muito mais planejada

Maternidade não é mais uma missão automática na vida das mulheres
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Maternidade não é mais uma missão automática na vida das mulheres
Desde a invenção da pílula anticoncepcional na década de 60, não param os desdobramentos sociais, econômicos e psicológicos na vida da mulher. A maternidade nunca mais foi a mesma. “Os métodos contraceptivos anteriores eram sexualmente onerosos, como a abstenção, e inseguros. Com a pílula, a maternidade se tornou apenas uma das identidades possíveis da mulher”, afirma a psicanalista Diana Corso.

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Na medida em que mulheres ascendem a cargos de maior exigência, o IBGE registra, com o passar dos anos, o encolhimento da família. Ser mãe se torna cada vez mais um projeto, planejado e sonhado. “Já que não é uma sina, uma missão automática na vida da mulher, ela começa a pensar o que deseja da maternidade. É uma idealização”, afirma Diana. “Em segundo lugar, surge uma expectativa em relação a educação que pode ser dada. A exigência que se coloca em todas as áreas, em termos de desempenho, são aplicadas nos filhos”, afirma. O que, segundo Diana, pode ser uma armadilha: a maternidade é humana, cheia de ambivalências que escapam de uma performance previsível e organizada. “Maternidade hoje é uma gincana, em que os filhos são um complemento para nossa vida, para a imagem que tentamos construir.”

"Escolhas são sempre angustiantes"
Não importa o lugar que a maternidade ocupe na vida de uma mulher, como projeto de vida ou decisão de não abraçá-la, Diana lembra que o ônus de ser mãe cedo ou tarde, ou mesmo de optar por não ser, virá. “Escolhas são sempre angustiantes. Maternidade é uma delas, e das mais marcantes por ser vitalícia”, afirma. E essa escolha para toda a vida é só o começo. “Conforme a família vai ficando mais democrática, gera-se mais angústia nas decisões da educação desse filho”, diz a psicóloga.

Ela acredita que quanto mais distante de um modelo patriarcal,onde o homem tinha como obrigação o sustento da família e determinava as diretrizes a serem seguidas, mais o casal depende de um comprometimento de ambos e da participação do pai para criar os filhos. “A participação do pai é uma perda para a mãe. Produz ciúme, tanto do seu homem quanto da sua cria. É bom, mas difícil de digerir. Uma das coisas que ajuda uma mulher a transpor o desafio da maternidade, e é um antídoto para esse esforço, é a fantasia de que somos o objeto perfeito de amor para nosso filho. Isso é universal.”

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