A favor de mulheres "mais reais" nos meios de comunicação, a revista Brigitte resolveu fechar as portas para as agências de modelo

Capa da revista feminina alemã Brigitte
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Capa da revista feminina alemã Brigitte
Parece que o reinado das modelos magricelas está a ponto de ter seu monopólio desmantelado. Com cada vez mais ensaios e campanhas voltados para uma mulher mais real, hoje a revista feminina alemã Brigitte anunciou que irá proibir modelos profissionais em suas páginas, dando preferência a mulheres “mais reais”.

Numa tentativa de combater os padrões de beleza irreais da sociedade atual, a partir do próximo ano a publicação alemã somente usará mulheres com silhuetas mais, digamos, “normais”. O editor-chefe da revista, Andreas Lebert, em declaração ao jornal britânico The Guardian, afirmou que, a partir de um momento, começaram a chegar reclamações das leitoras da Brigitte dizendo que não tinham nada em comum com as mulheres retratadas e não queriam mais ver “ossos salientes”.

Como a voz do povo sempre se sobrepõe, a partir de 2010 as edições passarão a ter modelos mais legítimas e também, leitoras interessadas em serem fotografadas – que receberão o mesmo cachê que era remunerado às agências de modelos.

Briga de gigantes
Se a ação se propagar, uma batalha entre gigantes poderá ser iniciada. Louisa von Minckwitz, dona de uma agência de modelos alemã, afirmou à agência de notícias Associated Press que “as mulheres querem ver roupas em pessoas lindas e esteticamente agradáveis”. Ela acredita que a proibição das modelos é uma piada de marketing que não durará muito tempo.

Ao contrário, Lebert acredita na ação como um investimento e alega que a transformação “não deve ser entendida como uma declaração de guerra ao campo das modelos”.

Nos últimos anos, algumas modificações já ocorreram nos padrões de beleza endossados pelos meios de comunicação. Em Madri, na Espanha, foram proibidas modelos com índice de massa corporal (IMC) abaixo de 18 kg/m² em 2006 e no mesmo ano, em Milão, na Itália, as magérrimas e as menores de 16 anos não tiveram mais seu espaço nas passarelas.

Com a morte por anorexia da modelo brasileira Ana Carolina Reston, de 21 anos, no mesmo ano, a atenção para o problema que vinha se desenvolvendo se tornou ainda maior. Conforme afirmação do editor-chefe da Brigitte, “atualmente as modelos pesam 23% menos do que uma mulher normal”. Realmente, não é uma boa ideia que as mulheres se baseiem neste padrão. A pergunta agora é se a proposta vinda do antigo continente se propagará pelo resto do mundo.

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