A diretora e roteirista Rebecca Miller adaptou o seu livro “A Vida Íntima de Pippa Lee” para o cinema. O filme estreia hoje

Robin Wright Penn no papel de Pippa Lee
Divulgação
Robin Wright Penn no papel de Pippa Lee
Interpretada por Robin Wright Penn, Pippa Lee é retratada logo no início do filme como uma esposa devota, inteligente e bonita - uma mulher exemplar. A história gira em torno de sua vida no presente, ao lado de seu marido aposentado e 30 anos mais velho, e o seu passado. Aos 50 anos, Pippa percebe que sua identidade ficou perdida em algum ponto de sua história e que a sua vida confortável não lhe serve mais.

O filme mostra o passado conturbado de Pippa: filha de uma mulher viciada em remédios para emagrecer, ela fugiu de casa aos 16 anos e foi morar com uma tia lésbica. Depois, teve a vida rodeada pelas drogas até que conheceu Herb, ainda bem jovem. Não foi à toa que este encontro estabeleceu rédeas em sua vida.

“As mulheres que escolhem o caminho pela segurança estão mais suscetíveis a se sentirem incompetentes para tocar a vida em algum momento”, diz a psicóloga Regina Maria de Albuquerque Pinheiro, autora do livro “Maria”. E, embora atualmente as mulheres sejam mais independentes, ainda existem muitas que, aos cinquenta anos, se encontram na mesma posição de Pippa, sem saber quem são realmente.

Crises na meia-idade

Assim como no filme, independentemente da situação, a crise da meia-idade pode aparecer, seja para mulheres ou homens. Agora, como ela começa e quando ela termina? “Em geral, surge por causa de uma transformação. Antes, você estava no auge de sua vida, mas agora, por exemplo, os filhos não precisam mais de você. Então, você se questiona sobre a sua identidade”, explica Regina.
Se um dia você acorda e se encontra na metade do caminho, voltar para trás pode se tornar um desejo, mas não uma opção real. De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em Terapia Familiar e de Casal pela Unifesp, “nesta crise, você se questiona se o que fez valeu a pena e se o que está fazendo ainda vale. Então, coloca em xeque o casamento, o emprego, a família, e, muitas vezes, acata o desejo de virar a mesa”, diz.


Querendo ou não, a chegada neste ponto da vida pode ser uma porta de entrada para a depressão que, segundo a psicóloga Ana Carolina de Oliveira, mestre em Envelhecimento e Sexualidade, é como uma moeda de dois lados: “pode ser muito perigosa ou uma mola propulsora para rever a vida e traçar novas escolhas”, diz. Como uma válvula de escape, a crise pela qual Pippa passa no filme também é reforçada pelo sonambulismo e pelo nervosismo à flor da pele. “Uma pessoa que abre mão de si pelos outros pode ter problemas, não é algo natural, é preciso tentar manter um equilíbrio”, comenta Marina.
Não necessariamente nesta ordem, “A Vida Íntima de Pippa Lee” segue com incoerências e guinadas na busca por um equilíbrio e pela verdadeira identidade.

Além de Robin Wright Penn (“Beowulf’) e Keanu Reeves (“Matrix”), todo o elenco de “A vida Íntima de Peppa Lee” é formado por figurinhas carimbadas. São eles: Alan Arkin (“Pequena Miss Sunshine”), Winona Ryder (“Garota Interrompida”), Monica Bellucci (“Irreversível”), Maria Bello (“O Clube de Leitura de Jane Austen”), Blake Lively (“Quatro Amigas e um Jeans Viajante”) e Julianne Moore (“Ensaio sobre a Cegueira”).

Mais filmes sobre reviravoltas femininas

Depois de conhecer mais sobre “A vida íntima de Pippa Lee”, veja abaixo alguns filmes que também retratam a vida de mulheres que passam por poucas e boas.

“Thelma & Louise” (1991)
Clássico dos cinemas, Thelma e Louise, interpretadas por Geena Davis e Susan Sarandon, são mulheres que, cansadas da vida que levam, saem em busca de aventura e deixam tudo para trás.

“Tomates Verdes Fritos” (1991)
Evelyn Couch, uma dona de casa cansada da falta de atenção do marido, afoga as mágoas comendo doces. Sua vida ganha uma nova perspectiva quando, ao esperar pela visita do marido, conhece Ninny Threadgoode, interpretada por Jessica Tandy, uma simpática senhora que mudará a sua vida.

“As Horas” (2002)
Neste complexo longa-metragem dirigido por Stephen Daldry, três mulheres de épocas diferentes vivem suas vidas ligadas à “Mrs. Dalloway”, clássico livro da escritora inglesa Virginia Woolf. Com Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep, cada uma enfrenta dramas em suas vidas pessoais. Tratando de problemas como a depressão e o amor impossível, a obra retrata a própria vida de Virginia Woolf, que se suicidou em 1941.

“O Leitor” (2008)
Kate Winslet é Hanna Schmitz, uma mulher alemã que encontra num garoto com metade de sua idade uma saída para sua solidão. No entanto, um dia ela desaparece sem explicações. Anos depois, o garoto, agora um dedicado estudante de Direito, reencontra Hanna no julgamento de ex-oficiais da SS nazista pela morte de judias aprisionadas. Hanna Schmitz é uma delas.

“Divã” (2009)

Neste filme brasileiro, baseado no livro de Martha Medeiros, Lília Cabral interpreta Mercedes, uma mulher casada com dois filhos que, aos 40 anos, resolve fazer uma visitinha a um analista por “curiosidade”. A partir disso, sua vida aparentemente perfeita começa a tomar outras proporções – hilariantes e tristes - quando ela começa a descobrir insatisfações e começa a atender as próprias vontades.

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