Especialistas dão dicas para abandonar os vícios e implantar a rotina que você sempre sonhou, mas alertam: nada vem de graça

Todo mundo tem algum mau hábito. Seja enrolar demais na cama pela manhã, nunca terminar aquele livro (ou começar a academia), roer unha, tomar café demais. E só a gente sabe o trabalho que dá para mudar, mesmo aquelas coisinhas pequenas, mas que atrapalham a vida. O que nem sempre temos em mente é a diferença que quebrar os maus hábitos pode fazer na nossa vida.

Mudar de hábitos dá trabalho, mas é compensador
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Mudar de hábitos dá trabalho, mas é compensador



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A fotógrafa Juliana Nallini, 25 anos, fumava desde os 15. “Já tinha tentado parar várias vezes. Diminuía, ia parando, e voltava quando tinha vontade de matar alguém de tanta ansiedade. Melhor eu fumar do que morrer de úlcera nervosa”, brinca. Em novembro de 2010, vários fatores de stress pesavam tanto na rotina dela que a conta chegava fácil nos dois maços diários.

A fotógrafa Juliana Nallini largou o cigarro e adotou a bike: vida mais saudável
Arquivo pessoal
A fotógrafa Juliana Nallini largou o cigarro e adotou a bike: vida mais saudável

A crise explodiu quando a gastrite fez com que ela passasse uma semana vomitando. “Emagreci seis quilos em seis dias. Fui internada para receber soro”, conta. Foi o empurrão que ela precisava para mudar de hábito. “Parei de fumar de vez. Acordei e não fumei mais”, conta a fotógrafa. Ela já tinha começado a tentar incluir a bicicleta na rotina, e sem o cigarro, ficou mais fácil mudar esse hábito também. “Agora é meu transporte até para ir à esquina. Foi uma válvula de escape ótima para aliviar a ansiedade que eu descontava no cigarro. Saio de bicicleta e dou uma volta.”

Troca com troco

Contando assim, parece mágica. Mas é óbvio que dá trabalho. O que Juliana fez é o que recomendam os coachs e especialistas em desenvolvimento pessoal: para se livrar de um hábito ruim, é preciso criar uma nova rotina positiva. Não que o hábito velho não bata na porta, mas passa a ser controlável: “Depois do almoço ainda tenho vontade de fumar, mas não rola mais”, conta Juliana.

“Se uma pessoa que rói a unha liga a televisão e a mão automaticamente vai à boca, ela pode fazer outra coisa com esse mesmo estímulo, até formar um novo hábito”, diz Alexandre Bortoletto, especialista da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística.

Outro passo é identificar que recompensa o mau hábito traz à pessoa - como aliviar a ansiedade, por exemplo. “Aí ela pode usar outros mecanismos para ter aquele ganho”, diz Rosângela Casseano, hipnoterapeuta e psicóloga. De acordo com ela, cada hábito precisa de uma estratégia diferente, mas o mecanismo básico é comum. É preciso se perguntar como se adquiriu o mau hábito, criar uma nova rotina e persistir, até esse novo hábito se tornar natural. “Muitas coisas a gente faz sem nem saber o porquê, e segue pelo pensamento automatizado. A primeira grande força é o processo do autoconhecimento”, diz Rosângela.

Mudança gradual

É raro alguém decidir largar um hábito ruim e ser bem-sucedido na primeira tentativa. “Ao se propor a mudar, a pessoa deve se dar um prazo e criar uma linha de ação que vai fazer aos poucos. O cérebro trabalha melhor com especificação”, diz Rosângela. “Se quer um novo hábito, o segredo é a repetição. A ideia é dar uma nova rota para seu cérebro. Ele tende a voltar para a rota antiga, mas, depois de algumas repetições, aprende a nova”, afirma Alexandre.

A frequência entre as repetições também conta: não adianta ir à academia uma vez por semana e reclamar que continua sendo difícil acordar cedo para encarar os exercícios. Repetição com alta frequência traz muito mais resultados do que ações esporádicas. No começo, a sensação de esforço e até irritação estarão lá. Para quebrá-las, só insistindo mesmo.

É importante não desanimar com recaídas e pequenas falhas. “É preciso buscar perseverança e tentar de novo”, diz Rosângela. “As pessoas tendem a voltar por falta de perseverança. É preciso ter paciência com você mesmo e tentar de novo. Recaídas fazem parte do processo. Comeu um chocolate? Na próxima refeição, volte para a dieta. A sensação de ter conseguido é muito boa”, diz Rosângela. Com o tempo, o que era um esforço enorme se torna natural. “Não tem nada de ruim em ter uma recaída. A gente tem que aprender a escutar nosso corpo. Se seu corpo “pede” uma bela pizza ou para ficar na cama, é questão de bom senso atender. Uma máquina estressada quebra logo”, diz Alexandre.

Turbinando a mudança

Para acelerar a mudança, Rosângela recomenda começar com hábitos mais fáceis antes de desafios complexos. “Parar de fumar ou roer unha é bem difícil. Mas parar de comer fritura é mais fácil, é só substituir por outras coisas. Aprender com os pequenos maus hábitos ajuda a mudança para grandes hábitos. Atacar tudo de uma vez pode gerar muito estresse e frustração, porque é muito difícil dar conta”, alerta.

Outro truque para é eliminar elementos sabotadores. “O ser humano é biopsicossocial: biológico, social e emocional. Andar com pessoas que desejam o bem para você é a melhor coisa que você pode fazer. É o caso de selecionar na rotina as pessoas que podem te ajudar no objetivo”, diz Alexandre. Em outras palavras, vale a pena combinar a corrida com um amigo que adore esportes, tanto quanto evitar por um tempo almoços com colegas de trabalho que não estão preocupados em contar calorias. Tudo que ajude a manter o foco durante o processo é bem-vindo. “Todo hábito pode ser quebrado, porque é apenas uma forma de pensar repetitiva. A palavra-chave é perseverança”, garante Rosângela.

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