Fraldário, mesa de jantar, fantasias: o mercado de artigos de luxo para pets não para de crescer

Cachorro com fantasia de Mickey da AU Pet Store, R$ 280, www.aupetstore.com.br
Tricia Vieira / Fotoarena
Cachorro com fantasia de Mickey da AU Pet Store, R$ 280, www.aupetstore.com.br
Em 2009, o mercado de alimentos para cães e gatos faturou R$ 6,2 bilhões - e a projeção para este ano é de um crescimento entre 2% e 3%, segundo dados da Anfal Pet (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação). Mas quem pensa que os donos de bichinhos gastam apenas com ração e uma coleirinha chique, está muito enganado: o mercado oferece produtos capazes de dar aos pets o mesmo conforto e estilo proporcionado aos seus donos. Basta ter dinheiro.

O Brasil conta com uma população urbana de cerca de 33 milhões de cachorros e 17 milhões de gatos, sem contar os animais abandonados. Muito presentes na vida das famílias, não é incomum vermos pets sendo tratados como gente. Como donos não querem abrir mão da companhia dos bichos em momento algum, uma iniciativa recente levou um fraldário para cães (veja na galeria abaixo) a um shopping de luxo em São Paulo.

Carolina Vaz, idealizadora do serviço, é dona de três cachorros: um casal da raça yorkshire e uma lhasa apso com problemas de ovário. A lhasa passava por um cio difícil e não havia produto capaz de resolver os inconvenientes causados pela cachorrinha. A única maneira era fazer com que ela usasse fraldas para bebês. “Mas as fraldas eram difíceis de ajustar, porque não são desenhadas anatomicamente para um cachorro”, explica Carolina Vaz, sócia da Dog’s Care. “Então, tivemos a ideia de criar as fraldas especiais para eles”.

Das fraldas para o fraldário foi um pulo. Carolina explica que participava de muitas caminhadas com cães e, embora muitos donos não se incomodassem, ela preferia não deixar que os seus cachorros demarcassem território por aí. Quando o Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, anunciou que permitiria animais em seus corredores, ela apresentou à administração o projeto: um lugar onde os donos podem colocar fraldas em seus pets e, assim, passear sem medo das demarcações de território pelos corredores.

Os pets também podem acompanhar seus donos na hora da sobremesa. Ao perceberem que seus cães ficavam vidrados nos potes de sorvete consumidos depois do jantar, as veterinárias Thais e Juliana Mucher passaram um ano e meio procurando a fórmula perfeita para refrescar seus cachorros. “Chocolate, por exemplo, é tóxico para o cão”, explica Thais. “Por isso, fizemos uma fórmula de sorvete para cachorros com metade da lactose, sem açúcar, sem gordura hidrogenada e com dextrose, um carboidrato que não é nocivo para o animal".

Patrícia Alvo Teter, que trabalha na área de telecomunicação, comprou o sorvete para seu poodle Willy logo que foi lançado, em fevereiro deste ano. Ela conta que colocava gelo na água dele desde pequeno. “Quando soube da novidade, comprei para experimentar. O Willy adorou. Ele pega o potinho e foge com ele”, conta ela.

Cama, mesa e banho

Quando o prato de comida do seu cachorro não combina com a decoração, há quem prefira investir em uma mesa de jantar canina. Com estrutura em materiais diferentes e acabamentos que chegam à sofisticação de madeira esculpida, elas são vendidas em pet shops de luxo (veja modelo na galeria) .

E se uma caixa com panos velhos não é suficiente, a cama maternidade abriga cadelas em trabalho de parto com conforto e estilo. Ela pode ser feita sob encomenda, com acabamentos e tamanhos adaptáveis (veja modelo na galeria) .

Por outro lado, quando o dono precisa estar ausente, quer ter certeza de que seu pet será tratado como estrela. Canis tradicionais podem fazer o serviço, mas uma empresa americana se superou. A equipe do Paradise Pet Lodge , um resort de luxo para cães e gatos com mais de 50 mil metros quadrados localizado em Washington, nos Estados Unidos, entende que os bichos de estimação dos clientes são extensões valiosas de suas famílias. “Nosso compromisso é oferecer serviços e cuidados da mais alta qualidade para cães e gatos”, avisam em sua página na internet.

As instalações incluem suítes, piscinas e bosques para caminhada. A massagem terapêutica de uma hora para cachorros custa 75 dólares. Um tratamento completo de banho e tosa personalizada, para um cachorro de porte médio, sai a partir de 55 dólares.

A passeio

Para levar o cachorro para uma volta pelo bairro basta passar a mão na coleira e na guia, certo? Nem sempre. Se no momento da caminhada começa a chover, não é preciso adiar o passeio. Uma empresa japonesa comercializa guarda-chuvas para cães . Acoplados a uma guia, eles permitem que o cão passeie sem se molhar. Eles são vendidos pelo site da empresa e custam o equivalente a cerca de R$ 38. Por aqui, existem capas de chuva diferentes e divertidas, como o modelo com pés e uma bolsinha, para carregar a capa molhada (veja imagem na galeria) .

Para os donos que pretentem deixar o pet bem estiloso durante o passeio, além das coleiras e roupinhas de grifes como Burberry e Ralph Lauren, os donos mais criativos investem também nas fantasias para cães : Mickey, princesas, coelho da Páscoa - tem de tudo. Para carregar o pet a tiracolo, bolsas de marcas internacionais também estão disponíveis (veja imagem na galeria) .

E se o seu cachorro tem dificuldades de locomoção, a cadeirinha de passeio é uma opção do mercado de pets. Feita à imagem e semelhança das cadeirinhas para bebês, elas permitem que o dono empurre seu amigo por aí. Mas se seu pet é perfeitamente saudável, cuidado! Para um animal sem deficiências, esse excesso de zelo prejudica. "Os cães precisam exercitar o faro. Se você o distancia do chão, impede que ele exerça essa atividade inerente à espécie. Vai completamente contra a natureza do animal", diz Mirela Tinucci Costa, professora doutora do Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária da UNESP.

O mesmo vale para o sling de cachorro . Feito para carregar bebês de colo, ele foi adaptado para o uso em pets. Mas deixar o cãozinho de pernas abertas dentro do sling pode ser muito prejudicial. Na opinião de Mirela, o sling é anatomicamente incompatível com a anatomia canina. "Pode danificar a articulação do bichinho, já que o coloca em uma posição que vai contra sua natureza quadrúpede", alerta.

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