Inspirada pela comandante Hildelene Bahia, da Marinha Mercante, Vanessa Cunha diz que olha para a superior ‘com orgulho’

Vanessa Cunha, de 29 anos, não nega que foram os bons salários pagos pela Marinha Mercante que a atraíram para o setor. Ela, porém, diz que bastaram alguns meses no ofício para se “apaixonar pela profissão”. Segunda na hierarquia do navio Rômulo Almeida (petroleiro da Transpetro), Vanessa vai protagonizar mais um feito profissional: ao lado da comandante Hildelene Lobato Bahia será a primeira mulher a comandar em dupla feminina um grande cargueiro no Brasil. Ela é a imediato.

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Sobre a vida em alto-mar ela afirma que a solidão é imperativa. “Impossível não se ter”. Para enfrentar a saudade faz planos para a hora de regresso. “Vivemos de escolhas e a dos marítimos é essa”, diz. Porém, Vanessa ressalta o orgulho que tem da profissão e não nega que sua trajetória foi inspirada na comandante Hildelene. “Quando eu comecei, em 2005, ela estava sendo nomeada a primeira imediato brasileira em navios mercantes, cinco anos depois foi a minha vez. Pude lembrar deste exemplo com orgulho”, afirma.

A seguir ela fala um pouco mais sobre a carreira e a vida no mar.

Vanessa é imediato de Hildelene, a 1ª mulher a comandar um petroleiro no Brasil
Divulgação
Vanessa é imediato de Hildelene, a 1ª mulher a comandar um petroleiro no Brasil

iG: É mais tranquilo ser imediato de um comandante mulher?
Vanessa Cunha: Nesta questão, não existe diferença entre comandante mulher ou homem, a responsabilidade é a mesma. Acredito que o fato de ser mulher a torna uma líder mais criteriosa e detalhista em alguns aspectos, pois muitos já me chamaram atenção sobre a minha forma de trabalhar como imediato em relação aos homens.

iG: Existe diferença em relação ao trabalho realizado sob comando de um homem?
Vanessa: Eu acredito que nós mulheres nos detemos à praticidade acima de tudo, e enxergamos o alvo como um todo e não apenas em uma única direção. O foco se torna mais amplo.

iG: Quando a senhora decidiu ser marítima e por quê?
Vanessa: Tenho que confessar que a escolha pela profissão se deu, inicialmente, por motivos financeiros. Foi na praticagem (estágio no navio) que eu descobri que realmente adorava a minha profissão.

iG: O que sua família achou da escolha?
Vanessa: Meus pais ficaram preocupados no inicio, principalmente o meu pai, por ser uma profissão predominantemente masculina. Eles só se acalmaram após a primeira visita a bordo e adoraram o ambiente de trabalho.

iG: A comandante Hildelene foi um exemplo para a senhora?
Vanessa: Sem dúvida, quando eu comecei a praticagem, em 2005, ela estava sendo nomeada a primeira imediato brasileira em navios mercantes. Exatamente cinco anos depois foi a minha vez. Pude lembrar deste exemplo com orgulho. Não imaginava que seria tão rápido!

iG: Como é a vida no mar? Bate solidão?
Vanessa: Solidão é impossível de não se ter. Não por estarmos sozinhos, pois estamos cercados de amigos, mas por lembrar daqueles que deixamos em casa. Fazer o quê? É a vida. vivemos de escolhas e a dos marítimos é essa. Nossa felicidade é saber que existem pessoas sonhando com o nosso regresso, assim como nós. Eu enfrento esta saudade fazendo milhares de planos para o retorno e para curtir cada feriado que eventualmente passamos embarcados, aniversário, natal, carnaval, nos dias de descanso em casa.

iG: Qual foi a viagem mais longa que a senhora já fez? Quanto tempo durou?
Vanessa: A docagem em Bahrein. Foi em 2006 quando embarcava no Navio Potengi. Saímos do Brasil dia 2 de novembro e voltamos em 21 de março do ano seguinte.

iG: Que experiência profissional a senhora nunca vai esquecer?
Vanessa: Foi o dia que me tornei imediato. A responsabilidade de assumir a operação de um navio e não poder cometer erros. Lembro que no dia que dei a primeira partida na bomba de carga do navio, no terminal em Rio Grande, senti uma grande emoção e responsabilidade. O que nos fortalece ainda mais nestes momentos são o apoio e o carinho recebidos por todos os companheiros de bordo.

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