Sinais da idade afetam muito mais do que a aparência feminina

Suely deixou de mentir a idade e assumiu os cabelos brancos. E a vaidade continuou a mesma
Arquivo pessoal
Suely deixou de mentir a idade e assumiu os cabelos brancos. E a vaidade continuou a mesma
Primeiro, ruguinhas aqui e ali. A pele já não era tão firme e a gravidade começou uma batalha contra o corpo. Mas foram os primeiros sintomas do climatério que fizeram a psicóloga Suely Oliveira, 52 anos, prestar atenção no processo de envelhecimento. “Em 2007, comecei a sentir os calores”, conta. “Era comum estar no computador e sentir um mal estar enorme pelo calor, achando que era o clima de Recife.”

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“Durante muito tempo eu escondi a minha idade, assumi depois dos 45 anos. Era tão difícil. Ser velho é uma coisa feia na sociedade”, diz. Ela quebrou mais um paradigma ao assumir os cabelos brancos. “Foi uma mudança radical, que faz parte da minha postura em relação ao envelhecimento.”

E conta que enfrentou muitos olhares de reprovação. “Não é uma eliminação da vaidade de forma alguma: cuido do cabelo, não saio de casa sem batom, lápis no olho, creme hidratante”. Mas ela confessa que, embora não se sinta menos feminina, nem sempre o olhar do outro entende assim. “Eu quero despertar a atração das pessoas, mas me senti menos olhada.”

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Muito além do espelho
Mas as mudanças físicas são superficiais, e não apenas literalmente. “São apenas mudanças superficiais, que acionam mudanças muito mais profundas de ansiedade, medo e depressão”, diz Vivian Diller, autora do recém-lançado “Encare o espelho!” (Ed. Cultrix). É o momento em que a mulher se olha no espelho e vê a mãe, ou em que alguém pergunta se ela tem netos. Ou, como no caso de Suely, a aproximação da menopausa. “A questão é aprender a lidar com o sentimento de medo e desespero.”

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“Focamos em permanecer jovens porque a expectativa de vida aumentou. Passamos pelo envelhecimento por muito mais tempo”, afirma Vivian. Ela e Jill Muir-Sukenick, coautora do livro, são psicólogas e ex-modelos que voltaram suas carreiras a analisar como a mudança da imagem afeta as mulheres emocionalmente. “Ainda temos poucos modelos de como viver esses anos longevos bem e desfrutar deles.” Para mulheres reconhecidamente bonitas, como modelos ou atrizes, o fardo é ainda mais pesado. “Quem investiu a autoestima em ser bonita vai certamente ter mais dificuldades conforme envelhecer.”

Perder o aspecto jovem pesa tanto porque, para as mulheres, as mudanças visíveis no rosto e no corpo são vinculadas ao fim da vida fértil, e logo, ao senso de feminilidade. Para homens, o fantasma é a perda de força, virilidade e poder. “Ainda que os papéis femininos tenham se ampliado para além da procriação, estamos programadas para ter esse senso de perda”, afirma.

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O medo de ser passada para trás por alguém mais jovem, tanto no casamento quando na carreira, também é uma constante, segundo a pesquisadora Vivian. “Medo é brochante. Quando as mulheres aprenderem a desapegar da imagem do seu eu jovem e aprenderem a redefinir sua beleza, vão poder ser e parecer atraentes na sua idade”, diz. “Mais do que os maridos, as mulheres são as maiores críticas da sua própria aparência no envelhecimento.”

Mariângela Guazelli diz que sentiu o baque quando foi chamada de
Arquivo pessoal
Mariângela Guazelli diz que sentiu o baque quando foi chamada de "senhora"
Envelhecer não é opcional
Com tanta pressão vinda da mídia, a indústria cosmética e de medicina estética têm um amplo mercado para novidades em tratamentos e recursos. “As pessoas chegam no consultório com uma ansiedade muito grande, procurando resultados imediatos e inalcançáveis, em função de padrões de beleza ditados”, afirma a dermatologista Carla Góes Souza Pérez, autora do livro Beleza Sustentável (Integrare Editora).

“O problema é quando a mulher tenta resgatar a beleza para compensar outras perdas pessoais”, diz dermatologista. Para ela, a fase mais cruel é entre os 40 e os 50. “Se você não se cuidou, você se dá conta que tudo mudou de repente.”

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Para evitar danos irreversíveis, a empresária Mariângela Guazelli 56 anos, começou a se cuidar há dez, com tratamentos estéticos e hormonais. “Eu falo muito com o rosto, com os olhos. Achei marcas de expressão na testa que eu nunca tinha percebido”, diz. Aos 45 anos, apareceu o primeiro cabelo branco, e ela sentiu o baque quando começaram a chamá-la de “senhora”.

Focada na carreira, Mariângela diz que não é de ficar na frente do espelho caçando ruguinhas. “Porque se você procurar, vai achar”, diverte-se. “Sempre fui muito consciente. Não adianta ter 56 anos e querer aparentar 20. Eu acho que a gente tem que saber envelhecer. A maior mudança é você se aceitar como você é.” Feliz com sua aparência, ela se casou aos 45 – prova de que não é só a pele de porcelana que atrai olhares.

Vivian Diller lembra que as mudanças exteriores para retomar a aparência jovem não são garantia de felicidade. “Nada impede totalmente o envelhecimento. Se os sinais da idade e imperfeições são vividos como falhas e defeitos das mulheres, tratamentos rápidos e cirurgias são irresistíveis, mas raramente funcionam”, afirma. A recomendação da psicóloga é aprender a cuidar, em vez de se preocupar. “Cinquenta não é no novo 15, mas 50 também não é o que costumava ser. Envelhecer é mudar e é normal”.

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