Escritores propõem reflexão sobre as mentiras contadas para evitar mágoas: até que ponto elas são válidas?

Falar a difícil verdade ou uma contar uma mentira agradável: dilema de compaixão
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Falar a difícil verdade ou uma contar uma mentira agradável: dilema de compaixão
Em artigo publicado recentemente no site do Huffington Post, o casal de escritores Ed e Deb Shapiro tenta responder a uma pergunta bastante presente no cotidiano de todos: por que mentimos para que nossos amigos se sintam melhor?

Para Ed e Deb, que têm 16 livros sobre meditação, psicologia e auto-ajuda publicados, mentir para as pessoas que amamos pode parecer uma forma de evitar magoá-las. Por outro lado, deixar de dizer a verdade para alguém querido também acarreta problemas.

No artigo, o casal relembra uma história passada com eles mesmos. Deb estava ao telefone com uma amiga que sempre se queixava da mesma coisa e tentava, pela enésima vez, animá-la e sugerir soluções para o seu problema. Cansada de tentar convencer a amiga, a escritora foi firme: "Você não está escutando as minhas sugestões, nem fazendo qualquer coisa que não seja reclamar. Você precisa começar a mudar".

Eles se perguntam: "Será que isso é ser amigo? É possível sermos honestos sem causar sofrimento?".

Para a especialista em yoga e ayurveda e consultora em qualidade de vida Márcia de Luca, as chamadas "mentirinhas brancas" - aquelas que não têm importância, como uma opinião sobre um vestido ou um novo penteado - podem ser melhores do que uma verdade dura.

Também vale lembrar que nem sempre somos chamadas a dar alguma opinião sobre o que quer que seja, do novo namorado de uma amiga à nova cor de cabelo que ela adotou. Nesse caso, Marcia recomenda a discrição. Mas, quando consultadas diretamente, o melhor é dizer a verdade.

Verdade e compaixão

Ed e Deb acreditam que, antes de expressar sua compaixão com um amigo, é essencial se perguntar se seu sentimento é construtivo. Não adianta mentir se isso não ajuda a pessoa, uma vez que o que mais queremos é ajudar aqueles que prezamos. Portanto, eles definem a amizade tanto como "a aceitação incondicional e compassiva do outro, mas também a habilidade de não incentivar a ignorância ou a neurose".

Nesse caso, Marcia lembra que há muitas maneiras de se dizer algo. Por exemplo: "acho que o caimento deste vestido não valoriza seu corpo" é bem melhor do que "você ficou feia com esta roupa". "Se é preciso dizer a verdade num momento difícil, procure uma maneira suave de dizê-la", recomenda.

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