Entenda o que leva as mulheres a usarem a rede para encontrar um amor

Por que elas procuram sites de relacionamento?
Getty Images
Por que elas procuram sites de relacionamento?
“Falta de oportunidade de conhecer gente fora da internet”. Esse é o diagnóstico da psicóloga paulistana Marina Vasconcellos. E é compreensível. Afinal, nem toda mulher está disposta a cair na noite para angariar candidatos. “A partir dos 30, muitas mulheres que estão solteiras não têm mais pique para sair – ainda por cima sozinhas, pois muitas vezes as amigas já estão casadas”.

Mas esse é só um dos motivos. “Se um homem está cadastrado em um site de relacionamento, significa que também está em busca de alguém, por isso, é uma barreira a menos para a mulher derrubar, o que facilita as coisas”.

Para a psicóloga, esta pode ser, sim, uma boa alternativa. Mas ela alerta que construir uma relação na rede sem levá-la à realidade pode ser uma fria. “É útil para conhecer alguém, mas não fique fantasiando: marque logo um encontro pessoalmente e, claro, em local público, durante o dia, para não correr riscos”.

Paulo Tessarioli, que também é psicólogo, explica que se existem sites de relacionamento – e se eles estão cada vez mais populares – é porque há necessidade, há procura. “Com o avanço da tecnologia, muitas situações mudaram. Esses sites abreviam o contato. Informações sobre as pessoas interessadas em se conhecer, ali, são acessadas muito mais facilmente do que nos tradicionais encontros presenciais”.

Além disso, outra razão que fez esse tipo de serviço cair nas graças das mulheres, segundo Paulo, é o anonimato. “O fato de poder se esconder atrás de uma identidade imaginária é atraente para muitas pessoas. Há, também, as que têm dificuldade em se relacionar socialmente e, por conta disso, não buscam conhecer um par em locais públicos”.

Por último, o psicólogo faz uma consideração importante: a de que o mundo virtual, para grande parte dos navegantes, é uma realidade que pode, sem que a pessoa perceba, aprisionar o usuário e isolá-lo do convívio social. “Não há nada errado em navegar e se filiar aos sites de relacionamento. Mas tome cuidado para não tornar isso a sua única opção de contato com outras pessoas”, aconselha.

Do outro lado da tela

A A2 encontros (www.a2encontros.com.br) possui um cadastro com mais de 12 mil clientes ativos. Segundo a diretora Cláudya Toledo, costumam ser pessoas de bom nível cultural e financeiro e, em sua maioria, mulheres (60% elas, 40% eles). “Os inscritos estão em busca de um relacionamento afetivo único e estável e, para isso, optaram por um método seguro, prático e sigiloso. São pessoas que não têm tempo para sair da rotina de trabalho ou que não querem frequentar casas noturnas e bares”.

Segundo ela, a vantagem dos serviços de cupido são muitas. “Eles ampliam as chances de encontrar a pessoa certa, evitando a perda de tempo e o desgaste de conhecer candidatos fora do seu perfil de interesse”, garante. Ela explica que seu site não funciona como o Orkut, por exemplo, pois há uma pesquisa feita pela empresa para unir pessoas compatíveis. “Há uma seleção antes das apresentações, de acordo com as características”.

Elas falam

“Já conheci dois homens que valeram a pena”, diz Lúcia*, 48 anos. Ela usou os sites convencionais da rede, gratuitos, e que dependem mais da sorte, pois não há nenhum filtro, além do próprio feeling. “Com ambos, eu tive relacionamentos longos. Mas o segundo foi mais importante e fui conhecê-lo em um país da Ásia”, revela, aos risos. E Lúcia conta que fez o oposto do que todos aconselharam até agora.

“Fui, no escuro, conhecer um homem do outro lado do mundo, depois de conversar quase um ano via internet. Larguei meu emprego e fiz essa loucura. Mas valeu”. Ela, que é divorciada e mãe de dois filhos, assustou todo mundo com a decisão, o que não a impediu. “Meus filhos são adultos e independentes. Achei que tinha o direito de viver essa aventura e vivi. Morei um tempo lá e ele um tempo aqui. Foi bom”.

Gisele* não teve a mesma sorte. A única coisa que a moça de 29 anos conseguiu, além de relacionamentos superficiais, foi entrar em algumas barcas furadas. “Já conheci um homem completamente pirado, depressivo, que depois ficava me ligando de madrugada. Em outro encontro, era um mais novo, que queria uma tonta para lhe pagar as contas. Fora os mentirosos, os safados, os que publicam fotos 10 kg mais magro ou 10 anos mais novo... É difícil”. Mesmo assim, ela ainda investe. E conclui: “é, no mínimo, divertido”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.