Ansiedade, insegurança ou apenas curiosidade? Saiba por que saber o que vai acontecer daqui algum tempo fascina e intriga

O fascínio exercido pela ideia de prever o futuro está no centro da novela
João Miguel Júnior/TV Globo
O fascínio exercido pela ideia de prever o futuro está no centro da novela "O Astro"
Tarô, búzios, cartas, signos, runas, borra de café e tantos outros. São vários os recursos que as pessoas utilizam para tentar se adiantar ao futuro antes de ele acontecer de fato. Por que a ideia de que é possível saber o que vai acontecer daqui a alguns meses ou anos provoca tanto fascínio?

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“É inerente ao ser humano se sentir inseguro diante de situações inesperadas, que não consegue controlar”, afirma a psicóloga Rosangela Martins. Diante deste cenário de incertezas, muitos procuram respostas antecipadas seja através da leitura diária de seu signo ou visitando uma cartomante.

A psicóloga clínica e docente das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) Cristiane Marcelino concorda: “O desejo que temos em prever o futuro é devido à necessidade inerente que temos de controlar os eventos em nossas vidas.”

“Eu recebo meu horóscopo pelo email todos os dias, sigo outro horóscopo pelo twitter e tenho dois aplicativos de tarô no meu iPhone”, revela a consultora de Tecnologia da Informação, Daniela Yurica Kariya, 33. “Eu acho que esse meu interesse tem a ver com uma curiosidade natural, alguma necessidade de aprovação – de alguém te falar que você está no caminho certo – e, claro, certa dose de ansiedade.”

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A psicóloga Ana Cavalcante afirma que não existe apenas uma resposta para este fascínio diante da previsão do futuro. “Além de ser bastante tentador ter o controle da situação sabendo de forma antecipada o que vai acontecer, também existe a ansiedade, que é muito latente em algumas pessoas”, diz. Ela explica ainda que a insegurança diante de incertezas é um fator muito importante. “Existem pessoas que não conseguem tomar decisões sozinhas, principalmente quando são muito importantes. Seguir o conselho de um vidente pode isentá-las da responsabilidade caso algo venha a dar errado.”

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Qualquer decisão que tomamos envolve riscos e responsabilidades em assumi-las. Em qualquer circunstância em que alguém decide por nós, a responsabilidade passa a ser de quem decidiu, afirma Cristiane. “Se por um lado parece uma situação confortável, por outro, e antagônicamente, deixamos totalmente de exercer controle não apenas de nossa vida como de nossas escolhas”, explica.

Como usar as informações?
Ana Cavalcante reforça que seguir essa curiosidade não faz mal, desde que com senso crítico. “Se der uma olhada no seu horóscopo toda manhã for apenas por curiosidade, não tem problema. O que não é indicado é pautar o seu dia todo apenas com base no que você acabou de ler. É preciso saber usar as informações de maneira saudável”, diz.

“A leitura do horóscopo ou o contato com qualquer outro oráculo funciona como o som de um sino que toca conteúdos internos de quem o consulta. A partir dessa vibração, cada um interpreta o que viu ou o que leu de um jeito”, define a astróloga Monica Horta.

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A funcionária pública Maria Aparecida Cândido fez sua primeira consulta para tentar desvendar o futuro há mais de 30 anos. De lá pra cá, procurou orientações algumas outras vezes. “Eu gostei muito quando fiz meu mapa astral. Achei que foi bastante preciso e enxergou muitas características minhas e das pessoas do meu convívio”, revela.

Monica esclarece que a astrologia, por exemplo, não faz previsões de fatos concretos. “A astrologia prevê a qualidade do tempo, da época pela qual determinada pessoa vem passando.” Para entender isso, de acordo com Monica, é preciso ter em mente que um mapa astral não é individual: ninguém é dono do dia e hora em que nasceu. Num mesmo momento nascem pessoas diferentes, com destinos diferentes. “O que eles têm em comum é a qualidade do momento que estão vivendo. Sob uma mesma influência astrológica um pode morrer e outro ganhar na loteria, por exemplo. O astrólogo ajuda a pessoa entender o momento pelo qual está passando. Não dá ordens e nem conselhos”, explica.

O momento certo
A necessidade de saber o futuro tem muito a ver com o momento pelo qual a pessoa está passando. “Em alguns momentos da vida em que se espera por alguma notícia importante, como passar no vestibular, conseguir a tão desejada vaga de emprego ou saber se esta sendo correspondida no amor, algumas pessoas acabam buscando a resposta em ditos videntes por não conterem a ansiedade que tal expectativa gera”, afirma Rosangela Martins.

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Maria Aparecida é um exemplo disso. Ela conta que a primeira vez que procurou uma pessoa para ler cartas vinha passando por alguns problemas pessoais. “Eu tinha curiosidade também. Mas acho que a gente acaba procurando este tipo de coisa com mais frequência quando estamos com algum tipo de problema e precisamos de orientação.”

De acordo com Rosangela, ocasiões como estas deixam a pessoa mais suscetível a aceitar conselhos sem questioná-los. Ana acrescenta que estes conselhos devem ser digeridos antes de qualquer coisa. “É preciso ouvir e filtrar pela razão. Analisar as consequências que aquela decisão terá em sua vida é fundamental”, afirma.

Livre-arbítrio
Apesar de entusiasta, Daniela não acha que a previsões devam ser seguidas à risca. “Nunca mudei uma decisão porque o vidente me falou que de outro modo seria melhor”, afirma. Ela gosta mesmo é de poder falar no assunto sem ter o peso na consciência de ficar “alugando” os amigos com seus problemas. “Fico duas horas falando só sobre mim. Acho bom, porque a pessoa não me conhece e me diz coisas que um familiar, por exemplo, não diria.”

A astróloga Andreia Modesto aconselha seus clientes com relação à melhor forma de usar as informações fornecidas pelos astros. “Não acredito que as pessoas queiram previsões no sentido mágico. Sempre oriento meus clientes que aquilo deve ser encarado como um trabalho de auto-conhecimento muito importante e que todo mundo pode usar o livre-arbítrio em suas decisões.”

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