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Por que gastamos mais dinheiro do que temos?

Mau exemplo em casa, dificuldades emocionais e falta de educação financeira são a receita para deixar a conta do banco no vermelho

Verônica Mambrini, iG São Paulo | 05/09/2011 06:25

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Foto: Divulgação

Não é só falta de educação financeira que explica o comportamento da protagonista de "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom"

A dívida começou há oito anos, quando Jayme Borges, 30 anos, estudante de direito, veio de Curitiba para São Paulo para trabalhar e fazer pós-graduação. “Quando você sabe que vai ter salário, começa a gastar o que não tem. Só que perdi o emprego e fiquei me endividando no cartão para pagar as contas. Estourei e parcelei várias vezes”, conta Jayme. “Só sobrou dinheiro para o aluguel e para a comida do gato. Cheguei a ficar com R$ 4 no bolso. Aproveitei uma promoção do supermercado e sobrevivi à base de paçoca e água por duas semanas.”

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Ao se empregar de novo, Jayme até começou a pagar o que devia e reassumir as próprias contas, com ajuda do namorado, bem mais organizado financeiramente. “Mas fui demitido e, dos R$ 7 mil da rescisão, gastei uns R$ 4 mil em camisas pólo numa tarde. O emocional pesou, mas na hora eu não me dei conta disso”, conta o estudante.

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Comportamentos assim são totalmente irracionais, fogem à lógica. “A forma que lidamos com dinheiro está marcada por várias questões emocionais, desde a infância”, diz Jacqueline Kaufmann, psicóloga financeira e terapeuta sistêmica. “Dinheiro está inserido em todas as famílias e a relação que se tem com ele marca a pessoa”, afirma a psicóloga.

De acordo com Jacqueline, a tendência das pessoas é repetir o padrão que aprenderam em casa. Nos casos em que isso gera uma relação negativa com o dinheiro, é preciso avaliar as origens do mau comportamento. Há também quem caia no extremo oposto do comportamento aprendido, para fugir do padrão: diante de pais sovinas, há filhos que viram perdulários extremos.

Shoppingterapia
Não é difícil achar quem se identifique com a viciada em compras Becky, do filme “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”. No melhor estilo da personagem, a consultora em relações internacionais Ana Paula Rassi, 37 anos, decidiu cancelar o cartão de crédito para se proteger. “Costumo fazer ‘shoppingterapia’ em situações de extrema ansiedade ou em liquidações imperdíveis. No momento, estou bem controlada, com alguns escorregões”, revela.

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Depois de liquidações, principalmente em viagens, ela fica meses sem comprar “nem uma caixinha de fósforo”. Ela já aliviou ansiedade e depressão com compras. “Fizeram muito bem para mim naquele momento – naquele momento apenas – porque preencheram um vazio. Acho que é isso que acontece.” Para Jacqueline, “dinheiro quer dizer independência, ser dono da sua vida, ter poder, controle”. Dependendo da associação que se faz, é fácil ir para o shopping e extrapolar, para tentar suprir uma necessidade emocional.

Educar é melhor que remediar
Uma forma eficaz de prevenir que a espiral que leva a pessoa a gastar mais do que tem é investir em educação financeira. “Nada contra realizar desejos, mas é preciso aprender a diferenciar o desejo e a necessidade. Crédito é para emergências. Para realizar desejos, o ideal é juntar o dinheiro antes”, diz Sheila Maia, professora do curso de administração e especialista em finanças pessoais da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro. Ou seja, mesmo quem é emocional e impulsivo dinheiro pode se beneficiar ao entender como o jogo financeiro funciona. “Nossa geração é descontrolada por casa da inflação; você gastava o dinheiro logo porque não sabia o preço do açúcar amanhã”, afirma.

Essa mentalidade, aliada à oferta de crédito que existe hoje, é uma bomba-relógio financeira. “Em fevereiro tem carnaval e as operadoras de turismo dividem em dez vezes os pacotes. Logo depois tem a Páscoa, com ovos parcelados. Em maio, Dia das Mães, mais parcelas. Dia dos Namorados em junho, Dia dos Pais em agosto, Dia das Crianças em outubro. No Natal, mais presentes. Em janeiro, IPTU e IPVA. Não tem jeito, vira uma bola de neve”, diz Sheila.

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É preciso organização para saber quanto da renda pode ser comprometida e controle para não estender no prazo o pagamento de itens que podem ser quitados à vista. Como parcelas pequenas dão a falsa sensação de “caber no bolso”, a pessoa se ilude sobre o tamanho da dívida total e se endivida.

Ladeira abaixo
O estudante Nilton Henrique Santos Leão, 22 anos, é devedor há quatro anos. “Devo para os bancos Itaú, Santander, Real e Riachuelo. Comprei pouca coisa, mas os juros engordaram a conta”, diz. “Acredito que foi falta de conhecimento e a criação: minha mãe faz compras por impulso”, diz. “Eu acreditava que podia me endividar um pouco e me acertar depois, o que não deu certo”. Nilton ainda está quebrando a cabeça para resolver como vai pagar as dívidas.

“Os apelos do comércio impulsionam ao consumo, a pessoa acaba induzida a comprar”, diz Omar Malheiro, diretor da financeira ATN Capital. “As pessoas compram mais do que podem, pagam juros, em vez de poupar uma parte do salário, porque têm otimismo de que tudo vai dar certo amanhã”, alerta Sheila, da ESPM-RJ.

Não olhar as próprias contas com cuidado é outro indício de que as emoções podem estar negligenciadas. “Gastos impulsivos não são comportamentos racionais. Fugir das próprias contas é inconsciente. Quando eu fujo dessa responsabilidade, provavelmente fujo de outras, como situações conflitantes. Geralmente, faz parte de um contexto bem mais amplo”, diz Jacqueline.

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46 Comentários |

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  • Tadeu | 08/09/2011 09:09

    Comecei a me organizar financeiramente usando uma relação de contas a pagar no mês, aí vou marcando o que já foi pago, e de 10 em 10 dias tiro extrato bancário para ver o que já foi pago. Uso o cartão de crédito de maneira racional, concentro nele as contas a pagar, mas não me iludo: se tenho 300 reais de cartão para pagar, tenho de pagar os 300,00, pois se eu parcelar, tchau controle financeiro. Agora, cá entre nós, você estar cheio de dívidas e numa tarde gastar 4 mil em camisas pólo, é o fim do poço; acorda pra vida, irmão!

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  • Tadeu | 08/09/2011 09:09

    Comecei a me organizar financeiramente usando uma relação de contas a pagar no mês, aí vou marcando o que já foi pago, e de 10 em 10 dias tiro extrato bancário para ver o que já foi pago. Uso o cartão de crédito de maneira racional, concentro nele as contas a pagar, mas não me iludo: se tenho 300 reais de cartão para pagar, tenho de pagar os 300,00, pois se eu parcelar, tchau controle financeiro. Agora, cá entre nós, você estar cheio de dívidas e numa tarde gastar 4 mil em camisas pólo, é o fim do poço; acorda pra vida, irmão!

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  • Antonio Gregório de Souza | 07/09/2011 22:57

    Paraq muitas pessoas o cartão de crédito é a causa do descontrole financeiro. Para mim é o contrário. Concentro todas as minhas compras em um só cartão para facilitar o controle. Mesmo que eu compre algumas frutas no mercado, ao chegar em caso anoto o valor da compra num caderno. Nos dias dez, vinte e trinta de cada mês somo os gastos e comparo com as despesas do mês anterior. Só compro o que minha família e eu necessitamos. Detesto esses dias especiais que fazem a alegria dos comerciantes e o desespero dos consumidores compulsivos. Presenteio os meus entes queridos, todavia não me deixo conduzir pelas propagandas. Tenho contas em dois bancos e possuo dois cartões especiais, mas não os utilizo. Sou aposentado e vivo tranquilo com a miséria que o INSS deposita mensalmente em minha conta bancária. Não me considero um sovina, apenas sei controlar minhas finanças.

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  • ÉDILA SANTOS | 07/09/2011 18:54

    Concordo em parte com o Marcelo, pois que , somos de fato bombardeados a todo o o momento por propagandas que realçam qualquer coisa que de fato precisamos mas que não são inadiáveis.Todavia há que ver que temos de nos educar e sim RESISTIR a tais apelos e naturalmente ser dono da sua vontade, do seu cartão , da sua vida. Ora, bolas.o capitalismo nos dá a oportunidade de termos o que quisermos, mas não nos obriga a fazer o que não podemos.Tenho amigas que para não gastar deixam o cartão de crédito em casa e saem portanto sem eles.Eu como sou dona dele e não ele de mim, fico com os três na bolsa e não compro nada , nada mesmo desde outubro 2010. A dívida que tinha a dividi em 11 vezes e já estou na 3ª parcela continuando sem comprar.NADA. Devemos aprender, como eu, a duras penas concordo que, não é fácil, mas é necessário.Veja o quanto na prestação do cartao da importância que se paga- mesmo sem ser o mínimo-, o que vem de juros e encargos ultrapassam 50%.Caí fora.Mas defendo os cartões, e advogo o recurso de você fazer mais economia, desejar menos e ....sabe o que acontece, o que teno visto é que passa a "fome" de gasto.com certeza. o crédito fácil é como o indivíduo que está com muita fome (de verdade) e ao sentar-se na mesa esquece que o cérebro nosso precisa de 20 minutos para processar a nossa saciedade do comer., passados estes minutos que vc pode passar pensando em algo que tem a fazer, uma coisa boa que pretende realizar a noite, etc.etc . e aí comece a comer devagar e veja o que acontece.No caso das finanças isso corresponderia a um contrôle rígido e que o levaria a controlar-se e....endividar-se menos, No caso da fome os indivíduos com certeza não teriam tanta gordura, ou como se diz em boa linguagem, não teriam o tal sobrepeso, que no caso das finanças é o endividamento feroz.É isso.Tenho-me dado bem, sem frustrações de nenhuma espécie por ter de gastar só o que posso e portanto comprar no cartão de DÉBITO e ainda anoto tudo que faço na rua no caderno de HAVER E DEVER.pORTANTO NÃO PODEMOS PARTIR PARA ARRANJAR CULPADOS NESTTE NEGÓCIO QUE É SÓ de cada um de nós. Osistema seria impiedoso se nos proibisse de comprar, portanto nós é que nos devemos "policiar" e nos obrigar a nos controlare não nos endividar. É ou não é?. CONTROLE É FUNDAMENTAL!É O QUE PENSO.

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  • ÉDILA SANTOS | 07/09/2011 18:53

    Concordo em parte com o Marcelo, pois que , somos de fato bombardeados a todo o o momento por propagandas que realçam qualquer coisa que de fato precisamos mas que não são inadiáveis.Todavia há que ver que temos de nos educar e sim RESISTIR a tais apelos e naturalmente ser dono da sua vontade, do seu cartão , da sua vida. Ora, bolas.o capitalismo nos dá a oportunidade de termos o que quisermos, mas não nos obriga a fazer o que não podemos.Tenho amigas que para não gastar deixam o cartão de crédito em casa e saem portanto sem eles.Eu como sou dona dele e não ele de mim, fico com os três na bolsa e não compro nada , nada mesmo desde outubro 2010. A dívida que tinha a dividi em 11 vezes e já estou na 3ª parcela continuando sem comprar.NADA. Devemos aprender, como eu, a duras penas concordo que, não é fácil, mas é necessário.Veja o quanto na prestação do cartao da importância que se paga- mesmo sem ser o mínimo-, o que vem de juros e encargos ultrapassam 50%.Caí fora.Mas defendo os cartões, e advogo o recurso de você fazer mais economia, desejar menos e ....sabe o que acontece, o que teno visto é que passa a "fome" de gasto.com certeza. o crédito fácil é como o indivíduo que está com muita fome (de verdade) e ao sentar-se na mesa esquece que o cérebro nosso precisa de 20 minutos para processar a nossa saciedade do comer., passados estes minutos que vc pode passar pensando em algo que tem a fazer, uma coisa boa que pretende realizar a noite, etc.etc . e aí comece a comer devagar e veja o que acontece.No caso das finanças isso corresponderia a um contrôle rígido e que o levaria a controlar-se e....endividar-se menos, No caso da fome os indivíduos com certeza não teriam tanta gordura, ou como se diz em boa linguagem, não teriam o tal sobrepeso, que no caso das finanças é o endividamento feroz.É isso.Tenho-me dado bem, sem frustrações de nenhuma espécie por ter de gastar só o que posso e portanto comprar no cartão de DÉBITO e ainda anoto tudo que faço na rua no caderno de HAVER E DEVER.pORTANTO NÃO PODEMOS PARTIR PARA ARRANJAR CULPADOS NESTTE NEGÓCIO QUE É SÓ de cada um de nós. Osistema seria impiedoso se nos proibisse de comprar, portanto nós é que nos devemos "policiar" e nos obrigar a nos controlare não nos endividar. É ou não é?. CONTROLE É FUNDAMENTAL!É O QUE PENSO.

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  • Divaldo | 07/09/2011 18:06

    Leia as materias.\ntodos aqui em casa precisamos nos disciplinar,

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  • Samuel | 07/09/2011 10:51

    Graças a exemplos familiares nunca gasto mais do que ganho e nunca entro em dívidas baseado nos impulsos de consumo. Planejo os gastos e gasto somente o que é necessário, abrindo alguma margem para uns superflúos, viagens, agrados.\n\nPor exemplo, acho um absurdo os valores cobrados por certos restaurantes nobres: couvert, estacionamento, serviço, entrada! \n\nOutra regra seguida é pesquisar SEMPRE e MUITO. Depois de checar em muitos e muitos lugares, me decido pelo mais barato.

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  • vagner | 06/09/2011 16:12

    Como ditado diz , quem nunca comeu melado , quando come se lambusa , o créito era escaso no Brasil , quando os bancos e financeiras abriram as linhas de crédito com juros altissimos , todo mundo se endividou ,antigamente que comprava casa e carro financiado eram visto como duros sem grana , pq a maioria demorava mais comprava avista , hoje todo mundo tem algumtipo de financiamento e ainda se julgam espertos , vai entender

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  • Cris | 06/09/2011 11:57

    Nem sempre gastamos mais que ganhamos.\nNossos salários não aumentam da mesma maneira que são os valores dos produtos.\nSe há um aumento de 10,15% nosso aumento não chega a 8%, como é possivél se manter dessa maneira?\n

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  • ANDRÉ | 05/09/2011 19:17

    O Brasil foi feito para dar errado mesmo , não há outro caminho , uma educação pública péssima , de quinta categoria , um povo semi analfabeto e burro , que não enxerga um palmo à frente do nariz , e , para ajudar , os bancos deitam e rolam em cima da população com a usura dos empréstimos , quero ver isso aqui daqui 20 anos , no mínimo estaremos igual ao Zâmbia ou a Serra Leoa . Que tristeza no país do futebol , não é mesmo ???

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