Andrea aceitou abrir mão de sua própria vontade durante anos, por achar que isso é o que uma "boazinha" deveria fazer
“Eu sou assim mesmo”. Quantas vezes ouvimos - ou falamos - essa frase ao longo da vida, principalmente para justificar atitudes que alguns recriminariam? Dar ênfase muito grande a uma característica mais marcante que você tenha pode trazer consequências em longo prazo. Os rótulos, sejam eles dados por outras pessoas ou por você mesmo – a autorrotulação -, podem te prender a uma imagem que exigirá muito esforço para ser cultuada ao longo da vida.
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“Eu sempre fui a ‘boazinha’. Fazia tudo que me pediam e esquecia o que eu realmente desejava. Hoje, consigo ver que isso me trouxe diversos danos”, conta a psicóloga Andrea Pavlovitsch, 35. Por muito tempo, ela aceitou o rótulo como uma definição real sobre sua personalidade. E acredita que, se tivesse descoberto antes os problemas que isso causava, teria curtido mais a sua própria vida. “Deixar de ser eu mesma e de tomar decisões importantes foi muito ruim. Às vezes, você olha para sua vida e vê que poderia estar mais evoluída, ter um presente melhor. Poderia ter feito muito mais coisas que te dessem prazer, ao invés de sempre fazer os outros felizes.”
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A restrição que o rótulo traz é um problema recorrente aos que se definem ou são definidos por apenas um aspecto de sua personalidade. A psicóloga clínica e psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) Blenda de Oliveira explica que o rótulo prejudica o relacionamento entre as pessoas. “A relação fica comprometida, carente de espontaneidade e flexibilidade. Você só pode ser uma coisa. Suas escolhas são fiscalizadas para que sejam compatíveis com o seu rótulo. Se você é o ‘inteligente’, por exemplo, não pode cometer enganos ou erros. Não é permitido.”
Zona de conforto
“O questionamento é muito difícil, doloroso até. Se você não se questiona, não sai daquela zona de conforto onde você já sabe tudo que pode acontecer”, avalia a psicóloga Juliana Corazza Scalabrin. A zona de conforto é aquela em que a gente se explica, ainda que pra gente mesmo, com o famoso “eu sou assim, não tem jeito”. Mesmo que essa zona de conforto não seja tão boa assim. “Ser muito legal com as pessoas, por exemplo, pode te fazer deixar suas escolhas de lado. Não é bom, mas você já sabe a rotina, como tudo vai acontecer. Não terá que lidar com uma situação inusitada, não terá que decidir algo. Os outros que decidem e você apenas concorda”, completa.
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Ser legal era exatamente do que Andrea se orgulhava. “Eu tinha um sentimento de vaidade. Pensava: ‘olha como sou legal, como todos gostam de mim’”, explica. Ela se justificava para si mesma e para quem questionasse sua mania de se anular dizendo que aquela era sua maneira de ser. “Eu sou assim mesmo. Repetia isso até para minha terapeuta. Eu me autorrotulava de ‘a boazinha’ desde muito nova. Achava que era uma coisa boa. E também era o que eu sabia fazer.”
Foi o incômodo em sempre ver suas vontades deixadas em segundo plano que fez a psicóloga ter força de vontade e mudar. “Fazia muita coisa contrariada. Queria ir ao cinema, mas me contentava com outra coisa porque eu era legal e topava qualquer coisa. Não impunha minha vontade nunca. Chegou um momento em que percebi que vivia para satisfazer a vontade dos outros. Li um livro sobre o assunto e resolvi mudar. Não queria mais ficar incomodada fazendo coisas que não tinham nada a ver comigo.”
Blenda afirma que é justamente através do sofrimento e do incômodo que a pessoa começa a questionar sua realidade. “Questionar é o início de tudo. Você começa a perceber que o rótulo traz uma falta de flexibilidade. A rotulação pode ser fonte de problema e tristeza”, diz.
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Consumismo assumido
Mas nem todas as pessoas se incomodam com os rótulos. É o caso da educadora Crystiane Leite, 24, que se define como consumista assumida. Gosta de comprar e não se incomoda com possíveis críticas. “Sinto muito prazer com a atividade de comprar. Às vezes, me sinto culpada comprando coisas que não preciso, e penso que poderia ter usado o valor da compra em algo mais útil”, confessa. Por isso, Crystiane afirma que doa o que compra por impulso. Ela confessa que costumava ouvir com frequência que comprava coisas desnecessárias. Hoje, nem tanto. As pessoas estão mais habituadas ao seu jeito de ser.
Apesar de não se sentir incomodada e saber que é muito mais do que apenas uma de suas características, ela admite que muitas pessoas enxergam só o que está à sua frente. “Uma das minhas características é gostar de comprar, mas sou mais que isso. O problema é que muita gente, por puro comodismo, prefere olhar apenas certos pontos e acham que a pessoa é só aquilo”, afirma Crystiane.
Juliana diz que um benefício pode ser observado com a rotulação. “Algumas pessoas acabam inseridas em determinados grupos com uma característica em comum. Muitas vezes isso não traz problemas e representa uma possibilidade de inserção”, explica. Mesmo admitindo que o rótulo pode ter seu lado positivo, ela alerta para o fato de que ele deve ser apenas um instrumento e não um fonte de submissão ou restrição. “É preciso tomar muito cuidado para não se tornar um ser humano restrito, dentro de um grupo restrito de pessoas.”
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Quantas vezes respondemos o que desejamos e não medimos a consequência de quem esta observando, nosso maior problema não é para quem atingimos e sim que nos observa.\nSe levar em conta que em 4 min, uma pessoa forma em sua mente a imagem de determindada pessoa e o fator principal é o comportamento, teremos muito trabalho para retirar esta imagem depois.
Responder comentário | Denunciar comentáriointeressante essa matéria pq justamente nessa semana tive um desentedimento com minha mae pq ela se distanciou de mim pq eu sou "fechada no meu mundo" e sempre fui assim mesmo e gostava de dizer que não aceito visitas no meu mundo,mas como nunca havia brigado com minha mae,essa discussão me fez ver que será q realmente sou feliz assim?será época de mudança?aos 27 anos será a hora de reavaliar o pq as pessoas se afastam?mesmo eu sendo feliz no meu cantinho?
Responder comentário | Denunciar comentárioO interessante é que a existencia humana é uma dialetica o tempo inteiro, o confivio social nao é facil as pessoas que de certa forma sao mais dominadoras que outras, e mais o comportamento desenvolvido por influencia familiar, pois sempre carregamos o arquetipo de nossas familias e por aí vai, enfim nos somos produtos do meio que viemos talvez de uma forma arranajada a qual resulta tambem o nosso comportamento, mas sim é necessario estarmos atentos a nossas manias e formas de ver o mundo, de dialogar com as pessoas, de nos colocarmos diante das ideias e de como dialogamos isto tudo, e etc..........
Responder comentário | Denunciar comentárioO problema é que o rótulo que nos é dado, o de "boazinha" por exemplo, faz com que certas pessoas se aproveitem para sempre estar nos escravizando.\n Fiquemos atentos, e digamos NÃO quando não queremos atender à pedidos!!!!!
Responder comentário | Denunciar comentárioEu me autorrotulo "boca-dura" especialmente no ambiente de trabalho: sou o tipo de pessoa q ñ leva desaforo prá casa e digo a quem quiser ouvir q apenas respeito quem me respeita... Mas ñ falo isso da boca prá fora: cumpro meus deveres, mas exijo meus direitos e levo isso ao pé da letra! Uso o rótulo como mecanismo de defesa: somente quem pensa como eu se aproxima, mesmo pq costumo dizer q ñ vim ao mundo prá fazer "amizades vazias" q em nda me acrescentam!
Responder comentário | Denunciar comentáriolidia | 11/08/2011 10:40
as pessoas acreditam que não levar desaforo para casa, ou em outras palavras ser reacionário é sinal de força de caráter quando na verdade mostra o contrário. o ato de mostrar aos outros a própria realidade é extremamente bem vindo, mas tome cuidado como você expõe isso pois quem pode se prejudicar é você.
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clara | 11/08/2011 10:12
Eu também tenho esse "problema" sou boca dura mesmo e respondo quem quer que seja. Essa é a atitude que eu espero de mim... Mas as vezes me sinto cansada e tudo o que eu queria era ficar quieta no meu canto...
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Edson | 11/08/2011 08:32
Oi tudo bem\ngostei do seu comentário quer ser minha amiga\ngaranto que vamos acrescentar muita coisa um ao outro.
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Mirian | 11/08/2011 08:29
É isso aí Rô,tambêm sou assim,nao só no trabalho,mas na minha vida toda,respeito quem me respeita,e faço questão da amizade de quem faz questão da minha tbm,ou sela sou uma pessoa de pouco amigos.
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Adriana | 10/08/2011 16:49
Olá ! Mas vc não costuma ser nem um pouco diplomatica? Tipo com chefe ?\nAdriana
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