Como fazer para que donos e animais vivam felizes e saudáveis sob o mesmo teto

Boris tem acesso irrestrito à casa, o que exige cuidados
Claudio Capucho/ Fotoarena
Boris tem acesso irrestrito à casa, o que exige cuidados
O pug Boris é quase uma sombra dos membros da família Peneluppi. Quando Renan, 25 anos, está em casa, Boris vai atrás dele, pede colo, faz graça, assiste tevê junto no sofá – e, se precisa ir para seu cantinho, obedece. “Ele sabe qual é o lugar dele. Apesar de passar o dia pela casa, subir no sofá e na cama, só deixamos ele dormir na caminha dele, na área dele, trancado”, diz Renan. Como a maioria dos pets, Boris precisa seguir algumas regras, mas tem livre acesso à rotina da família.

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Cachorro andando pela cozinha ou gato tirando soneca na cama dos donos são cenas que arrepiariam a geração dos nossos avós, mas casas e apartamentos menores estreitaram a convivência entre animais de estimação e seus donos, tornando a divisão do espaço obrigatória para quem pretende manter um bicho num local menos espaçoso. Mas ainda há quem torça o nariz para essa proximidade. “Se tem alguém realmente desconfortável com a presença dele, ele fica preso na cozinha e área de serviço”, diz Renan.

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Para o cachorro não causar problemas nem para a família nem para vizinhos e visitas, eles pesquisaram sobre a raça e escolheram o pug por ser extremamente sociável, não latir e ser um cão tranquilo. Renan também contratou um treinador para o cachorro, que aprendeu a obedecer comandos com facilidade. Até as crianças da família entram na brincadeira. “Tenho um sobrinho de um ano que gosta muito do Boris. Quando os dois interagem, seguramos o Boris para ele ir se acostumando com meu sobrinho, que gosta de tirar a chupeta e esticar o rostinho perto da boca do cachorro pra tomar lambidas... ele se diverte”, conta Renan.

DICAS PARA UMA CONVIVÊNCIA SAUDÁVEL

Bicho saudável, família feliz
Para essa interação não causar problemas, a saúde do cão tem que estar em perfeita ordem. As principais medidas, tanto para cães quanto para gatos, é cumprir o calendário de vacinas obrigatórias e vermifugação a cada seis meses ou a cada quatro, no caso de animais com bastante acesso à rua. É necessário cuidar da prevenção de parasitas, como pulgas e carrapatos também, que podem vir inclusive pelas roupas do dono, na volta de um passeio na rua. “O animal não é higiênico, ele lambe o chão, a pata que pisou no chão. Pode pegar os ovinhos de verme inclusive pelo sapato do dono”, adverte a veterinária Taíza Sanna.

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Mesmo com animais bem cuidados, a veterinária não recomenda que eles durmam com o proprietário na cama, por precaução. “Sempre há risco de transmitir zoonoses, como lombriga, bicho geográfico, toxoplasmose. Gato enterra as fezes, e por isso tem unhas extremamente contaminadas, por exemplo.” A atenção tem que ser maior ainda em casas com crianças, que não distinguem que brinquedos são do bicho e quais são delas, e podem levar à boca objetos contaminados.

Na casa do violinista Luiz Fernando Cadorin, 29 anos, dono do gato Mingau, os cuidados de higiene são reforçados. Além das vacinas, o gato toma banho e faz tosa higiênica com frequência. Mingau é adestrado pelos donos para não subir em mesas e na pia, embora de vez em quando o bichinho burle a regra. “Eu sei que ele sobe na pia de vez em quando, por causa das pegadas que deixa no armário abaixo da pia. Se ouço um barulho diferente, dou bronca e o Mingau sai de lá rapidinho.” A limpeza da casa é reforçada, para evitar odores e que visitas ganhem a estampa de pelos brancos nas roupas ao sentar no sofá, por exemplo. O ideal, de acordo com especialistas, é aspirar tapetes e carpetes e usar cloro ou amônia quaternária.

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Sem estresse
Outro ponto importante é manter emocionalmente bem o animal que fica dentro de casa ou no apartamento. Gatos precisam ser estimulados para brincar e cachorros devem ter chance de passear, brincar e gastar energia. “Estresse pode afetar a saúde do bicho, causando problemas de pele, de comportamento, na alimentação. E animal sedentário fica obeso, começa a ter problema de coluna, de articulação”, enumera Taíza. Bichos estressados tendem a ser mais difíceis de conviver, “reclamar” mais e ter dificuldade de se relacionar. A responsabilidade de mantê-lo feliz é dos donos.

Analice Cardoso Munhoz Severino, veterinária do Hospital Veterinário Pompéia, lembra que as zoonoses passam pelo simples contato com o dono. “Não é o acesso à casa que vai causar a contaminação”, afirma. “Tomando os cuidados e fazendo a prevenção, não ocasiona problema nenhum”. Ela reforça que, com os devidos cuidados, o contato com animais desde cedo para crianças pode inclusive reforçar o sistma imunológico. “A criança que tem contato com animais logo cedo tem menor risco de desenvolver alergias. Ela vai criando resistência.”

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