Sem perder o charme, mulheres aderem à pesca esportiva nas praias cariocas. Veja galeria de fotos

Cresce o número de mulheres que praticam a pesca esportiva
Selmy Yassuda
Cresce o número de mulheres que praticam a pesca esportiva

Cai mais um reduto masculino: uma das novidades que mais têm chamado atenção dos frequentadores das praias cariocas é o crescente interesse de mulheres pela pesca. Considerada pelos mais machistas uma atividade reservada aos homens, porque supostamente exigiria concentração, paciência e, o mais importante, silêncio, a “pescaria de final de semana” vai ganhando adeptas do sexo oposto, dispostas a quebrar mais um tabu. A reportagem do iG percorreu a orla do Rio à busca dessas mulheres.

“Hoje em dia já não tem mais isso de sexismo em nenhuma área. Tem espaço para todos, inclusive na pesca”, afirma a empresária Thaisa Granato de 27 anos. Aos fins de semana, é na praia que ela encontra sossego para recarregar a mente. Com uma vara já com anzol esticado, as devidas iscas em um compartimento de mão e sua garrafinha de água a postos, Thaisa garante que consegue ficar calma horas à espera da “vítima”.

A também empresária Rô Albuquerque, de 44 anos, mostra facilidade com o molinete (o carretel que enrola o anzol na ponta da vara), mesmo com as unhas grandes e pintadas. “Aqui tem uma trava. Então o certo é jogar a linha e deixar a isca bater no fundo do mar. Depois é só mantê-la na altura que os cardumes passam, não tão no fundo e nem tão perto da superfície da água”, ensina Rô, que não esquece do batom antes de rumar para a praia.

Esta habilidade com as iscas e o anzol, ela diz, vem de longo tempo. “Sempre pesquei em Búzios, Região dos Lagos. Quando estou pescando, só penso no peixe, em mais nada. É como se me desligasse do mundo”, conta. Por isso mesmo, celulares e iphones, por exemplo, ficam no carro ou em casa. “Na areia a concentração é na vara de pesca. Qualquer tremidinha é preciso se certificar de que tem peixe no anzol. Se não, ele pode fugir”, detalha a empresária.

Mariana Gouvea mostra que tem habilidade com a pescaria
Selmy Yassuda
Mariana Gouvea mostra que tem habilidade com a pescaria

Tamanho não é documento

A vara de pescar que as mulheres preferem tem de um a três metros de comprimento. As pescadoras contam que o tamanho do equipamento não influencia no tipo de peixe que se quer atrair. O preço pode variar de R$ 420 a R$ 650. A menor vara tem uma carretilha na ponta, a maior tem o molinete (ambos com a função de enrolar ou soltar o anzol). Na outra extremidade fica a rapala, isca artificial de plástico que imita uma sardinha colorida, ideal para pesca à beira-mar.

De bermuda ou short jeans – e até mesmo de vestido – camiseta, top ou a parte de cima do biquíni. É assim que elas vão para a pescaria: de forma despojada e confortável, para dar mais habilidade na hora dos movimentos de lançar a vara ao mar. As mulheres contam que a melhor hora para a pescaria é o final da tarde, a partir das quatro horas, quando o sol já não está forte e o movimento de banhistas cai consideravelmente. Com a chegada do outono, e temperaturas mais amenas, é de se esperar mais fidelizações ao crescente grupo de pescadoras.

Entre os pontos da orla do Rio mais favoráveis à prática, estão a praia da Reserva, pela calmaria, e os costões do Leme, do Arpoador e do Recreio, por atraírem cardumes atrás de comida. As espécies mais corriqueiras são de corvina e de lanceta.

Detalhe do equipamento
Selmy Yassuda
Detalhe do equipamento
Pescaria na TV

Livia Pavone, de 28 anos, tem a facilidade de só atravessar a rua de casa e já pisar na areia. Moradora do Recreio, na zona oeste do Rio, a lojista conta que no começo ficava acanhada por pescar sozinha, no meio de tanto homem. “Ficava totalmente inibida. Mas quando peguei meu primeiro peixe, não teve jeito, exibi orgulhosa”, se diverte ela, que agora vai para o mar acompanhada da amiga, Rô. “Final de tarde é sempre melhor. A gente arma as cadeiras e finca as varas na areia. É uma delícia”, continua.

Atriz e produtora, Katia Saules, de 32 anos, adotou o esporte recentemente. “Faço natação duas vezes semana, gosto desse contato com a água e principalmente com a natureza. Escolhi a pesca porque gosto desta paz, do barulho do mar”, conta Katia, à espera de novos projetos profissionais enquanto mira nos peixes.

Para fugir do estresse diário, elas garantem, não há nada melhor. "Descobri há alguns meses que a pesca é a melhor forma de exercitar minha paciência. Vejo o mar e já me tranquilizo”, diz a estudante de jornalismo e apresentadora Mariana Gouvea que estreia em breve um esportivo no canal a cabo Multishow – entre várias modalidades, o programa falará até sobre pesca. “Dizem que pesca é esporte. É mais que isso, é terapia. O que a gente se estressa no trânsito, no trabalho, fica tudo no esquecimento. Um dia de pesca equivale a uma semana de analista”, compara ela, bem-humorada.

Cantadas temáticas

É comum que as mulheres levem para a pescaria um tipo de rede de mão para auxiliar a retirada do peixe no anzol. Isso porque, vaidosas, muitas não gostam do contato direto com o pescado. “Acredite se quiser. Não coloco a mão no peixe. Tenho nojo”, conta Livia Pavone, aos risos. “Eu sei pescar, mas não consigo comer o peixe que tiro do mar. Outra pessoa precisa preparar para mim”, desabafa Rô.

Mas com isso elas não se preocupam. O que não falta é tubarão para nadar neste mar. As cantadas, claro, fazem parte da “terapia na areia”. Entre as iscas que os marmanjos jogam: “Que peixão!”, “Quer ajuda com a vara?” ou “A sereia sabe pescar?”. Pescadoras precavidas, elas sabem a hora certa de puxar o anzol. “Já nem ligo mais. Fico na minha, finjo que não ouvi. Fico com foco no peixe, no outro peixe, naquele no fundo do mar”, brinca Livia.

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