Gente grande tambem coleciona. Mas existe um limite entre um habito saudavel e uma mania prejudicial. Confira qual e

Selos, moedas, postais, papéis de carta... Estes objetos, que parecem dominar a lista dos mais colecionáveis, dividem espaço com zilhões de outros, dos mais comuns aos bizarros. Há quem reúna, por exemplo, canetas, autógrafos de personalidades, “santinhos” de pessoas falecidas, areia de praia e por aí afora.

Segundo a psicologa Arlete Galhardi, de São Paulo, o ato de colecionar é absolutamente normal. “É uma maneira de preservar o passado, uma lembrança que causa grande prazer. Pode expressar a preservação de uma cultura ou de uma época”, comenta.

Já tornar-se escravo de suas coleções pode indicar uma neurose. “É um grau mais grave de TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo, distúrbio caracterizado por ideias persistentes que invadem a mente e causam ansiedade”, explica.

Meu bem, meu mal

Às vezes a coleção esconde problemas emocionais. “Todos os seres humanos têm um objeto de desejo. E inconscientemente o colecionador pode transferir para eles frustração, amor não correspondido ou até carência afetiva. Pode revelar também um traço de poder, porque precisa de dinheiro para satisfazer seu gosto excêntrico. Ou ainda indicar egoísmo, caso a pessoa deixe de suprir exigências econômicas domésticas para consumir objetos para a coleção”, considera a psicoterapeuta.

Para saber o limite entre um hábito saudável ou não, basta verificar se ele está causando sofrimento. Se a pessoa atravessar dificuldades financeiras, por exemplo, e não conseguir manter sua coleção nem se desfazer dos objetos mesmo se tiver chance de ganhar dinheiro, é sinal de alerta. Neste caso, recomenda-se o aconselhamento psicológico.

As colecionadoras falam

Confira os depoimentos de três colecionadoras, contando as loucuras que já fizeram por suas coleções.

Mamãe coruja
“Coleciono corujas há mais de 30 anos. Ganhei minha primeira quando morava em Londres. Uma amiga veio me visitar e trouxe uma da Itália. Desde esse dia me apaixonei por elas e em todo lugar por onde passo adquiro uma. Quem me conhece também lembra sempre de mim. Por isso tenho corujas da Holanda, Inglaterra, China, Argentina, Dubai... Sou tão aficcionada que, certa vez, vi uma linda na casa de amigos do meu marido. Na cara de pau, contei da minha coleção à dona e pedi o objeto. E ela, gentilmente, me cedeu! Nunca parei para contar quantas são, mas acho que mais de mil! Sou muito cuidadosa. Mantenho-as trancadas, para não serem danificadas, mas bem expostas na sala de visitas.” Juana Pasqualin, 54 anos, advogada

Bela na foto
“Já reuni muita coisa, de latinha de refrigerante a cartões telefônicos. Mas a coleção que preservo até hoje é a de fotos 3 x 4. Os primeiros retratos foram de amigos e de familiares, apenas para recordação. Com o tempo a quantidade aumentou bastante. Deixei então de encarar como lembrança e comecei a vê-las como uma coleção. De 1995 a 2009, juntei três mil fotos! Guardo todas devidamente plastificadas numa pasta. Agora nem preciso mais pedir... As pessoas já sabem do meu hobby diferente e me entregam as suas!” Luciana Buéssio Torres, 25 anos, vendedora

Barbie woman
“Minha família acha que é loucura. Meu filho Ignacio, de 3 anos, tem ciúmes e diz que elas são chatas. Mas a verdade é que eu adoro colecionar Barbies. Tenho umas 400! Mandei até fazer um móvel para expô-las melhor. Não deixo ninguém por a mão nas bonecas especiais... Como a que tem um colar de cristais Swarovski - só existem duas mil delas no mundo! Viajo sempre atrás de outros exemplares. Aliás, estou indo amanhã para os Estados Unidos e devo voltar com pelo menos mais uma delas para aumentar minha coleção.” Denise Isdra, 41 anos, administradora

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