Especialistas falam sobre o comportamento da mocinha de “Passione”, que fracassou na empatia com o público

Quando a mocinha da novela não convence, os motivos podem ser muitos. E, em geral, só dizem respeito aos noveleiros mesmo: atriz duvidosa, texto que não emplaca, composição fraca. Mas, às vezes, a explicação, ou pelo menos parte dela, pode estar numa aversão do público ao comportamento da personagem. Depois de causar a separação de dois melhores amigos ao escolher um e depois mudar de ideia pelo outro, atravessar uma paixão de infância e abandonar ao marido, este parece ser o caso de Diana, personagem de Carolina Dieckmann em “Passione”. Escalada como a heroína romântica da trama, ela se tornou alvo freqüente de torcida contrária em redes sociais e fóruns especializados. Será uma das próximas assassinadas da novela. Onde, afinal, Diana errou?

“Ela se faz de boazinha, mas preferiu o pretendente rico ao pobre. Depois, descobriu que o Mauro (Rodrigo Lombardi) era mais poderoso que o Gerson (Marcello Anthony) e quis trocar. É uma interesseira”, diz a advogada Sônia Oliveira, 31, telespectadora da novela e ativa crítica de Diana em blogs e comunidades. A hesitação da personagem quebra a expectativa do modelo de amor romântico e é uma reclamação comum dos telespectadores. “Quando ela faz uma escolha amorosa, o público já se prepara para torcer pelo casal. Se ela muda depois, isso é entendido como “vira-casaca”, diz a psicóloga Léa Michaan.

Mas ter mudado de objeto de amor é apenas uma das “falhas de comportamento” decifradas pelos especialistas. “Tem um problema aí muito grave e que ninguém fala”, alerta a psicóloga Léa Michaan. “Ela se casou com esse homem e descobriu que ele tem um vício, um problema psíquico. Podia ficar do lado dele, podia abraçar e oferecer ajuda. Mas ela vê isso e dá tchau. Então que amor é este?”. Para ela, a postura de Diana em relação ao vício secreto do marido Gerson dificilmente seria entendido pelo público como a de uma personagem “do bem”, o que faz com que Diana seja julgada. “Ele continua sendo o mesmo homem, com o mesmo jeito de pensar, de agir, só que tem esse problema. Tudo que ele tinha de bom virou ruim? Isso ficou meio mal”.

Ter entrado no caminho de um outro romance também é condenado por alguns telespectadores. “Já existia uma história de amor da Melina (Mayana Moura) pelo Mauro. Diana atrapalhou quem torcia por ela”, reclama a fã Mariana Gonçalves, 24. A psicóloga Carmelita Rodrigues, no entanto, discorda. “O amor de Melina não parece ser do tipo sincero, que ganhe a simpatia das pessoas. Ao contrário: tem algo de possessividade de menina rica mimada. As pessoas não gostam de personagens mimados porque elas não são mimadas, a vida delas é bem difícil. E esse amor de infância não é recíproco”, diz.

Para Carmelita, os “pecados de Diana” seriam pouco mais do que argumentos de telespectadores-torcedores. O problema entre a personagem e o público, ela acredita, é outro. “No meu ponto de vista, o que faz um personagem cair nas graças do público é o fenômeno psicológico chamado de "identificação". As pessoas gostam de personagens com as quais se identifiquem, em quem vejam suas realidades refletidas. Diana é uma mocinha de vida fácil, fazendo pós-graduação, podendo escolher entre dois belos homens, ambos apaixonados, etc... que tipo de identificação isso suscita nas pessoas comuns? Nenhuma. Talvez não haja rejeição ao personagem Diana, mas ausência de identificação”. Neste caso, ter a bela figura de Carolina Dieckmann também não ajuda Diana a ser espelho.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.