Especialistas defendem que não. Cada criança é diferente e é normal os pais se darem melhor com uma do que com outra

As características dos filhos devem ser respeitadas
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As características dos filhos devem ser respeitadas
É muito comum os pais tentarem tratar os filhos de forma igual. Isso parece uma maneira de garantir que o amor chegue a todos na mesma medida. Na prática, levando em conta os diferentes temperamentos das crianças, os pais podem se dar melhor com um filho do que com o outro – e aí pode aparecer um sentimento de culpa, uma sensação de não distribuir o amor da forma mais justa.

“O primeiro passo para uma mãe aprender a lidar com os filhos, principalmente em famílias com duas ou mais crianças, é reconhecer que um não é igual ao outro”, diz Elizabeth Monteiro, psicopedagoga especializada em Saúde Mental na Infância e na Adolescência e autora do livro “Criando adolescentes em tempos difíceis” (editora Summus). “Então, se eles já nascem assim diferentes, com caracteríticas tão próprias, não é possível nem saudável tratá-los da mesma forma", completa.

Para Olga Correa, especialista em Psicopatologia Infantil, o importante é deixar sempre claro que o amor existe para todos. “A mãe até pode se dar melhor com uma das crianças, ter mais compatibilidade em relação ao temperamento e às características, isso é normal. Mas não significa que você as ame diversamente, é bom que isso seja explicitado”, diz.

A psicoterapeuta Aline Vilhena Lisboa, membro da Associação Internacional de Psicanálise de Casal e de Família, defende que a sintonia da mãe ou do pai com um dos filhos depende muito da disponibilidade que eles têm em compreender, tolerar e respeitar as diferenças de cada um. “Lidar com temperamentos diversos exige, primeiramente, que os pais estejam bem emocionalmente, para que possam enxergar as necessidades, escutar os desejos e as particularidades, sentir as aflições e acolher as inseguranças e os medos de cada um dos filhos”, diz.

Sem comparar

Um dos erros mais comuns que os pais cometem é comparar um filho ao outro. Se um é mais retraído ou tímido, isso não deve ser visto como um defeito, muito menos se deve compará-lo ao irmão extrovertido. As características de cada um devem ser respeitadas sempre.

É complicado quando um dos filhos começa a sofrer pressões pela cobrança exagerada da mãe ou do pai – em geral, por um excesso de expectativas. “Sempre que possível, reflita se a sua maneira de agir com cada uma das crianças é ou não saudável”, sugere Aline.

As especialistas concordam que até as broncas não devem ser iguais. Cada criança reage de uma forma – tem a mais sensível que chora quando a mãe grita com ela, a mais sapeca que não está nem aí -, então, com o passar do tempo, os pais devem perceber o que funciona com uma e com a outra.

Vale estimular os diferentes talentos de cada um, assim a criança percebe a atenção individualizada e sente-se protegida, admirada e querida pelos pais. “Caso contrário, a criança pode ficar com uma autoestima prejudicada, entrar em uma competição ferrenha com os irmãos, sentir-se rejeitada e incapaz para realizar as coisas”, diz Elizabeth.

Dicas das especialistas para lidar com cada um dos filhos:

– Pais e professores devem tomar cuidado com rótulos. Se você diz muitas vezes para o seu filho que ele é chato ou preguiçoso há grandes chances de isso virar um fato - é a chamada teoria da profecia autorrealizadora.

– Valorizar os acertos de cada um é ótimo, mas também é preciso dar limites e corrigir a criança quando necessário - sem comparar uma com a outra.

– Cuidado para não buscar um ideal de filhos perfeitos. Isso pode gerar muita ansiedade nas crianças.

- A mãe e o pai devem arrumar tempo para ficarem um pouco sozinhos com cada um dos filhos. É nesta hora em que eles acabam contando os problemas e aflições.

- Cada um leva um tempo para realizar determinadas coisas. Não é necessariamente um problema se um filho aprendeu a ler com cinco anos e o outro com sete.

- Contar histórias em que a personagem principal tem vários filhos, um bem diferente do outro, é bom para as crianças incorporarem as diferenças.

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