Objetivo é mostrar a situação atual do engajamento em ações sociais no Brasil e no mundo

Relatório da ONU revela: existem 140 milhões de voluntários no mundo todo
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Relatório da ONU revela: existem 140 milhões de voluntários no mundo todo
Foi lançado dia 5/12, em Brasília, o primeiro Relatório das Nações Unidas sobre o Estado do Voluntariado no Mundo, uma iniciativa conjunta do Programa de Voluntários das Nações Unidas (VNU) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e que faz parte dos eventos que vão marcar o décimo aniversário do Ano Internacional do Voluntário.

“O objetivo do documento é promover essa atividade, esclarecer falsas impressões que ainda existem e reconhecer o trabalho dos voluntários, agradecendo de certa forma as 140 milhões de pessoas que exercem esse trabalho. Se fossemos um país, já seríamos o nono mais populoso do mundo”, conta Daniel de Castro, porta-voz do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

O trabalho voluntário pressupõe que as pessoas se envolvam em atividades de ajuda ou de apoio aos necessitados, de proteção ao meioambiente, em campanhas de direitos humanos ou em ações que visam contribuir para o bem estar coletivo. Do ponto de vista individual, quem se engaja neste tipo de atividade se sente recompensado porque sente que seu trabalho contribui para o fortalecimento da coesão social.

Apesar de serem muitos os engajados, no entanto, o número nunca é suficiente, uma vez que o trabalho voluntário inclusive colabora com os governos na implementação de políticas públicas em inúmeras áreas:  inclusão social, saúde, educação, ações relacionadas à terceira idade, direitos humanos, ajuda humanitária em regiões carentes, fomento do diálogo intercultural, das ações de responsabilidade social das empresas e de inclusão digital, entre muitas outras.

Cada país tem o que podemos chamar de personalidade voluntária .

Depende muito da história e das características da população definir os moldes da atuação voluntária em ações sociais. “Aqui no Brasil percebemos que, por conta das desigualdades sociais, existe um espírito natural de solidariedade. Talvez nem tanto em cidades grandes, mas nas menores isso é muito natural”, conta Daniel.

“Na Europa, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, muitas pessoas, jovens sobretudo, sentem uma necessidade forte de olhar novamente para as ex-colônias e outras regiões desprivilegiadas. Sentem que é seu dever histórico ajudar”, completa.

Um dos motivos pelos quais o trabalho voluntário não se difunde ainda mais no Brasil são os nada incomuns escândalos envolvendo a utilização de ONGs em esquemas de corrupção :

“Isso aumenta o ceticismo e cria uma reputação negativa em cima da atuação voluntária, porque as pessoas ficam preocupadas se estão colaborando com algo errado. Mas nem todas as ONGs são ovelha-negras, ao contrário, as ONGs são uma enorme porta de entrada, talvez uma das mais procuradas, por quem quer começar a fazer parte de um trabalho no terceiro setor.” , conta Anika Gartner, alemã que trabalha no Brasil como coordenadora nacional do programa de Voluntários da ONU.

Muitas pessoas podem considerar que um trabalho voluntário é “menor” por não ser uma atividade remunerada .

“O relatório lançado também pretende desmistificar essa ideia. Há quem pense que este não é um trabalho profissional, por isso não se engaja. E vivemos em uma sociedade egoísta. Hoje, é difícil as pessoas darem o primeiro passo sozinhas. Precisam de uma catástrofe, uma época mais sentimental como o Natal, por exemplo, para se engajarem. O fato de não ser remunerado importa menos, pois você recebe outros tipos de gratificações: bem-estar, troca de experiência, novos amigos e conhecimento pessoal. Nem sempre uma atividade remunerada traz isso”, conta Anika. Ela diz também que após um primeiro trabalho nessa categoria, não é raro ouvir pessoas perguntando a si mesmas porque não começaram antes.

Outro item que podemos adicionar na lista dos benefícios recebidos por quem se engaja em um projeto social não-remunerado é a inclusão social, já que um de seus pilares é promover o desenvolvimento humano sustentável e abranger valores universais .

“De 1980 para cá, a expectativa de vida no mundo vem aumentando; com isso, aumenta o número de pessoas que encerram suas carreiras profissionais e saem em busca de uma ocupação. O trabalho voluntário pode e deve ser uma alternativa importante nesse momento. Aposentados e idosos encontram aqui uma nova oportunidade de vida. Eles inclusive são uma classe muito importante, pois possuem experiência de vida e muito profissionalismo para compartilhar com quem precisa” , conta Daniel. “Eles de certa forma devolvem para a sociedade aquilo que conquistaram e sentem-se valorizados por isso”, completa Anika.

Na outra ponta da escala social, é fundamental ressaltar a participação das crianças, que cada vez mais são convidadas a participar de lições de voluntariado na escola .

“Essa é uma prática comum na Europa, que está chegando no Brasil. Quanto mais cedo se começa, mais forte essas lições se fixam na mente como algo que deve fazer parte da vida delas”, diz Anika.

Desde visita a ONGs, asilos e creches até a plantação de árvores, são praticamente ilimitadas as possibilidades de ações que podem incluir crianças e mostrar a elas outras instâncias da realidade onde sua ajuda e participação podem fazer diferença.

Essa participação de crianças e adolescentes em projetos sociais pode até contar pontos no currículo profissional e acadêmico, uma vez que demostra capacidade de entendimento das necessidades humanas e competência para pensar o coletivo. Quanto aos jovens, esses também têm tido um papel muito importante na difusão do trabalho voluntário por meio da internet e redes sociais. os recursos online, inclusive, são ferramentas importantes, ainda não totalmente exploradas, na medida em que facilitam a vida de quem não pode ajudar presencialmente, mas quer se engajar de alguma forma.

Por onde começar?
A falta de conhecimento sobre os primeiros passos para se tornar uma pessoa engajada pode barrar o progresso de um voluntário em potencial.

“O primeiro passo pode ser procurar uma organização não-governamental, associações de moradores do seu bairro ou universidades públicas que já tenham programas instituídos ou até mesmo formar um grupo de amigos e vizinhos que tenham interesse em ajudar a comunidade” , conta Anika. O trabalho voluntário não precisa estar necessariamente ligado a uma empresa com CNPJ, por exemplo.

Aqui no Brasil, conta Daniel, entre as áreas que mais têm crescidos no setor voluntário são meio ambiente e sustentabilidade, produção de alimentos, educação e saúde . Se está em dúvida sobre como começar, pode tentar uma dessas!

 Baixe o arquivo em pdf com o resumo do relatório

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