Truques e ideias para você viajar sem ficar preocupado com seu animal de estimação

Truques para fazer seu pet sentir-se num hotel cinco estrelas enquanto você viaja
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Truques para fazer seu pet sentir-se num hotel cinco estrelas enquanto você viaja
Como nem todo mundo se dá conta, escolher ter um pet não envolve apenas alegrias e brincadeiras, mas também obrigações e preocupações. Garantir que ele fique protegido e bem cuidado enquanto você viaja é uma delas. O grupo Vira-lata, com sede em Volta Redonda (RJ), vê sua página encher de avisos de doação nessa época. Eles fazem um trabalho de conscientização da posse responsável e educação em relação à esterilização em massa e têm uma página na internet (vira-lata.net), onde as pessoas podem anunciar doações e procurar para adotar. O problema é que a maioria nem tenta doar, prefere abandonar na rua para se livrar do estorvo. “Falta responsabilidade e punição nos casos de abandono. Leis existem, o que falta é denúncia”, analisa um dos administradores do grupo, que prefere não se identificar.

Deixando de lado esse cenário criminoso do abandono – segundo artigo 32 da Lei Federal nº. 9.605/98 –, o maior erro que os donos de animais cometem é achar que eles se acostumam com qualquer situação. Na verdade, eles não são muito diferentes dos humanos.

“Animais domésticos são como os bebês. Qualquer alteração na rotina pode levar ao quadro de estresse”, explica a veterinária Elisângela Torres, do hospital veterinário Vet Quality, em São Paulo.

Para que eles se sintam seguros e confiantes, é preciso que conheçam o lugar e as pessoas que o rodeiam. Por isso, deixá-los para viajar pode ser uma experiência difícil. Muitos param de comer, de dormir e até se automutilam. Graças ao estresse, a imunidade de muitos cai, tornando-os mais propensos a pegar uma infecção. No caso dos cães, o ideal é você tentar levá-lo consigo. Já com os gatos a história é diferente.

“Recomendamos que deixem os gatos em casa, pois eles sofrem muito mais que os cachorros ao saírem de seu ambiente”, aconselha o médico veterinário Marcelo Quinzani, da clínica Pet Care, em São Paulo. Por até dois dias eles podem ficar sozinhos com comida, água e duas caixas de areia. Mais do que isso, é imprescindível que alguém passe no local em dias alternados para limpar a caixa e trocar água e comida.

Já os cães são muito mais sensíveis à falta do dono. Se não tiver como levar seu cão na viagem, por ele ser grande ou o hotel não aceitar animais, são três as saídas: deixá-lo na sua casa com alguém hospedado para cuidar dele, deixá-lo na casa de um amigo ou parente ou hospedá-lo em um hotel próprio para animais. O primeiro caso é o que vai afetar menos o bichinho, contanto que o cuidador mantenha a mesma rotina. Ele vai ter saudades dos donos, pode ficar mais triste, mas será menos traumático, especialmente se ele já está acostumado com a pessoa.
É o que costuma fazer a dona de casa Maria Norma Banhos, 61 anos. Ela deixa Yuri, 14 anos, com sua irmã sempre que viaja, desde que o lhasa apso era filhote. “Ele já está completamente acostumado com ela e parece nem sentir a minha falta”, conta.

A segunda opção é deixá-lo na casa de um conhecido. Ele certamente vai estranhar o lugar e ficar mais cabisbaixo. Mas se receber carinho e atenção, lidará melhor com a situação. “Acostume-o desde filhote a ficar sozinho ou em outras companhias. Se mudar de ambiente e dormir em locais diferentes já for um hábito, será bem menos traumático quando você precisar viajar”, diz Elisângela.

O mesmo serve para estadias em hotéis para cachorro: quanto mais sociável o cão for, menos ele vai sofrer no lugar. “Alguns hotéis oferecem o serviço de day care. Ali eles têm contato com outros animais e se acostumam com o ambiente antes de passarem muitos dias hospedados”, diz o veterinário do centro veterinário Vet Quality, em São Paulo, Daniel Herreira Jarrouge.

Deixar o animal em um hotelzinho é motivo de preocupação constante, ao menos para quem nunca passou por essa experiência. Afinal, os bichinhos não contam depois que voltam para casa como foram seus dias no local. A estudante de psicologia Renata Brandão, 19 anos, não teve uma experiência muito boa quando deixou Fred em um hotelzinho pela segunda vez. “Na primeira vez, ele ficou solto em um quintal, mas na segunda o deixaram em um quarto sozinho. Percebemos que ele voltou muito estressado”, ela conta. Mas essa não é uma regra.

No Cãopestre Park & Hotel, que fica em Itapecerica da Serra (São Paulo), o primeiro passo quando um cachorro chega é arrumar um amiguinho. As duplas são formadas conforme o porte e a afinidade entre os bichos e são mantidas durante toda a estadia, para dormir e brincar. “Essa estratégia associada à presença constante dos funcionários evita que os cães entrem em depressão quando vêm para cá”, garante o veterinário do hotel, José Luís Crespo.

Portanto, não precisa riscar o hotel canino da sua lista de opções. Mas alguns cuidados você deve tomar para escolher um onde seu pequeno (ou grande) vai ser bem tratado:

• Pegue informações com amigos, conhecidos e veterinários.
• Visite o local e certifique-se das condições de higiene e segurança. Lembre-se que, por se sentir ameaçado, o bichinho pode tentar fugir do lugar.
• Observe como se comportam os cães que estão lá. Eles parecem alegres ou cabisbaixos?
• É muito importante que tenha alguém no local 24h por dia, além de assistência veterinária ininterrupta – pode ser no local ou convênio com uma clínica.
• Quanto mais exigente for o hotel em relação às vacinas e preventivos para pulgas e carrapatos, melhor para o seu cachorro.
• O hotel deve ter área coberta para dormir e área aberta para recreação.
• A maior prova de que o hotel foi bom para o seu pet é quando você o leva pela segunda vez e ele não reluta em entrar. Se ele abanar o rabo para alguém que cuidou dele então, você encontrou o lugar ideal para deixa-lo nas férias!

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