O que irrita as mulheres

Do trabalho à academia, saiba o que tira uma mulher do sério e como evitar que a irritação estrague o dia

Verônica Mambrini, iG São Paulo |

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Driblar a irritação demanda treino, para reagir na medida certa e dialogar
Até a mais calma, zen e pacífica das mulheres está sujeita a ataques de irritação – pelo menos uma vez por mês, já que a TPM não perdoa. Mesmo fora desses períodos, é inevitável ser aborrecida, vez ou outra, por pessoas sem bom senso e pela falta de limites alheia e própria. “Ansiedade e intolerância são um mal da nossa era”, afirma a psicóloga Cecília Zylberstajn. Mas o que de fato deixa as mulheres à beira de um ataque de nervos?

A comediante e filósofa Carol Zoccoli, que participa do show de stand up comedy feminino “Humor de Salto Alto”, acredita que o mau humor e a irritação de homens e mulheres seja diferente. “Mulher é mais histérica – embora muitos homens também sejam. Além disso, tem a TPM, que faz você se irritar até com um guardanapo dobrado diferente”, diz. Mesmo sendo comediante, ela confessa que não usa o humor o quanto deveria para driblar a irritação. “Se eu não estiver irritada, tudo bem. Mas não lido muito bem com a irritação alheia”, diverte-se. O que não é tão ruim, já que o perrengue dos outros é matéria-prima para o trabalho da comediante.

Perguntamos a algumas mulheres o mais as tira do sério em situações cotidianas. Veja abaixo o que as deixa loucas. No mau sentido:

Na academia
Malhar, por si só, já é desagradável para muitas pessoas. Mas mesmo que gosta de ir para a academia perde a paciência com gente desfilando e se achando deslumbrante. A redatora publicitária Melissa Pio, 24 anos, se irrita em particular com os sarados feios. “Quer uma dica? Vai aprender a dançar, que é o que os feios têm que fazer pra ganhar a mulherada”, desabafa. “Eu beijo bocas, e não músculos!” Para coroar a sessão de tortura dos nervos, a campeã de reclamações é gente que sai do aparelho de musculação e o larga suado para o próximo usar - imperdoável.

No trabalho
Nada tira tanto uma mulher do sério no trabalho do que comportamentos não profissionais. Aí, as queixas são intermináveis: o chefe que incompetente ou histérico, o colega que faz piadinhas machistas ou comentários desnecessários, aquele que espia seu trabalho por cima do ombro. Em resumo, gente que não percebeu que está num ambiente de trabalho e que ali não é lugar para dramas e barracos, muito menos para intrigas e egos feridos. “Sou designer e, como todo designer, o que mais me irrita é cliente sem noção, que pede pra mudar alguma coisa toda hora. É típico daquele que não sabe o que quer”, reclama Joana Rocha, 33 anos.

Na balada
Gente pegando no braço e puxando pela roupa destroem o bom humor de qualquer mulher na balada. Depois de se arrumar e sair para uma noite que promete ser divertida, ninguém quer um bêbado inconveniente no seu pé. Depois dos chatos abusados, campeões de reclamações, vêm as filas e bebida ruim. A comediante Carol Zoccoli detesta as multidões. “Odeio balada muito cheia, em que você não consegue nem pegar uma bebida. Além dos banheiros de balada, sempre sujos. Eu vou no banheiro de homem e não estou nem aí”, desabafa.

No restaurante
Nada pior do que a comida vir ruim e o serviço ser lento. Claro que há graus e graus de descontentamento mas, normalmente, quem escolheu o restaurante sabe qual a expectativa que pode ter. E dá nos nervos quando o jantar fica abaixo do esperado. No extremo oposto, Zoccoli não suporta o excesso de simpatia. “Eu odeio quando o desgraçado do dono manda o garçom ficar em cima. Você está acabando, e o garçom já está tirando o prato, o copo, não me deixa comer em paz”, diz a comediante.

Na loja
Por unanimidade, a vendedora que empurra coisas, que mente sobre como as peças ficaram e que não deixa a cliente escolher em paz é o maior alvo da fúria feminina. Em menor escala, há queixas também para o oposto: a vendedora que ignora a cliente e que praticamente precisa ser perseguida pela loja para dar atenção à compradora. Modelagens muito pequenas, espelhos e iluminação ruim também ganharam torpedos. “Detesto aqueles provadores com espelhos que devem ter sido manufaturados no inferno, pois acabam com sua auto-estima assim que você entra, fazendo você se sentir gorda demais, magra demais, com celulite demais”, diz Melissa Pio.

Para lidar coma raiva e a irritação, Cecília Zylberstajn recomenda não represar o sentimento. “Quando mais você segura, menos você tem controle”, diz. O problema é ter reações desproporcionais, que indicam que as coisas não vão bem. A melhor maneira de expressar a raiva é direcioná-la a quem cabe; nada de descontar em quem não tem nada a ver com o assunto. É preciso reagir proporcionalmente, em escala: conversar, dar dicas do que a pessoa sem noção pode fazer para mudar de comportamento, e se nada mais funcionar, às vezes é necessário ser ríspido. E, desde que não vire o jeito padrão de resolver os problemas, explodir de vez em quando não é tão ruim. O que não vale é engolir a irritação a seco.

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