Elas já venceram muitas batalhas e conquistaram respeito. Mas querem mais

A ex-nadadora Patrícia Amorim foi eleita presidente do Flamengo nesta semana, fato inédito na história do clube da Gávea. Em seus 114 anos de existência, é a primeira vez que uma mulher assume o comando do time de futebol que venceu o Campeonato Brasileiro de 2009. Mais do que uma vitória pessoal, a eleição de Patrícia também é resultado de muitas conquistas que, arduamente, as mulheres conseguiram ao longo dos anos.

Nesta década, a ex-nadadora é mais um exemplo de mulher vencedora, já que o time feminino no século 21 somou muitos pontos positivos. Na política, Angela Merkel e Michelle Bachelet, chanceler alemã e presidente do Chile, respectivamente. No mundo do entretenimento, J.K. Rowling, autora da saga de “Harry Potter”, e Stephanie Meyer, da séria de livros “Crepúsculo”, conquistaram leitores de todo mundo. Na ciência e nas artes, cinco mulheres foram premiadas com o Nobel neste ano, marco inédito na história.

Mesmo com todas essas vitórias, o que será que as mulheres ainda desejam e necessitam conquistar nesta próxima década que se aproxima?

Firmando espaço

Para Marlene Ortega, presidente da associação Business Professional Women de São Paulo, o que vem por aí é a solidificação de todo caminho já percorrido pelas mulheres. “Agora, as conquistas precisam criar maior consistência, tanto no valor quanto na amplitude”, acredita.

E continua: “Já ganhamos muitas batalhas e, atualmente, estamos aí para ganharmos campeonatos”. A profissional também acha que, até o momento, “a liderança feminina nos negócios, por exemplo, foi pontual, mas, cada vez mais, vai se tornar algo comum na sociedade”.

Para a presidente da associação, o perfil da mulher empreendedora e preocupada com a sustentabilidade também é uma tendência para a próxima década. “A visão da mulher sempre foi muito mais apropriada para a construção do bem-estar e, por isso, ela pode contribuir bastante nas questões ecológicas”, afirma Marlene.

Entretanto, ela lembra que, apesar de várias mulheres terem firmado seu espaço em grandes empresas ou em cargos políticos, ainda existem muitas que não são respeitadas pelo mundo. “Está cheio de mulher desamparada, envergonhada e submissa. Principalmente em países que possuem uma desigualdade socioeconômica”, afirma Marlene.

Donas de si

“Apesar de todos os avanços, frutos das lutas feministas, ainda existe um mundo vasto de coisas a se conquistar”, acredita Maria Fernanda Marcelino, representante da Marcha Mundial das Mulheres e ativista da organização feminista Sempreviva . “Mesmo com tantas vitórias, isso não significa que a grande massa das mulheres tenha alcançado uma autonomia”, afirma.

A militante feminista acredita que os principais pontos a ainda serem trabalhados pelas mulheres são: uma vida sem violência, o direito sobre o seu próprio corpo e a autonomia econômica.

“Todas as mulheres deveriam viver uma vida sem violência. A agressão contra a mulher ainda é encarada de modo natural”, afirma Maria Fernanda. A feminista também acredita que, até hoje, as mulheres não possuem o livre arbítrio sobre suas decisões. “O aborto ainda não é permitido e, na maioria dos casos, quem decide se a mulher vai ter o filho ou não são os homens”, exemplifica.

“O Estado também deveria desonerar as mulheres de tantas obrigações, garantindo a liberdade econômica delas”, adiciona Maria Fernanda. A militante acredita que, se melhores amparadas pela sociedade, as mulheres poderiam sair de situações de violência ou não teriam que abandonar suas profissões para cuidar dos filhos. “Normalmente, é a mulher que deixa de trabalhar, de viajar ou até de se divertir para cuidar das crianças”, completa.

E no campo afetivo?

Para Miriam Goldenberg, antropóloga e autora do livro “Coroas: Corpo, Envelhecimento, Casamento e Infidelidade” (editora Record), as mulheres não se contentam com pouco. “As mulheres querem intimidade e fidelidade”, diz Miriam. “Uma das maiores insatisfações femininas é a impossibilidade de experimentar uma verdadeira intimidade com o parceiro”, diz.

A antropóloga acha que o comportamento masculino é um dos principais causadores deste aspecto nos relacionamentos amorosos. “A objetividade, praticidade e racionalidade masculinas, bastante valorizadas em outros contextos, tornam-se impedimentos para um relacionamento íntimo”, afirma.

Já para a autora do best-seller “O Castelo de Vidro” (editora Nova Fronteira), Jeannette Walls, a mulher da próxima década deve ser: “a melhor pessoa que puder e, se tiver bastante sorte, ainda poderá ajudar quem estiver ao seu redor”, disse em entrevista ao Delas .

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