Cientistas tentam descobrir quem é mais seletivo na escolha de parceiros, o homem ou a mulher, e o que determina esta seleção

O papel de evolução na escolha do parceiro
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O papel de evolução na escolha do parceiro
Há muito tempo cientistas vêm observando que as mulheres tendem a ser mais seletivas que os homens na escolha de um parceiro. A explicação mais comum é evolucionária: como as mulheres têm um investimento maior na reprodução – são elas que passam pela gravidez, parto e amamentação – elas precisam direcionar suas apostas, evitando escolher um perdedor para ser o pai da criança.

Nos últimos anos, o surgimento dos chamados “encontros relâmpago” vem dando a psicólogos, economistas e cientistas-políticos novas formas de testar essa e outras hipóteses sobre o acasalamento. Como os participantes de tais encontros podem ser designados aleatoriamente, sem ter qualquer informação prévia sobre outros participantes, sessões rápidas de paquera de três minutos estão quase tão próximas de um experimento controlado quanto os pesquisadores podem obter.

Recentemente, dois cientistas da Northwestern University publicaram um experimento que desafia a hipótese evolucionária. O estudo, realizado por Eli J. Finkel e Paul W. Eastwick, foi publicado no mês passado no jornal “Psychological Science”.

O experimento observou sessões de paqueras rápidas para determinar quem seria mais seletivo: o homem ou a mulher. Nenhum dos dois, foi a resposta revelada pelo estudo. Independente do gênero, os participantes instruídos a abordar outros parceiros foram menos seletivos – ou seja, eles tiveram maior probabilidade de sugerir um segundo encontro.

Os cientistas afirmam que isso não significa que os homens foram tão seletivos quanto as mulheres. Eles sugerem, porém, que a explicação para essa diferença reside no condicionamento social, e não na evolução.

Ao tomar o primeiro passo, a pessoa ganha confiança e acaba achando mais pessoas atraentes, diz a teoria. Culturalmente, espera-se que os homens abordem as mulheres com mais frequência, o que pode turbinar sua confiança e torná-los menos seletivos. Citando o que os psicólogos chamam de princípio da escassez, Eastwick e Finkel afirmam que "os indivíduos tendem a dar menor valor a objetos ou oportunidades que são abundantes do que aos que não são". Em contraste, dizem eles, as mulheres estão acostumadas a ser abordadas - o que pode fazer com que elas se sintam mais desejadas e, consequentemente, mais seletivas.

À procura do semelhante

Cientistas também já fizeram uso das paqueras rápidas como experimento para examinar a tendência das pessoas em acasalar-se com indivíduos semelhantes a elas. Em um artigo escrito por economistas da University of Essex, na Inglaterra, em 2006, foram analisados dados de 3.600 homens e mulheres participantes de paqueras rápidas a fim de verificar se as pessoas selecionavam parceiros com características similares, como altura e nível de instrução – porque preferiam ou simplesmente porque eles provavelmente são mais fáceis de serem encontrados no "mercado da paquera".

Os economistas Michele Belot e Marco Francesconi descobriram que as preferências masculinas por profissão, altura e tabagismo tiveram pouca influência sobre quem eles escolhiam para um encontro. Esses fatores também não importavam para as mulheres, mas a idade, sim.

Em ambientes homogêneos, escreveram Belot e Francesconi, as pessoas têm uma tendência maior de se casar com parceiros como elas próprias, enquanto em comunidades mais diversificadas eles tendem a produzir casais mais variados. "O acasalamento exige encontros", escreveram eles. "O grupo de parceiros em potencial molda o tipo de pessoa para quem os participantes propõem um encontro e, definitivamente, com quem assumem relações longas".

Redes sociais

As pessoas restringem suas oportunidades de mercado, sugerem os economistas, ao selecionar altura, peso e idade - que tendem a indicar status sócio-econômico. Então, como uma pessoa aumenta as chances de cruzar com alguém que se encaixa em suas preferências? Talvez entrando em redes sociais. No livro “Connected: The Surprising Power of Our Social Networks and How They Shape Our Lives”, publicado em setembro, Dr. Nicholas A. Christakis, da Faculdade de Medicina de Harvard, e James H. Fowler, cientista político da Universidade da Califórnia em San Diego, argumentam que o namoro não é um processo aleatório.

Eles desenvolveram uma pesquisa referencial, realizada em 1992, em Chicago, envolvendo 3.432 pessoas entre 18 e 59 anos. A pesquisa descobriu que 68% das pessoas casadas entrevistadas relataram terem encontrado seu parceiro através de um amigo, familiar ou outro conhecido em comum.

Christakis e Fowler explicam: "Se você é solteiro e conhece razoavelmente bem vinte pessoas, e se cada uma delas conhece outras vinte, e cada uma delas conhece mais vinte, você está conectado a 8 mil pessoas em apenas três graus. Uma delas provavelmente será seu futuro parceiro".

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