Atrás de uma proposta de trabalho irrecusável, Cândida Pinto veio sozinha para o Brasil, onde vive há dois meses

A portuguesa Cândida Pinto posa com o cachorro Skype, sua companhia no Brasil enquanto espera se reunir com o namorado de 5 anos
Geraldo Bubniak/Fotoarena
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Cândida Pinto nasceu em Águeda-Aveiro, Portugal, onde, nos últimos 35 anos, construiu toda sua vida, laços, referências, carreira e relacionamentos. Há dois anos, começou a trabalhar em uma empresa de franchising imobiliário de alcance internacional. O país entrou em crise, mas sua vida profissional fez o caminho inverso: apareceu uma oportunidade de crescimento dentro de sua empresa. Mas ela, estabelecida, extremamente ligada à família e namorando há cinco anos, teria que mudar de continente.

“Em 2010 recebi a proposta e sabia que, aceitando, teria que vir para o Brasil em março deste ano”, afirma ela.

Mesmo com um avô que morou no Rio de Janeiro por 50 anos, Cândida não conhecia o Brasil antes de mudar para Curitiba, no Paraná, há cerca de dois meses. Naturalmente, o trabalho e suas relações pessoais estavam fincados em sua terra natal e, ao aceitar o convite para trabalhar aqui, ela diz que “não houve muito tempo para pensar, mas sim para reagir. Tive que analisar outros projetos profissionais que seguiam paralelos, e também questões pessoais”.

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Família
"Tenho um pai “coruja” que sempre me mimou muito e uma mãe que me ensinou a ser ambiciosa e lutadora", diz ela. Isso pesou nos dois lados da decisão. Foi difícil separar-se de uma família presente e amorosa, mas foi também a família que serviu como estímulo. Ela diz que eles sempre a ensinaram a lutar pelo que quer na vida, e que as realizações pessoais e profissionais para as mulheres de sua família são bastante importantes. “Tive o apoio da minha mãe e irmã, mas como tenho uma relação muito próxima com meu pai, a reação dele foi diferente. Ele chorou muito no dia que vim para o Brasil, mas por preocupação”, afirma ela.

Esperando por ele
Quando o assunto é seu namorado António, Cândida diz que “a nossa história é bastante bonita”. Eles se conheceram no colégio há 20 anos e, desde então, o que mais existe entre o casal é afinidade. O namoro mesmo existe há cinco anos e, para ela, estar longe dele é a parte que realmente dói. “Nós já tínhamos uma vida em comum, mas eu precisava mudar para crescer profissionalmente. Atualmente, se ficasse em Portugal, não teria uma oportunidade como esta”, afirma Cândida.

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A connversa não foi fácil, mas eles chegaram a um acordo. Na tentativa de driblar o tempo e a distância, ficou combinado entre o casal que a situação será provisória e que, em breve, ele também virá para o Brasil. Mas o “em breve” não tem data e nem certeza para acontecer. Enquanto isso, eles esperam. E tentam. Para viabilizar isto, a portuguesa formada em administração procura, diariamente, uma oportunidade de trabalho para o namorado. “Enquanto ele não vem, nos falamos todos os dias pela internet. E meu coração bate como nos primeiros dias de namoro”, declara.

Distância
Como diz Cândida, com sotaque típico, “o tempo tem passado a correr. E, ao mesmo tempo em que parece que estou aqui há muito tempo, durante os finais de semana é bastante complicado. As saudades são muitas e eu não tenho o trabalho para me distrair”. A presença de uma colega de profissão que veio junto de Portugal tem amenizado tantas ausências. “Torna-se mais fácil por estarmos juntas e nos apoiarmos. Tenho ainda uma amiga de longa data que vive aqui em Curitiba. Tenho procurado passar algum tempo com ela e conhecer lugares interessantes”, diz.

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Com a família, a solução de contato também tem sido a internet, principalmente via Skype, nome dado também ao presente que ganhou da chefe, um cachorro que “tem feito muita companhia para mim aqui”, diz Cândida. O contato com as amigas de infância em Portugal era regular, e este é outro ponto que tem feito falta no dia a dia da executiva.

A empresa que trouxe Cândida para o Brasil está instalada em um espaço empresarial onde há uma área comercial e outra residencial e, temporariamente, é lá que ela mora. E quanto ao tempo de permanência no Brasil, Cândida afirma que, no começo, a ideia era ficar no máximo cinco anos, mas diz que “o projeto que participo precisa de toda a minha dedicação e sempre faço o meu melhor. Gosto muito da minha terra, considero um país maravilhoso. É lá que pretendo constituir família, casar, ter filhos e envelhecer. Mas nunca se sabe… Pretendo visitar Portugal no Natal, até lá, estarei por aqui”.

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