A busca pela religiosidade veio depois da morte do marido. Aceitar o fato e continuar a viver pareciam metas impossíveis

“A gente se conheceu em 1979 e ele morreu em 1999. Ficamos casados por 20 anos. Foi amor à primeira vista. Acreditávamos, desde o primeiro dia, que íamos envelhecer juntos”, conta a assistente administrativa Neide Denker, 48. Ela conta que, apesar de terem passado por uma cerimônia oficial, a identificação era tanta que nem houve pedido de casamento. "Casamos no dia em que nos conhecemos. Era como a gente se sentia. Éramos almas gêmeas".

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O marido de Neide morreu há 12 anos, deixando-a com um casal de filhos para terminar de criar. “Eu sabia que precisava superar a morte dele porque tinha as crianças. Sempre digo que a minha religião as criou. Sem ela, não teria tido forças”, acredita.

Com a viuvez, Neide buscou explicações para que algo tão terrível tivesse acontecido com sua família. Uma amiga a levou a um centro de candomblé, e lá sua dor começou a ser minimizada, segundo a assistente administrativa.

A vida não parou
“A minha nova crença me deu a certeza de que vou reencontrá-lo depois que eu partir. Não duvido disso nem por um segundo da minha vida. Recebi recados que me fazem ter convicção absoluta de que ele está numa vida pós-morte”, diz.

Durante muito tempo, Neide não conseguia mais se relacionar com ninguém por medo de magoar o marido. “Até o dia em que recebi uma mensagem dele que pedia para seguir com minha vida e ser feliz. Foi o que eu fiz. Conheci outra pessoa e tivemos um relacionamento longo, de cinco anos.”

A crença que tem hoje, depois de buscar ajuda na religião, fez Neide lidar melhor com a perda. Ela confessa que o medo de que pessoas queridas morram existe sempre. “Mas sei que tem uma vontade maior e que a gente passa para outro plano para evoluirmos. A saudade de quem se vai nunca acaba. O que acontece é que, com o tempo, você se acostuma com a situação.”

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