Como é o Natal para quem foge das tradições típicas desse feriado cristão

Nada de bolas vermelhas, nada de peru, nada de Papai Noel, como é o Natal de quem não segue as tradições de Natal?
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Nada de bolas vermelhas, nada de peru, nada de Papai Noel, como é o Natal de quem não segue as tradições de Natal?
Poucas festas populares são tão universais como o Natal. E poucas têm tantas tradições e símbolos associados. Da ceia à troca de presentes, alguns costumes possuem mais de 2 mil anos. E, embora cada país incorpore à festa tradições próprias, o Natal, em toda parte, tem cara de...Natal!

No Brasil, enfeitam-se as casas com luzes, guirlandas e a famosa árvore de Natal. O peru é personagem de honra na ceia e Papai Noel, todo agasalhado, convive com as figuras do presépio na maioria dos lares brasileiros.

Algumas famílias, no entanto, abrem mão das tradições e criam outras formas de festejar o Natal. Mas como é a cara desse Natal sem tradições?

Na casa da funcionária pública Adriana Eide, de 35 anos, por exemplo, a clássica troca de presentes foi abolida. Todos os anos, ela, o marido e os dois filhos se reúnem no mês de julho para decidirem o destino da viagem do final do ano.

“Quando chega dezembro raramente estamos em casa, pois viajamos sempre. Nos hotéis que escolhemos, geralmente há algum tipo de comemoração natalina, mas nunca compramos presentes ou nos preocupamos com os costumes tradicionais", conta Adriana.

Segundo ela, os filhos já se acostumaram; não acham estranho e nem sentem falta dos presentes. “Não há cobrança. Nós privilegiamos os aniversários. Conversamos com nossos filhos e dizemos que eles podem escolher um presente de qualidade, que vai servir tanto para o aniversário quanto para o Natal. A própria viagem em dezembro é encarada por eles como um presente”, explica.

Muitas das tradições natalinas aparecem na hora da ceia ou do almoço de Natal. Cada país possui um prato típico que costuma ser servido exclusivamente nesta data. Dos Christmas Puddings ingleses ao Bacalhau da Consoada em Portugal, as famílias recuperam receitas de avós para celebrar a data.

Mas nem todas. Apesar de possuir descendência japonesa, a família da dona de casa Sueli Takashiro adotou o bacalhau como prato típico da ceia de Natal. “Eu sou obrigada a fazer a bacalhoada, pois toda a minha família adora e aguarda o ano inteiro para degustar o peixe”, diz. O bacalhau, segundo Sueli, substitui o peru, o tender e o chester. "Aqui em casa nunca gostamos do sabor dessas carnes, o que ajudou na eleição do bacalhau como o prato oficial da nossa ceia natalina”, justifica.

Já a terapeuta Ana Villar é vegetariana. Para comemorar o Natal, prepara torta de legumes, ensopado de carne de soja e outros quitutes que diz cozinhar somente em datas especiais. “Não é porque se trata de um prato vegetariano que precisa ser sem sabor. Tudo fica delicioso e raramente alguém se queixa da falta de carne. Em algumas comemorações que fiz em casa, avisei os convidados de que a ceia seria vegetariana. Muitos se surpreenderam com a infinidade de receitas deliciosas que podem ser preparadas sem o consumo das peru, chester e outras carnes típicas do Natal”, conta.

Razões religiosas justificam muitos natais sem tradição natalina, afinal, por mais universal que sejam figuras como o Papai Noel, por exemplo, o Natal é essencialmente, uma festa cristã.

O historiador Rubens Azevedo costuma preparar um churrasco na noite do dia 24. “Eu não acredito nessas tradições natalinas, mas como existem crianças na família, para não deixar passar em branco, fazemos uma comemoração bem brasileira, com direito a farofa, maionese e churrasqueira cheia”, afirma.

Mesmo Rubens, teve que fazer algumas concessões ao espírito da época. A tradição de trocar presentes foi adotada recentemente. “Depois que minha filha Julia começou a questionar a data, passamos a comprar presentes para ela e a decorar a casa. Como ela tem apenas cinco anos, é difícil explicar a ausência dos preparativos natalinos, portanto não deixamos a data passar totalmente em branco”, conta.

Na casa da família da dona de casa Deise de Oliveira Neves nunca houve qualquer preparativo para o Natal. Isso porque desde pequena a data nunca foi comemorada em sua casa.

“Eu sentia tristeza em ver que muita gente ganhava presentes caros e algumas pessoas sequer tinham dinheiro para comprar os alimentos para a ceia. Minha mãe nunca comemorou o Natal exatamente por este motivo. Desde então, decidi que também não comemoraria a data como forma de me opor ao espírito comercial que está intimamente ligado a esse dia”, justifica.

Deise afirma, no entanto, que sua opinião não é compartilhada por todos os membros da família. “Uma parte faz a ceia com tudo o que tem direito, mas na minha casa, o almoço do dia 25 é apenas mais caprichado, como se fosse uma refeição de final de semana. Nada além disso", diz.

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