Cursos voltados para as mulheres tentam ensiná-las a não serem mais enganadas por maus profissionais do ramo

Thatyane não aceitou quando o mecânico disse que o motor do carro tinha fundido
Guilherme Lara Campos/Fotoarena
Thatyane não aceitou quando o mecânico disse que o motor do carro tinha fundido
É muito comum ver mulheres que simplesmente se recusam a cuidar de seus carros. Levar na oficina, então, nem pensar! A função é passada para o marido, o pai, o tio, o irmão. Enfim, qualquer homem serve. Mas será mesmo que elas não são capazes de tomar conta de seus próprios veículos?

Redes de oficinas e concessionárias tentam mudar esse cenário. Uma das iniciativas é a oferta de cursos básicos de mecânica para mulheres gratuitos. Uma boa opção para quem quer aprender sobre o assunto por pura curiosidade ou para pessoas que estão cansadas de ficarem na dúvida se o mecânico está falando a verdade toda vez que mostra um orçamento.

Veja o vídeo: Mecânico dá dicas para não ser enganado

“Aprendi a identificar a hora certa de trocar os pneus e quando devo fazer o rodízio, tempo de troca de óleo e peças do motor, além da lição principal: como usar o carro corretamente reduzindo gasto de combustível, pneus e pastilhas de freio”, diz a autônoma Verônica Souza, 31, que participou de um curso. “Outra coisa que ensinaram é que não é bom para o carro deixar o cambio engatado na primeira marcha quando está estacionado no plano. Isso desgasta o cambio e não tem funcionalidade alguma para o veículo”, diz.



Mais de 10 mil alunas
Criado há mais de uma década, o Curso Básico de Mecânica oferecido pela DPaschoal já recebeu em sua rede de lojas mais de 10 mil alunas. Dividido em três módulos, o curso não exigem nenhum conhecimento prévio: “em quatro horas de aprendizado, a mulher passa pela parte teórica, com um vídeo sobre a estrutura sistemática do carro, depois faz a parte de reconhecimento das peças na oficina e, para finalizar, aprende a verificar os níveis de óleo, de água, que é o momento em que ela põe a mão na graxa!”, explica o supervisor de engenharia da DPaschoal, Eliel Bartels.

Marina (de bermuda jeans) no curso de mecânica básica para mulheres
Divulgação
Marina (de bermuda jeans) no curso de mecânica básica para mulheres
A aluna chega com o seu carro e tem a oportunidade de aprender utilizando o próprio veiculo. “Antes de fazer este curso eu não me preocupava com as revisões que devem ser feitas a cada 10 mil quilômetros e, com isso, um pneu do meu carro ficou careca e furou no meio da estrada. Hoje eu tenho participação ativa na manutenção geral do carro, que antes era apenas responsabilidade do meu marido”, acrescenta a relações públicas Marina Alves Franco, 30 anos, que frequentou o curso oferecido pela rede.

Graças ao crescente número de mulheres ao volante, boa parte dos prestadores de serviços automotores já entendeu a necessidade de se adaptar à clientela feminina. “Se a cliente não sabe ou não consegue explicar o que está acontecendo, eu peço para dar uma volta com ela no carro, assim fica mais simples de mostrar o problema”, conta o mecânico Marcos Oliveira Alves, que trabalha em oficina há 11 anos. Mas essa postura não surgiu da noite para o dia. Marcos conta que já viveu experiências desagradáveis com algumas clientes. “Um dia peguei um carro que havia passado por seis oficinas e ainda assim apresentava problema. Expliquei o que teria de ser feito e a cliente achou que estava sendo enganada mais uma vez. Duvidou, pediu garantia, ficou brava, gritou comigo. Depois de muita conversa consegui convencê-la da solução. Consertei o carro e ela sempre volta quando precisa.”

O mecânico estava errado
A enfermeira Thatyane Terci, 31, conseguiu não ser enganada dentro de uma oficina. Ela conta que tinha um carro mais velho, modelo 87, e sabia que o veículo começava a apresentar problemas na parte elétrica. “Um dia o carro parou e entrei no primeiro mecânico que eu vi. Ele abriu o capô, deu uma olhada e disse que o motor havia fundido. Eu disse que era a parte elétrica e ele insistiu que não era. Nem deu bola para o que eu estava falando. Tive de chamar um amigo eletricista para comprovar que o problema não era o motor, e sim, fios em curto. Ele estava querendo me ludibriar, me tirar dinheiro! Foi uma atitude machista, preconceituosa”, afirma.

Casos como o da Thatyane ainda são frequentes e não se aplicam exclusivamente ao sexo feminino. “Não é difícil enganar quem não tem noção nenhuma de mecânica, seja homem ou mulher. Se o serviço custa R$ 100,00 é fácil cobrar R$ 300,00. Infelizmente isso ainda acontece. O grande problema é a carência de informação. Em minha opinião, falta interesse, principalmente, das mulheres em aprender. Elas sabem tudo sobre cabelo, unha, e por que não mecânica?”, comenta Marcos.

O iG reuniu aqui alguns dos tópicos tratados em cursos básicos de mecânica:

- Nível do óleo: deve estar entre o mínimo e o máximo, caso contrário, complete com óleo da mesma marca
- Calibragem dos pneus: a pressão recomendada consta no manual do veiculo
- Alinhamento das rodas: deve ser realizado a cada 10 mil quilômetros rodados
- Freios : evite o uso do ponto morto e atenção com o nível do fluido do freio
- Recarga da bateria: evite ao máximo o procedimento “pegar no tranco”, pois isso é prejudicial ao carro. Atenção com o rádio ligado e o farol aceso em caso de veículo desligado
- Água do pára-brisa: aditivo de limpeza aumenta o tempo de vida útil das palhetas
- Filtro do ar condicionado: troque a cada 15 mil quilômetros rodados ou anualmente
- Motor limpo: aditivos tem ação detergente, pois evitam a formação de borras na parede do motor. A gasolina aditivada também ajuda neste processo

Serviço:
Curso Básico de Mecânica Dpaschoal - gratuito
Contato: 0800 770-5053

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